quinta-feira, 23 de agosto de 2007

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A flagrância do movimento



Charge genial do Kayser que peguei no blog do amigo César, o ótimo Animot.

A luta contínua




A grande pergunta da rapaziada ontem e hoje na ilha do sul é: como foi a viagem do Clube da Luta para o Rio de Janeiro?

Aerocirco, Andrey e a Baba e Maltines tocaram na noite de segunda no Teatro Odisséia na Lapa.


O figuraça da foto é o Macau, irmão do bróda Josema, numa animada noite do Clube da Luta.

"No Balanço do Mar"

Sérgio da Costa Ramos publicou um belo texto sobre Luiz Henrique no DC na segunda passada. E destaco uma frase:


"A Ilha não se embala com um único gênero. A Ilha é Pop, mas também é erudita. A Ilha é folclore, mas também é a elaborada erudição de um José Brasilício de Souza, um Edino Krieger".

Queremismo

Qualquer um que ame Santa Catarina deve ter ojeriza deste atual governo instalado no Palácio da Agronômica, que pra mim continua com esse nome. E parece que as coisas não andam bem pros lados de lá. O STF vai examinar o processo que pode levar à destituição do déspota megalômano nada esclarecido.

César Valente dá uma nota legal sobre o assunto hoje. Ele comenta declarações de Amin. Disse ele:


Esperto, o careca. Com uma só tacada, deu um jeito de manter o assunto do processo contra LHS vivo na mídia e jogou um balde de água fria na turma que estava se preparando para chamá-lo de golpista.

Esperidião reuniu a imprensa ontem para dizer que, qualquer que seja o desfecho do processo em que o STF examina o pedido de cassação do mandato do LHS, ele não assumirá o governo sem que haja nova eleição.

No trecho final da carta que distribuiu, diz o ex-governador:

“Saibam todos, acreditando ou duvidando: se o judiciário tomar a decisão de cassar o mandato em foco – por razões de direito que são conhecidas – não ofenderei Santa Catarina, exercendo o cargo sem preencher o supracitado requisito do voto! O Brasil está precisando de decisões que elevem o exercício da política a nível superior e melhor do que o atual. Se a decisão for a de destituir quem cometeu infração à lei e à ética, uma nova eleição será o caminho do exemplo que nosso País reclama e Santa Catarina merece e pode dar!”


O ex-prefeito biônico e ex-governador estava presente no CIC ontem na pré-estréia do documentário Luiz Henrique - No Balanço do Mar. Era um dos vários políticos.

Um colega das redações me conta que pessoas de uma assessoria de imprensa de uma autarquia ligaram no CIC perguntando sobre o documentário do governador (!?).

Além do Horizonte



No último sábado tive o prazer de ,convidado pelo amigo Airton Perrone, fazer parte da banca do Clínica Demo, um evento realizado no Espaço Cultural Sol da Terra na Lagoa. Revi alguns amigos e conheci outros: Cáo Régis, Marcelo Silva, Carlos Lamarque e o grande mestre Fernando Bahia, outro peixero criado em Floripa. Na conversa do café o bom papo Bahia relembrou ótimas histórias de Luiz Henrique Rosa e outros músicos da cidade.

Mas enfim, o Clínica Demo reúne alguns profissionais da música que analisam na hora, músicas de bandas iniciantes. São dados toques sobre arranjos, letras, afinação e produção - entre outras coisas - num feedback construtivo.

Destaco duas bandas que ouvi: Verano e This Side Down. A primeira faz um folk-rock com pinceladas de psicodelia, clima sixtie, numa relax, numa tranquila, numa boa. Já a This Side Down faz um rock pesado calcado em Black Sabbath e Rage Against The Machine numa boa produção do comparsa Jorge Goméz.

Punk Reggae Party




Joe Strummer & The Mescaleros tocam Get Down Moses no Cambridge Folk Festival.

Bom Feeling





A cantora Sara Tavares no programa Jools Holand da BBC. Nascida em Portugal é da segunda geração de uma família cabo-verdiana. O sotaque dela me lembra muito o do descendente de açorianos do litoral catarinense.

Para o amigo Dauro Veras




Jack Kerouac lê um trecho de On The Road acompanhado por um combo de jazz.

Grande figura!



José Carlos Caldeira Braga protestou, sozinho, contra o ato público na Praça da Sé, organizado pelo Cansei. José deixou embaraçados os artistas que foram lá receber um cachezinho gordo - vide a Ivete Sangalo, garota-propaganda da Philips, cujo CEO nouveau riche é a figura de frente na articulação dessa patuscada.

A comunidade do orkut dedicada ao engenheiro. Costesia da minha rubra.

domingo, 19 de agosto de 2007

Viva a arte catarinense



E não custa relembrar que nesta segunda, 20 de agosto, haverão duas sessões gratuitas de pré-estréia do documentário Luiz Henrique - No Balanço do Mar, de Ieda Beck, no CIC - Centro Integrado de Cultura em Florianópolis.

É um importante registro de um músico fenomenal, desconhecido em sua terra e admirado ao redor do mundo. O filme e junto com ele o relançamento, pela família, do disco Mestiço são uma oportunidade e tanto para que Luiz Henrique seja mais conhecido e ouvido.

E o álbum relançado pela família tem a capa feita por outro genial artista florianopolitano, Hassis. Este foi um importante membro do Grupo Sul, que movimentou a arte catarinense ao trazer o modernismo para cá nos anos 50(!).

Hassis se tornou conhecido como pintor e ilustrador mas gostava de fazer experimentos com super8 sensacionais. Ele pintava e raspava direto no negativo criando obras magníficas, como o filme Batucada.

Em outro ele faz uma homenagem à Florianópolis que tem como trilha Luiz Henrique no violão. E a música é absurda. O cara simplesmente esmerilha nas 6 cordas. Batidas percussivas, solos oitavados, slides, o diabo. É um Luiz Henrique nunca registrado em um do seus discos.

Assisti esses vídeos pois foram incluídos no documentário Hassis – Um AutoRetrato Imaginado, uma autobiografia Inventada – de Marco Martins e Ricardo Weschenfelder, lançado em 2005.

Um pouco da obra de Hassis segue neste vídeo:


Antiga sabedoria



"A desgraça de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta"

Platão

"I'm a full grown man, but..."





Um vídeo muito legal de uma grande música, Sexx Laws, do Beck. Ele mesmo dirigiu. Jack Black alucinado participa. Em homenagem à ela.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Grito Primal





Björk e Raimundo Amador numa apresentação no Jools Holland Show, um puta programa de música ao vivo da BBC. O cara toca um piano endemoniado, conhece todos os grandes e abre espaço para o que há de novo e bom do mundo todo.

Num estúdio são montados cerca de 4 a 5 palcos e cenários e Jools circula pelo ambiente conversando, ouvindo e tocando com seus convidados. Numa mesma noite você pode assistir Al Green, Nação Zumbi, Femi Kuti e Supergrass.

Abaixo segue, em inglês e espanhol, o texto postado junto com o vídeo no You Tube. Saca só que história louca envolve a gravação desta música.


"I recorded 'So Broken' that infamous week for me, the week of the bomb. The only way for me to write a song about it was just to take the piss. I wrote it in my house hitting the table singing, 'I'm so broken (in corny, overwrought voice), olé!' I was going to have the sound of washing dishes and three kids screaming; it would be a soap opera. Then I went to the studio in Spain and met the flamenco guitarist who plays on the track and stayed there for six months recording."

Para septiembre del año 1996, Ricardo López, un joven de 21 años residente en Miami de origen uruguayo, se filma a sí mismo mientras construye una bomba de ácido sulfúrico para matarla. López se encontraba deprimido porque había enviado a Björk cartas en repetidas ocasiones, pero nunca obtenía respuesta y, además, decía en la filmación, no podía soportar que Björk saliera con un hombre de color: el músico tropical Goldie. La bomba fue enviada dentro de un libro, y en el paquete, López se hacía pasar por un ejecutivo de Elektra Records en el que le ofrecía un guión para una nueva película. Gracias al rastreo de Scotland Yard, el envío fue interceptado en las oficinas de correo de Londres justo antes de que saliera a destino.

López dejó registrado todo el proceso en más de 20 videos: desde la construcción de la bomba a la compra de un revólver calibre 38 para suicidarse y el envío del paquete. Finalmente, se afeita la cabeza y se pinta la cara de color verde y rojo para declarar ante la cámara: "Estoy obsesionado con Björk. Su relación es inaceptable". A continuación se coloca el revólver en la boca y aprieta el gatillo. Horrorizada por el acontecimiento, Björk prepara su exilio a España y se separa de Goldie.

En España, graba junto a Raimundo Amador, guitarrista flamenco, ex Pata Negra, la canción "So Broken".

"Lá de Florianópolis..."




O bróda Espíndola avisou ontem da boa nova. Enfim poderemos assistir o documentário Luiz Henrique - No Balanço do Mar, de Ieda Beck na próxima segunda-feira, no CIC. A pré-estréia ocorrerá em duas sessões, gratuitas, às 19h30min e 21h.

Pra quem não conhece, Luiz Henrique começou nas rádios de Florianópolis nos anos 50, partiu para o Rio de Janeiro, se enturmou no Beco das Garrafas, foi para New York, gravou pela Verve e voltou para Floripa onde morreu em 1985 num acidente de carro.

De volta pra casa, lançou em 1975 pelo próprio selo Itagra Discos, o LP Mestiço. O disco é repleto de misturas do jazz-rock, do funk com suas raízes bossa-novistas. Pra acompanhá-lo olha só o naipe do time convocado: J.T. Meirelles, Edison Machado, Luizão Maia, Tenório Jr ( que foi assassinado pela ditadura argentina ) e o baterista Paulinho Braga, aquele que recebeu o seguinte comentário de Tom Jobim para César Camargo Mariano, durante a produção de Elis & Tom:

" Cesinha, esse rapaz elevou a bateria à categoria de instrumento musical."

Bem, tudo isso pra dizer que a família do músico aproveita a carona no filme e irá relançar o disco. Biscoito fino feito em casa.

Up to date

O jornalista Carlos Damião, em transição para o Blogger, mandou essa excelente hoje:


Nos idos dos anos 1940, havia uma marchinha carnavalesca muito popular na capital catarinense. Dizia: "Florianópolis/terra de Hercílio Luz/De dia falta água/De noite falta luz". A energia só chegou para valer na década de 1960, graças a obras de infra-estrutura implantadas pelo governador Celso Ramos e ampliadas pelo seu sucessor, Ivo Silveira, recentemente falecido.
Esses problemas constantes de falta de energia em regiões da Ilha de Santa Catarina - como no fim de semana e hoje, no Norte - são sinais de alerta: estamos no limite da nossa capacidade de distribuição. Como a água depende, em muitos lugares, da energia elétrica para chegar aos consumidores, parece evidente que a marchinha da década de 1940 continua tão atual quanto nunca.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Soul Sister




Marva Whitney, uma das "People" singers de James Brown canta " Things Got To Get Better" no programa de TV Music Scene em 1969.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Uma pequena história da América




Trecho do filme sobre Robert Crumb, dirigido por Terry Zwigoff.

Hello Crazy People!





Os Fabulosos Freak Brothers, personagens de Gilbert Shelton num trailer do longa metragem " Grass Roots".

O filme estrelado por Phineas, Fat Freddy, Freewheellin' Franklin e o gato do Fat Freedy foi feito em stop-motion, técnica que utiliza bonecos.


Qual sua filosofia de vida?





Quem responde é o Barão de Itararé. Um cara genial, muito admirado pela verve, ironia e sabedoria. Criador de inúmeras frases que vivem no inconsciente coletivo brazuca. Publiquei um post sobre ele no início do Esquerda Festiva. Pois bem, sem mais delongas a filosofia de vida do Barão, publicada no Jornal de Debates em 12 de julho de 1946:


— Qual a sua filosofia da vida?
— Respondo, perguntando:
— Mas que é a vida?
— A vida — disse Claude Bernard — é a morte. E Louis Pasteur afimou que, sem a morte, a vida seria impossível.

Quando, entretanto, falamos em vida, a que vida nos referimos? A vida dos animais ou á vida dos vegetais? A vida dos animais e vegetais unicelulares (protozoários e bactérias) ou aos vertebrados e plantas superiores?

Não nos devemos esquecer, porem, que Bertholet, o pai da química, disse que a terra é algo vivo. Naturalmente Bertholet, naquela época, não declarou sem rebuços que a terra vive, porque não queria terminar os seus dias num manicomio ou numa churrascada da inquisição. Mas, evidentemente, quem sabia que a terra é formada de elementos minerais e que esses elementos, por sua vez são compostos de átomos, que estão em constante movimento, deveria admitir a hipótese de que o átomo do reino mineral também vive. Sobre este assunto, nos dias que correm, nenhum cientista nutre qualquer dúvida. Todos percebem que assim como um dia apareceu, tambem um dia a terra desaparecerá. E adiantam até que este nosso mundo, já muito velhinho, morrerá de frio, enregelado. Mas não é só a terra que vive. Tudo o que nela se encontra tambem vive, até mesmo os ciristais que, como a gente, nascem, crescem, envelhecem, adoecem e morrem. Isto é, se transformam.

A vida de um animal superior, como o homem, é uma sociedade anônima, composta de milhões e milhões de acionistas, ou seja, de átomos que formam moléculas e células que se acham em constante atividade. Esses acionistas, entretanto, não se agrupam arbitrariamente, mas de acordo com a lei que rege as sociedades anônimas biológicas, constitundo uma firma que vai agir na praça ou fora dela a prazo limitado, dedicando-se às mais variadas transações de importação e exportação. (Os fisiologistas dizem anabolismo e catabolismo).

A existencia da sociedade depende da renovação, constante de seu estoque. As mercadorias importadas (proteínas, hidratos de carbono, gorduras, vitaminas, etc.) são transformadas nos laboratórios da firma.

O material transformado, em parte, fica depositado nas prateleiras dos grandes armazens, para o abastecimento a domicilio de cada célula, enquanto que a outra parte inaproveitada é exportada ou mandada para fora.

Quando um animal superior morre, não morre nenhum acionista. A sociedade é que entra em liquidação mais ou menos rápida. Cada acionista, isto é, cada átomo então, muda o rumo da sua vida. Indo exercer a sua atividade em outro ramo de negocio ou voltando a emprestar o seu concurso a outra sociedade do mesmo tipo.

Em outras palavras: — a nossa vida depende da renovação permanente das paredes celulares. Cessando essa renovação, sobrevem a gangrena, que é o apodrecimento, a decomposição ou liquidação da sociedade. Entretanto, as paredes celulares, como as paredes das nossas casas, são formadas de tijolos. Mas os tijolos das paredes celulares chamam-se ácidos aminados. Ora os ácidos aminados são corpos neutros que resultam do encontro e do equilíbrio das duas fermentações antagonicas da natureza, a fermentação ácida e a fermentação alcalina ou amoniacal.

Em linguagem metafísica, os espiritualistas dizem a mesma coisa, com outra frase: "O homem tem em si a essencia do bem e do mal. Neste caso, o "bem" sem é a fermentação alcalina e o "mal", a fermentação ácida.

Ora sob o ponto de vista físico, uma fermentação é eletro-positiva e a outra é eletro-negativa. Assim física é quimicamente, a nossa vida tem origem numa contradição. Esta contradição inicial domina todo o fenomeno biológico.

Aliás, nada acontece na natureza sem o encontro dos contrarios. Nada nasce sem o encontro das forças antagônicas.

É da lei da física: forcas contrarias se atraem; forças semelhantes se repelem. Mas é da lei também que o encontro de duas forças, positiva e negativa, tende á formação de uma terceira força neutra, que depois será, conforme o caso, positiva ou negativa em relação a outras.

A minha filosofia não consiste em procurar a harmonia dos contrários, mas, ao contrario, em ressaltar as contradições da natureza, para que sejam, pelo menos, controladas.

As forças contrarias se atraem em virtude de uma lei que não me é dado evitar e pela qual não sou absolutamente responsável. Sei que do encontro de uma carga positiva e de outra negativa, resulta a faisca. Não me sendo possível impedir a faísca, procuro desempenhar o papel de para-raios.

A tristeza e a alegria, como o frio e o calor, como a luz e a treva, são expressões desse contraste. Não há, por isso, tragedia que não tenha o seu lado cômico e não há comedia que não apresente o seu aspecto trágico.

Descobrir o que há de material no espírito e o que há de espiritual na matéria; denunciar o que há de mentira na verdade e o que há de verdade na mentira, eis o trabalho principal a que me dedico para melhor sentir e compreender a vida.

Aqueles que não puderem entender as contradições da natureza tambem não me pode compreender quando as interpreto. E é por isso que há por aí muitas pessoas respeitáveis que ficam confusas quando me escutam e, afinal, não ficam sabendo se, quando brinco, estou falando serio ou se, quando falo sério, estou brincando...

Barão de Itararé

O texto mantém a grafia original do artigo escrito em julho de 1946 por Barão de Itararé.