Mostrando postagens com marcador fábio dwyer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fábio dwyer. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de setembro de 2008

El Bovino

O grupo El Divino é atualmente o maior conglomerado de entretenimento de SC. Realizou recentemente uma parceria com a rede espanhola de clubs Pacha. Em suas diversas casas, todas voltadas ao som que estiver sendo jabázado nas rádios e no som dos "melhores DJs segundo revista de tal" , recebe a "nata" de nossa sociedade. Pois bem.

Este grupo tão conceituado e de alto nível protagonizou um festival de desrespeito aos músicos, que quem lembra já sabe ser meio que o modus operandi por lá. Quero crer que os proprietários do grupo não sejam pessoas toscas assim. Tá na hora de botar ordem e substituir esses subalternos desqualificados, ou pagar um cursinho de boas maneiras. Gente ignóbil que só entende de $$$ mas de nada de educação e finesse.

Aconteceu de novo, agora com meu amigo Fábio Dwyer, que justamente indignado mandou um e-mail aos músicos, do qual eu reproduzo alguns trechos:

Nova modalidade de desrespeito aos músicos em Florianópolis

"Venho por meio desta mensagem narrar alguns fatos revoltantes que aconteceram no último sábado à noite com minha banda aqui em Floripa. Fomos convidados por um amigo para nos apresentarmos na festa de 40 anos da ACI ( Associação Catarinense de Imprensa ) que ocorreu no El Divino Lounge, na Beira-Mar..."

"...Durante a tarde fomos passar o som, e os problemas com o El Divino começaram logo na chegada quando funcionários não queriam nos deixar entrar com o equipamento, pois a faxina foi marcada para a mesma hora que a passagem de som. Quando conseguimos entrar e montar o equipamento, ficamos sabendo que estávamos trancados ali, com um funcionário responsável mas que não tinha as chaves do local..."

"...Quando chegou a hora combinada de tocarmos, das 23h às 24h, um senhor, acho que proprietário de uma agência de propaganda local, pediu o microfone um “instantinho” antes de a banda começar. O que se seguiu foram 28 minutos de premiações, homenagens e discursos, o que reduziu nosso show pela metade. Até aí, ainda é tudo razoavelmente aceitável, a festa era para a imprensa, talvez a gentileza de comunicar isso à banda antes estivesse mais de acordo com o bom senso, mas tudo bem..."

"Começamos finalmente nosso show e surpresa: o som estava horrível, baixo e com ruídos que não estavam presentes na passagem de som, e, pelo que me foi relatado por pessoas que estavam na platéia, parece que as caixas de PA estavam funcionando com carga bem reduzida. Isso prejudicou enormemente a performance da banda e serviu pra dar aquela “queimada de filme” básica, justamente o oposto do que procurávamos, mas até aí, tudo pode ser relativizado, até a qualidade da banda poderia ser questionada por alguém que não tenha presenciado a passagem de som, etc. O problema realmente começa agora:

Tocamos até meia-noite sem sabermos que o espaço onde tocamos - numa espetacular combinação de ganância, descaso e completa falta de raciocínio lógico - havia sido locado também para outra festa. A primeira da ACI privativa, até meia-noite, depois a Festa Mural, aberta ao público e cuja área destinada aos vips era onde estavam os equipamentos da banda.

Enquanto começávamos a desmontar o palco, os equipamentos da banda começam a desaparecer. Primeiro some uma caríssima guitarra PRS. O dono estava desesperado, e quando fui ajudar a procurar a guitarra dele e ficar de olho na minha própria guitarra, vejo um rapaz que até então eu não conhecia, saindo do palco com minha guitarra nas costas. Voei em cima dele e arranquei-a do seu ombro perguntando quem ele era e onde estava a outra guitarra. Ele, um rapazinho que atende pelo nome de Alemão e parece ser uma espécie de sub-gerente, falou que estava tudo ‘no depósito’ (sem explicar onde era!) e tínhamos DEZ MINUTOS para desmontar tudo e CRUZAR A PISTA DE DANÇA, COM MAIS DE 500 PESSOAS COM TODO O EQUIPAMENTO DO PALCO! Uma bateria, caixas de retorno, mesa de som, 4 amplificadores, baixo, guitarras, etc.

Teríamos que cruzar com tudo isso um espaço que uma pessoa não carregando nada já cruzaria com bastante dificuldade. Falei que era impossível e o ‘Alemão’ respondeu “Não sou nenhum ignorante, isso é problema de vocês!” Cercado de seguranças pressionando a banda, pedi que os mesmos fizessem um cordão de isolamento para a banda passar e o Alemão falou que não!

O resultado é que, mesmo pedindo licença, com a música alta e o público já meio‘calibrado’, não conseguimos passar com o equipamento sem esbarrar em muitas pessoas, que ignorando a situação pensaram que essa decisão estúpida e surreal era da banda. Criou-se um clima bem desagradável contra a banda e quando retruquei perto do tal Alemão que aquilo era um absurdo, a resposta educada que obtive foi: “Vai cuidar dos seus bagulhos, seu palhaço”..."

"... Depois fiquei sabendo que o superior dele, um tal Sr. Ely, administrador do El Divino e uma das mentes mais brilhantes de Fpolis, foi quem deu a ordem para que vazássemos da área vip em questão de minutos. Daí, o rapaz transferiu para banda um problema administrativo da casa, o que não justifica tanta grosseria.

Não tenho nenhum prazer em ficar aqui me lamuriando, sei que todos têm seus problemas, outras bandas já passaram e passam diariamente por problemas desagradáveis nos bares e casas noturnas de Florianópolis..."

"...Imagina-se que uma festa organizada por uma agência de propaganda de destaque, para uma Associação dessa importância em uma casa noturna de luxo da cidade não vá resultar numa situação digna de festa de bêbados em botequim de quinta categoria..."

"...O nome da banda foi preservado pois não consultei meus companheiros antes de expressar minha indignação, cada um o faz à sua maneira, a minha é esta. Alguém disse que a forma como os artistas são tratados reflete a saúde de uma sociedade. Espero que tenhamos dias melhores (e cabeças melhores) pois esta cidade merece..."

Fábio Dwyer

Florianópolis, 30 de setembro de 2008


Em um segundo e-mail que me enviou, Fábio conta que mesmo preservando a banda, " o "líder" do grupo, escreveu me esculachando, me chamando de irresponsável, dizendo que eu queimei o filme da banda e fechei todas as portas da cidade pra eles".

Meu amigo tomou uma atitude de nobreza, coisa que esses ditos "músicos" que se rebaixam à qualquer condição e rebaixam toda a classe não têm, se demitiu.

Ainda acrescentou: "Estou recebendo inúmeros e-mails de solidariedades (e um de esculacho completo de quem mais deveria me apoiar) e estou vendo um racha: existem definitivamente duas categorias de músicos em Floripa: os que exigem respeito profissional (Clube da Luta e Projeto Rock, principalmente, com quem estou mais envolvido) e aqueles "músicos" que se submetem a qualquer absurdo por uns trocados, poluindo nossa "piscina" profissional. Vejo vocês do Clube da Luta e o Projeto Rock dando um duro danado pra conquistarmos o respeito e profissionalizar a área, e daí o cara que tá ali, do teu lado assume uma postura dessas..."

Com agradecimentos à Madame Celeste que deu o título do post.



.