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quarta-feira, 4 de abril de 2012

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Eduardo Xuxu fala sobre o ENSAIO CÉLULA e o que vem pela frente



Ontem estive na inauguração do ENSAIO  CÉLULA e aproveitei para fazer esta pequena entrevista com o Xuxu, que agora é sócio do Márcio da Costa e Bruno Tristão na Célula.

Pra começar, Xuxu montou estes dois estúdios de ensaio muito bem equipados e onde Jean Mafra & Bonde Vertigem se prepararam para aquele show incrível da Maratona Cultural.

Fico extremamente feliz de ver a união de gente que faz. A Célula nasceu do sonho daqueles que fizeram o Clube da Luta, encabeçados pelo Márcio da Costa, o Marcinho e agora junta forças com Xuxu, Elke Siedler e Alexei Leão, que também estão envolvidos na reforma que tornará a Célula um dos melhores equipamentos culturais do Estado.

Como Xuxu disse, é um sonho de uma vida realizado. Coisa boa de ver esse sorriso. E vem muito mais por aí.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Soul Fire estreia nesta quinta no General Lee


That's it people. Quinta é dia de soul, cerveja e balanço no General Lee. Vou discotecar boas pérolas groovadas.

O General Lee abriu recentemente e é um aconchegante pub que serve chopp e cervejas Coruja com uns sanduíches substanciosos de costela, pernil e outras carnes. Fica aqui.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Summer Soul Festival traz Amy Winehouse à Florianópolis


Quem acompanha o blog sabe que o genêro soul music bate forte por aqui. Com imensa alegria vejo a chegada do Summer Soul Festival na cidade e espero que seja um sucesso, que tenha continuidade e que ainda nos traga Sharon Jones & The Dap Kings para cá também.

Pois bem. Amanhã, a partir das 22 horas sobem ao palco da Stage Music Park, em Jurerê, Mayer Hawthorne, Janelle Monáe e Amy Winehouse.


Afastada dos palcos há cerca de dois anos, este show marca o retorno de Amy Winehouse que deve apresentar músicas novas de seu terceiro álbum, que vem sendo produzido desde 2008. Rumores dão conta de que este disco é carregado de vibe jamaicana.

Apesar de todos os holofotes estarem voltados à diva da soul music do século XXI, acho que vamos nos surpreender com Janelle.

Estarei lá e mandarei via Twitter minhas impressões. 

Yeah!


SERVIÇO

FLORIANÓPOLIS - SUMMER SOUL FESTIVAL

Local: Stage Music Park –Complexo Music Park, na Rod. Maurício Sirotsky Sobrinho, 2500, KM 1,5, em Jurerê, Florianópolis (SC)

Dia: 08 de janeiro de 2011 (sábado)
Abertura dos portões: 20h00

Horário do Show: 22h00

Ingressos: R$ 350,00 (pista) e R$ 600,00 (camarote), à venda na bilheteria do Stage Music Park e pelos sites www.blueticket.com.br e www.livepass.com.br

Informações: (48) 3282.1669 / contatostage@musicpark.com.br





quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Cinema na sexta

Meu querido e agilizado amigo José Rafael Mamigonian, responsável pela curadoria do ciclo DocBrasil na Fundação Cultural Badesc, avisa que nesta sexta, às 19h, serão exibidos 5 filmes, de diferentes épocas, cujo ponto em comum é referir-se, direta ou indiretamente, ao cinema popular brasileiro produzido nas décadas de 60, 70 e 80. Boca do Lixo rulez.

Segue a programação:

Boca Aberta (Rubens Xavier, SP, 1984, 20 minutos)

Documentário realizado em 1984 sobre alguns dos principais protagonistas da cinematografia ligada à Boca-do-lixo, como Ody Fraga, realizador que dirigiu inúmeros longas, muitos deles sobre a temática do sexo explícito, Ozualdo Candeias, com uma filmografia mais autoral, e Toni Vieira, que dirigiu mais de 20 filmes. A rotina de atores e produtores ligados a este pólo de produção de filmes de apelo mais popular e que foram responsáveis pela produção das comédias eróticas das décadas de 60 e 70.


Candeias: da Boca pra fora (Celso Gonçalves, SP, 2003, 17 minutos)

Um retrato original de um dos mestres do Cinema Marginal, Ozualdo Candeias, realizador dos clássicos “A Margem” e “Zezero”; genuinamente um cineasta do povo. Divertidos e controversos depoimentos de personalidades do cinema como Zé do Caixão, Carlos Reichenbach, Inácio Araújo e Jairo Ferreira.



Que filme tu vai fazer? (Denoy de Oliveira, SP, 1992, 45 minutos)

Num cemitério, um cineasta contempla as lápides da Embrafilme e da reserva de mercado. O cineasta segue seu caminho, entrevistando o público e outros cineastas que falam de seus sonhos e projetos. Um painel vai sendo desenhado sob o rancor e o deboche de um pesonagem símbolo, o Jack da MPA (Motion Pictures Association).



A fila (Katia Maciel, RJ, 1993, 4 minutos)

Em 10 de novembro de 1993, cineastas fazem fila para concorrer a verbas do governo federal.


O Galante Rei da Boca (Alessandro Gamo e Luís Alberto Rocha Melo, SP, 2003, 52 minutos)

Também chamado de o "Rei da Boca", ou o "Produtor Biônico", A. P. Galante produziu de filmes de cangaço a comédias eróticas, dramas psicológicos e filmes policiais, passando por bang-bangs e filmes de kung-fu, num total de mais de 50 obras. Com depoimentos do próprio Galante, trechos de seus filmes, imagens de São Paulo e da Boca do Lixo de ontem e de hoje e entrevistas inéditas com nomes como Carlos Reichenbach, Jairo Ferreira, Rogério Sganzerla, Inácio Araújo, Severino Dadá, Miro Reis, Sylvio Renoldi, Pio Zamuner, Antônio Meliande, Cláudio Portioli, Sebastião de Souza e João Silvério Trevisan (técnicos, diretores e críticos que fizeram a história do cinema brasileiro), O Galante Rei da Boca é um documentário que, com humor e a simpatia peculiares de seu personagem central, reflete e informa sobre o fazer cinema no Brasil.

sábado, 28 de agosto de 2010

Funky friday

A noite de sexta foi espetacular. A Pocket Rocket no Blues Velvet tem sido uma das melhores festas da cidade e ontem tive a honra de discotecar junto com Tiaguinho e a Cói para um público fantástico e receptivo. Me inspirei total e fiz um set matador. O querido Igor Lima até confessou lá e depois colocou no Twitter:

@limaigor não gosto MESMO do robertão, desculpaê. mas ontem descobri que só o querido @esquerdafestiva tem feeling pra animar a pistinha com o rei.

A música do Roberto que mandei é uma reedição que fiz há a algum tempo da canção "Não Há Dinheiro que Pague" da fase soul do Rei. Uma composição de Renato Barros, do Renato e Seus Blue Caps, lançada no disco O Inimitável de 1968. Eia-la:

Roberto carlos - Não Há Dinheiro Que Pague Esquerda Festiva edit by esquerdafestiva

O set começou com a melhor música dos últimos tempos que saiu esta semana, Fuck You do Cee-lo e passei por essas, não necessariamente na ordem:

Kylie Auldist - Made of Stone
Los Amigos Invisibles - Plastic Woman
Sharon Jones & The Dap Kings - He Said I Can
Beck - Mixed Bizzness
The Black Keys - Tighten Up
Otis Redding - Trick or Treat
Beatles - Revolution
Los Iracundos- Ven Quiente Que Estoy Ferviendo
Raul Seixas - Como Vovó Já Dizia
The Pinker Tones - Hold On
The Dynamics - Music
The Clash - Rock The Casbah
Rod Stewart- Hot Legs
Franz Ferdinand - Lucid Dreams
Marvin Gaye - I Heard Through The Grapevine Lulu Rouge edit
John Lennon - Be-Bop-a-Lula
Som Nosso de Cada Dia - Pra Swingar
Ramones - Needles & Pins
Chico Buarque - Jorge Maravilha
The Who- My Generation Will.I.Am remix ft Slash
Arnaldo Antunes - Aonde Você For

É o que me lembro. Obrigado à todos que foram e arrepiaram na pistinha.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Por que hoje é sexta!

É hoje que vou botar o Blues Velvet pra chacoalhar na elegante companhia de Cói Werner e Tiago Franco. E tu vai perder?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Lançamento da Revista Catarina #26 e comemoração de 6 anos da Devassa

Salve minha gente amiga. Nesta quinta, 15 de julho, realizo meu primeiro evento pela revista Catarina, editada pelo Grupo903 , onde trabalho há cerca de dois meses. Para o lançamento da 26ª edição da revista, foi feita uma parceria com o produtor Tiago Franco, que comemora o sexto ano da festa mais cool de Floripa, a Devassa.

Catarina & Devassa se unem e trazem para esta grande comemoração as performances na pista da DJ Lovefoxxx, vocalista da banda Cansei de Ser Sexy (SP) e Copacabana Club DJ Set (CTBA), ao lado dos locais Tiago Franco e Moka.

Na porta a hostess Cói Werner, conhecida DJ residente da Rocket, vai receber a moçada nesta noite animada no Madê, na Lagoa da Conceição.

Bora lá. Segue o serviço:

________________________
6º aniversário da DEVASSA
+ lançamento CATARINA #26
15.07, quinta às 23h

///tiago franco (devassa)
///moka (devassa)
///LOVEFOXXX (CSS - SP)
///COPACABANA CLUB dj set
///hostess: cói werner

r$25 c/nome na lista até 00h,
r$30 após ou r$40 entrada
adevassa@gmail.com c/ assunto "devassa"
no MADÊ CLUB
centrinho da lagoa da conceição

flyer: foto - talytha pugliesi por du borsatto para a capa da catarina #26, design - tiagof.

apoio: flow, belmondo, caio cezar e todos os queridos habituès e amigos que acompanham e acredytham na gente!







sábado, 24 de abril de 2010

Mais Ilha 70

Acabo de assistir o último episódio da trilogia Ilha 70, produzido pela Vinil Filmes e veiculado na RBS TV. Um belo trabalho pra cidade se ver e olhar para seu passado próximo, alimentando as mentes criativas do presente.

E já se fala num Ilha 80. Eu já disse antes que o material pesquisado rende no mínimo outros cinco documentários.

Seguem mais imagens de arquivo dos acervos de Beto Stodieck e Ricardinho Machado, gentilmente cedidas pela produção.

A famosa capa do jornal Rock, Surf & Brotos
Dois gênios catarinas, Hassis e Meyer FilhoO começo da Ilha de Nossa Senhora dos Aterros,como gosta de chamar o Fábio BrüggemannFigueiredo e Bornhausen tomam um café no Senadinho em novembro de 1979O jornalista, visionário e agitador Beto Stodieck

terça-feira, 20 de abril de 2010

Estréia no puteiro


Nesta quinta Zuleika e os Confirmados em sua nova formação se apresentam pela primeira vez. A noitada rocker será na boite 1007 o famoso puteirinho do Centro. No repertório desde Gala à Eurythmics, passando por White Stripes, Depeche Mode e Electric Six.

Na discotecagem o duo Falcatrue promete aquecer os corações rockers e não deixar ninguém parado no after.

Lembrando que rola uma lista amiga ( paga R$10 até 1h) mandando e-mail para freakzuleika@gmail.com. Segue o serviço:

- JOVEM! VOCÊ QUE COMPLETOU 18 ANOS! NÃO IA NO FRANK, NEM MESMO NO GALILEU’S! NÃO VIU ELES ABRIREM PRO CSS NUMA DEVASSA, A SUA CHANCE CHEGOU!

- PESSOA MADURA! VOCÊ QUE VIVEU TUDO ISSO ACIMA LISTADO... A VIDA ESTÁ TE DANDO UMA SEGUNDA CHANCE!

- AS MÚSICAS DE UMA VIDA!

- O GRITO DE GERAÇÕES!!

- ROCK COM EREÇÃO!

- PERFORMANCE MUSICAL E CABELUDA!

- A BANDA MAIS DIVERTIDA, ELETRIZANTE E CHEIROSA QUE VOCÊ VAI VER EM TODA SUA VIDA!

- CHICO ABREU!

- ELTON OLIVEIRA!

- ULYSSES DUTRA!

- E ZULEIKA ZIMBÁBUE SÃO:

ZULEIKA E OS CONFIRMADOS
[show inédito de ressurreição]

Pista de dança:

FALCATRUE
[Marcos Espíndola e E. Gasperin]

DJ FREAKZULEIKA

QUINTA – 22/04
boite chic 1007
[adolfo konder, 1007 – centro]
$13 até 01h
$18 depois

sábado, 17 de abril de 2010

Ilha 70 arrepiando o almoço de sábado


 acervo Beto Stodieck
O segundo episódio de Ilha 70 arrebentou. O garimpo que a equipe da Vinil Filmes realizou rendeu material para pelo menos mais uns cinco documentários. Pudemos ver os freaks ilhéus de Palhostock contando as peripécias e o afluxo de hippies de todo Brasil para a região. Os aterros e o crescimento urbano. Pérolas como o áudio do show da banda A Comunidade Contraversão em Palhostock, tocando N.I.B do Black Sabbath numa onda latina. E o que é aquele comercial do Ceisa Center?




Imagine por onde vagueiam os pensamentos dos protagonistas da época assistindo isso tudo. E imagine o efeito daquela efervescência nas mentes criativas de hoje.

Ilha 70 relembra um período onde o mundo fervilhava e mostra a resposta da juventude de Floripa. Emociona ao mesmo tempo que nos ajuda a compreeender melhor o presente da cidade. Imperdível.


acervo Luc Costa

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

I feel like that



Gosto muito da canção e da banda. Ju Baratieri dirigiu agora este clipe para Sometimes do duo Superpose formado pelo casal Isaac Varzim e Paula Felitto.

domingo, 24 de janeiro de 2010

A realidade de um ídolo em crise

Em 1968 o jornalista, escritor e psiquiatra Roberto Freire acompanhou o cantor e compositor Roberto Carlos em gravações de estúdio, no programa Jovem Guarda e numa viagem à Florianópolis para duas apresentações. A breve convivência e mais um maço de cartas que o jornalista teve acesso, deram-lhe os subsídios para escrever a matéria “Este Homem Procura Um Caminho”, publicada na revista Realidade em novembro daquele ano. Freire analisa o comportamento das fãs e revela o Roberto Carlos em crise na transição de ídolo teen da Jovem Guarda para o artista maduro e mais popular da Música Brasileira.


Alguns anos depois desse encontro o pai da Somaterapia lançaria o romance Tchau, Amor! , que “trata da idolatria agindo sobre a alma feminina criando apaixonada e insaciável fome de amor”. Ao que consta, Roberto Carlos não se incomodou com esse livro. Há até um apêndice no final com o texto publicado em Realidade e transcrições de várias das cartas de fãs recebidas por Roberto Carlos. Juras de amor, compositores oferecendo músicas, ameaças de suicídio(!), e muitas, muitas mulheres ( e homems) querendo um pedacinho dele.

Alguns trechos da matéria que transcrevi para cá:

"Palco do teatro, o programa Todos os Jovens do Mundo ia começar. Moças e crianças, na platéia, gritavam seu nome. Quando a cortina é levantada, a gritaria é total. O conjunto toca os primeiros acordes. Diante do microfone, sob as luzes piscando, e recebendo flores que são jogadas da platéia, Roberto Carlos diz cantando: "Preciso urgentemente de um amigo, para lutar comigo..." Houve um súbito e intenso silencio na platéia.

Antes de ir procurá-lo, haviam-me falado muito sobre sérias dificuldades que estaria vivendo e que ameaçavam sua carreira. De fato, a voz e o jeito de cantar aquela canção pareciam diferentes.

Encontramo-nos depois do programa. Eu nunca o havia visto fora do palco e dos vídeos. Ele aceitou a reportagem, mas notei que o fazia contra a vontade.Acompanharia seu trabalho no Rio, onde ele iria gravar discos e fazer um programa de televisão. Depois, em Florianópolis, assistiria a seus shows."


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"Chegamos à gravadora. Logo à entrada do edifício, um grupo de jovens entrega-lhe fitas magnéticas. São compositores. Roberto trata-os de forma brincalhona e promete a todos uma resposta no fim da gravação, depois de ouvir as fitas. E me explica:

- Como meus discos vendem bastante, as músicas que gravo rendem um bom dinheiro para eles. Já lancei muita gente que hoje se vira sozinha por aí. Isso me obriga a um bruta trabalho, mas vale a pena. De cada cem músicas que me mostram, às vezes posso aproveitar uma."


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"Descemos ao estúdio. O maestro conduz o conjunto RC-7, apresentando a Roberto o arranjo. Depois o discutem. Várias modificações são introduzidas. E a música é repetida várias vezes. Agora, estamos novamente na cabina de gravação. Roberto Carlos ouve dali a execução do arranjo. Anota num papel os defeitos que vai descobrindo. Pelo microfone, dialoga com o maestro e com o músicos. As horas passam e ele não se satisfaz nunca. Não percebo, de início, as diferenças entre uma execução e outra. Ele começa a se exasperar, manifestando isso mais nas mãos que no rosto ou nas falas. Deve estar sentindo que o problema é mais dele que dos músicos. Os seus dedos atritam uns sobre os outros, de modo aflito. Os músicos vem ouvir as gravações e se estabelecem rápidas discussões. Já estamos ali há quatro horas, Roberto tem profundas olheiras. Finalmente, descobre o erro fundamental e a maneira de corrigi-lo. Então volta a brincar e a sorrir. Pega uma pequena gaita e desce para o estúdio. Mistura-se aos músicos. E iniciada a série de gravações finais, nas quais ele executará partes de gaita e cantará. Mas ainda volta à cabina com os músicos, e ouvem o resultado do trabalho. Ficam satisfeitos, porém não há mais tempo para a gravação definitiva. Foram seis horas de luta e decidem deixar para a próxima semana a gravação com o canto. Sinto-me frustrado e digo isso a ele.

- Agora não adianta mais, estamos todos exaustos. O importante é que consegui o que queria: um som diferente, novo."


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"Seu Evandro mostra a Roberto a última gravação que fizeram para o seu LP. O jeito de cantar é realmente diferente: tenho a impressão de que ele estava emocionado ao cantá-la. Digo o que pensei.

- Rapaz, não sei explicar, mas essa música mexe comigo. Eu estava chorando quando acabou a gravação. Estão acontecendo coisas estranhas dentro de mim. E tudo passa para a interpretação quando as músicas dizem algo parecido. Mas, infelizmente, isso só acontece nas gravações.

De fato. Mais tarde eu o ouvi cantando a mesma música diante de um auditório. O ídolo atrapalha o cantor, rouba-lhe a concentração e a emoção.

- Por isso me dedico cada vez mais às gravações. O disco é a coisa mais importante da minha carreira. Passo todo um ano preparando cada LP. Você viu como sofro. É uma luta que me dá grande alegria. No estúdio posso pesquisar, descobrir o que é mesmo quente. Mas o quente novo, pra frente. No estúdio, trabalhando, ouvindo os cantores negros americanos."


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"Fui convidado para jantar em seu apartamento. Lá estariam, além de Nice, mais três amigos que o acompanham desde o início de sua carreira. A conversa giraria exclusivamente em torno dos problemas que enfrentaram juntos para impor as roupas extravagantes e os cabelos compridos. Esperavam uma natural reação negativa e agressiva, principalmente por parte dos homens. E estavam dispostos a enfrentar tudo com a mesma agressividade.

- Se vencemos, foi na bordoada, viu?

E começam a desfilar os casos. Há alguns realmente divertidos. Certa vez, na Avenida Atlântica, no Rio, Roberto dirigia seu carro. Um rapaz, na calçada, mexeu com ele. Roberto freou o carro, mas levou algum tempo para descer, devido ao trânsito. E mandou o maior murro no rapaz que estava parado ao lado do carro. Acontece que não era o que havia folgado com ele.

- Tanto fez que não fosse ele. O importante era que todo mundo ficasse sabendo que aquelas palavras não combinavam mesmo com a gente."


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"Dois depois, no aeroporto de Roberto embarcava para Santa Catarina. Estava ainda triste e abatido. No aeroporto de Florianópolis, uma multidão de jovens o esperava. O sorriso e o aceno que dirigiu às pessoas que gritavam seu nome foi tímido, inseguro, quase aflito.

Agora, eu estava acompanhado do fotógrafo Roger Bester. Pouco mais tarde Roberto nos ia receber em seu quarto do hotel. Mas tivemos de enfrentar duas barreiras. Primeiro, conseguir entrar no hotel, onde a massa se aglomerava diante da porta cercada por um grupo de soldados. Depois, convencer a escolta que guardava a porta do apartamento de Roberto Carlos de que tínhamos autorização para falar com ele. Ficamos uns instantes na ante-sala, e pude observá-lo sentado numa poltrona, sozinho, no quarto. Chupava uma laranja, olhando para a janela. Da rua, vinham os gritos das moças. Chamavam seu nome. A impressão era de uma intensa solidão habitada por coisas incomunicáveis. Aqui dentro, a laranja em sua mão. Lá fora, o coro de vozes femininas que repetia "eu te amo, eu te amo, eu te amo", estribilho do mais recente sucesso de Roberto Carlos."


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"Tivemos de passar toda a tarde trancados naquele quarto. Roberto foi poucas vezes à janela acenar para as admiradoras.Aos poucos, ia retomando a jovialidade habitual, sobretudo graças ao jeito espontâneo com que seus amigos e colaboradores diretos o tratam. Há entre eles uma franqueza simpática, rude e terna ao mesmo tempo. Alguns são obrigados a funções que poderiam ser humilhantes, mas tanto Roberto como eles mesmos conseguem levar tudo na brincadeira. Por exemplo, se Roberto precisa de uma tesoura, ou vai ele mesmo apanhá-la, reclamando de mentira a ineficiência dos colaboradores, ou pede-a em tom de chefe ranzinza, para ouvir em resposta um palavrão de brincadeira de quem deve cuidar desses objetos. Ao mesmo tempo, sabe ouvir com atenção e interesse os problemas e as queixas dos auxiliares, inclusive sobre ele mesmo, Roberto Carlos."


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"Sua imensa popularidade abre-lhe todas as portas exteriores, mas fecha algumas mais íntimas, e mesmo essenciais. A comunicação de massa, que caracteriza sua vida artística, limita as comunicações pessoais. Um ídolo não pode adotar as soluções fáceis para pequenos ou grandes conflitos interiores, que todo homem sofre diariamente. Além disso, alguns jornalistas não compreendem isso e procuram valorizar suas reportagens com fatos dramáticos, infelizes, medíocres da vida de ídolos populares, como se um sofrimento ou fraqueza humanos diminuíssem o valor de suas criações. A intimidade de um homem não pode ser violada à sua revelia, não importa qual seja o delito que haja cometido. Penso nessas coisas porque Roberto Carlos é transparente para quem aprendeu a ver e a ouvir o próximo, sem preconceitos e intolerâncias. Talvez, por isso mesmo desperta nas pessoas simples tão grande admiração, amor mesmo. Seus defeitos, conhecidos pela massa, é que o fazem mais humano."


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"Começa o show. O conjunto RC-7 já esta no palco. Roberto Carlos comenta:

- Quer apostar como tinha mais gente lá fora do que aqui dentro? Meu público é pobre, não pode pagar ingresso muito caro.

É a vez dele. Roberto está curvado, agradecendo os aplausos. Mas, em verdade, há menos gente aqui do que lá fora. A gritaria impede que se possam ouvir suas interpretações. Sou confundido com seus auxiliares e recebo inúmeros pedidos. No fundo, todos querem a mesma coisa, sejam pessoas humildes ou importantes: usar o ídolo, conhecer o moço, tocá-lo, vê-lo de perto. Agora, concentro-me na reação do público. Se Roberto Carlos vira o rosto para um lado da platéia, todo esse grupo de gente se levanta e grita seu nome, como se só depois disso passassem a existir ali dentro. Jogar flores no palco é algo muito importante e simbólico, uma carícia, uma doação, um diálogo. Entregar de mão a mão um pacote de flores já significa uma comunicação mais íntima e intensa. Uma jovem loira - catorze ou quinze anos - apertava no peito umas rosas embrulhadas em papel celofane, e chorava olhando bem de perto o cantor, na primeira fila. Não fazia como as outras, entregando quase que anônimamente seus presentes simbólicos à pessoa simbólica que ali cantava.Ela ficava à margem, sem ousar aproximar-se do palco. Não sei por que, mas aquelas rosas me lembraram a laranja que vi nas mãos de Roberto Carlos, sozinho, no quarto do hotel."


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"Do ginásio, voltamos para o hotel, sempre protegidos pela polícia. Eu sentia uma frustração nas pessoas, no ar, em mim mesmo, em tudo. Roberto Carlos descansaria uma hora para o próximo show, num clube da cidade, onde se realizaria o baile das debutantes. Já era uma hora da manhã quando entramos no clube. Salão lotado, gente sentada no chão. Mas ali a adesão a Roberto Carlos não era total. A curiosidade e a admiração, sim. As debutantes posavam ao lado do cantor, orientadas pelo cronista social da cidade. Um público completamente diferente do anterior. Gente de classe mais elevada e pessoas adultas, idosas em grande parte. De qualquer maneira, o show foi outro sucesso. Quando ele deixou o palco, estava sério.

De novo, aglomerações, gritos, correrias, proteção policial à saída do clube. Num corredor estreito, repleto de moças, houve certa falha no esquema de segurança e Roberto foi agarrado, tocado, agredido, na confusão. Bem atrás dele, empurrada com violência e até espancada pelos guardas, vi uma moça loira e bonita agarrando os cabelos do cantor e ficando com um chumaço deles na mão. Finalmente conseguimos sair à rua. Agora, a frustração era intensa, e, então, pude descobrir o que havia no ar. Foi a frase de um soldado, no carro:

- Por que, tendo tanto moço na cidade, elas fazem isso com ele? E com a rapaziada daqui ficam se fazendo de difíceis?"


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"No avião, voltando para São Paulo, conversei a viagem toda com Roger Bester sobre isso. Seu problema, com as fotografias, era idêntico. Sim, estávamos tentando retratar e descrever um homem em crise. Crise artística e humana, pois essas duas dimensões são inseparáveis, ou talvez uma só nele. Mas o que significa estar em crise? Considero que crise é um estado natural e necessário em todo processo de evolução, de crescimento do homem diante de si mesmo, diante das coisas em que acredita, na vida e no mundo. Representa o momento de saturação. de esgotamento de coisas que já foram boas, válidas, úteis, mas que não podem servir mais, por inúmeras razões. E, no entanto, é preciso que nos libertemos delas antes mesmo de encontrar outras, que as substituam e que sejam mais de acordo com a experiência atual, as verdades novas que nos esclarecem e exigem resposta também nova, tanto na vida como na criação. E, por superar uma crise, entendo o esforço corajoso de abandonar o passado, tudo o que ele significa, para sondar o futuro à procura de novas significações. Enfim, apenas à custa das crises pessoais e criativas é que evoluímos, sobrevivemos. Mas há estreita relação entre o que vamos viver e fazer e o que vivemos e fizemos. Deve ser assim com todo mundo, mas também são raros os que conseguem suportar a angústia dessas crises e possuem a necessária coragem para superá-las. Daí a curta existência de tantos artistas."

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Deslocado

A patética árvore de 3,7 milhões de reais é uma afronta. Mais uma desse governo municipal que atravessou a ponte e não disse a que veio. Ou melhor, não pode dizer a que veio pois isso deve incluir uma série de crimes e contravenções. Em 8 anos tudo pra eles ainda é herança maldita dos Amin. Então tá.

O secretário municipal de Turismo, Mário Cavalazzi até que tentou dar explicações sobre o evidente superfaturamento e maracutaia da instalação da árvore porém seus argumentos são tão sólidos quanto gelatina de framboesa.

E no dia da inauguração da famigerada árvore, que funciona meia boca, ele e sua esposa se plantaram ao lado do palco, na coxia, para assistir o show do Rappa.

O roadie da banda preparava-se para trocar a guitarra do Xandão, quando Mário Cavalazzi deu-lhe um esporro do tipo "O que você está fazendo na minha frente atrapalhando?". O roadie não titubeou e respondeu à altura com um sonoro palavrão ao intrometido. E ficou por isso.

O fato foi relatado pelo meu amigo Marcinho Sorriso que trabalha na equipe da banda.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Batalha campal 2


O Diário Catarinense deu uma grande bola dentro com a publicação de um site especial sobre a Novembrada, onde reúne bastante material sobre a revolta popular contra a ditadura que completou 30 anos no dia de ontem.

Nas mesmas ruas onde na semana passada palhaços brigavam com balões cheios d'água e farinha, há 30 anos o povo de Floripa - que tão pacatamente vem aceitando desmandos, atos corruptos e conluios entre governo, imprensa, sindicatos e empresários - naquela ocasião revoltou-se. 

Na foto, um dos raros momentos de descontração da visita do presidente João Baptista Figueiredo à Florianópolis: uma pausa para um café no Ponto Chic, onde recebeu o título de membro do "Senadinho".

A partir dali a coisa só piorou e após muita pancadaria  a estada do presidente-milico acabou literalmente numa chuva de merda quando uma demonstração de um biodigestor deu chabu.

O episódio foi registrado pelo diretor Eduardo Paredes em 1998 no curta-metragem Novembrada com Lima Duarte muito bem como protagonista no papel do general que perguntado por uma criança o que faria se tivesse que viver com um salário mínimo, respondeu que "daria um tiro na cabeça."

O detalhe sórdido e escroto na comemoração dos 30 anos do episódio foi o infeliz comentário do Luis Carlos Prates no Jornal do Almoço. Como bem provocou o camarada Alexandre Gonçalves no Twitter "'E se um comentarista catarinense no JA de Porto Alegre dissesse sobre a Revolução Farroupilha o mesmo que o Prates disse sobre a Novembrada?"

Queria mesmo ver um, ou uma, catarina falar em horário nobre para a sociedade rio-grandense sobre a guerra perdida e transformada nessa aberração que é o MTG.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Hoje tem marmelada

A autêntica palhaçada vai rolar em Floripa a partir de hoje. É que inicia o Anjos do Picadeiro - Encontro Internacional de Palhaços - com gente dos EUA, América Latina, Europa e do Brasil todo em eventos que acontecem pela cidade.

Acompanhe no folder a extensa programação ( só clicar na imagem para ampliar).


sábado, 14 de novembro de 2009

Arrepiation


Sábado nervoso para quem gosta de música e skate. Enquanto o pessoal da Insecta agita com o Floripa Noise 2009, lá no leste da Ilha acontece o 1º Desafio Floripa Street Skate , uma iniciativa bem legal do pessoal do Instituto Esporte e Ação - Adriano e Eduardo - que nos dias 14 e 15 de novembro movimenta a escola E.B.M. João Gonçalves Pinheiro no Rio Tavares.

Estão em jogo 10 mil reais em prêmios neste desafio lançado aos skatistas competidores dos três Estados do Sul e São Paulo e que conta com a presença de atletas profissionais como Wagner Ramos, Emanoel "Enxaqueca", Rodolfo Ramos "Gugu" , Pedro Barros "Pedrinho" e Leo "Kakinho".

A iniciativa desse grupo do Rio Tavares coloca Floripa novamente em destaque no cenário brasileiro do skate e já transformou o bairro em celeiro de talentos de nível mundial.

Bora . Hoje a amanhã.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Côncavo e o convexo


Jean Mafra lança hoje à noite na festa Plastique no Jivago Lounge, um vídeo-clipe para uma canção de seu álbum-solo , Pare de Fazer Sentido.

Segundo ele, a produção - dirigida por Bianca Chiaradia - " tenta ser apenas um despretensioso retrato poético de uma música", no caso Dobra, que você pode ouvir aqui.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

On the road



Dica do @fabiobruggeman. O segundo documentário da série Encontros, em que ele e o escritor Salim Miguel viajam de carro de Florianópolis a Biguaçu, primeiro com Brüggemann no volante e depois numa viagem onírica em um carro antigo guiado por Salim Miguel.

Uma conversa afiada sobre a arte de escrever e um mergulho nas memórias e reminiscências de Salim Miguel, que recebeu no último dia 23 de julho o maior prêmio oferecido pela Academia Brasileira de Letras, o prêmio Machado de Assis (pelo conjunto da obra).