segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Por que me ufano desse país Vol. 2
Uma seleção de música brasileira que vai de Nação Zumbi à Renato Borghetti. Viva o Brasil. Curte aí!
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Parabéns Lula!
O músico que não tirou o chapéu foi devidamente punido com a leitura obrigatória de discursos dos senadores Heráclito Fortes e Arthur Virgílio.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Truculência
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Não foi às ruas mas foi ao orkut

Recebi, via Twitter, do amigo Aleph Ozuas, o perfil do orkut de Gilmar Mendes. Clica na imagem para ampliar.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
O bife
Estréia “Vestido de Noiva” (23/12/1943) por Nelson Rodrigues
No terceiro sinal alguém veio me soprar: “A melhor platéia do Brasil”. E começou a peça. Nove e meia, se bem me lembro. Numa pusilanimidade total, fiquei no fundo de um camarote, arriado. Platéia, balcões nobres, frisas e camarotes lotados. Eu não via, nem queria ver nada. Muitas vezes, tapava os ouvidos, doente de medo. E o pior foi o silêncio do público todo o primeiro ato. Ninguém ria, ninguém tossia. E havia qualquer coisa de apavorante naquela presença numerosa e muda.
Termina o primeiro ato. Três palmas, se tanto, ou quatro ou cinco no máximo. Gelado, imaginei que seriam palmas das minhas irmãs, dos meus irmãos. Continuei no fundo do camarote, cravado na cadeira. Repetia para mim mesmo: “Fracasso, fracasso!”
Termina o segundo ato. Menos palmas. Imagino: “Até minhas irmãs têm vergonha de me aplaudir”. Pongetti tinha razão. “Vestido de Noiva” era o caos. A platéia estava furiosa com o caos. Até que baixa o pano sobre o final do terceiro ato. Silêncio. Espero. Silêncio. Ninguém bate palmas, nem minhas irmãs.
Ainda silêncio. Atônito, pensei em Roberto Marinho que estava no camarote, ao lado. Devia estar me achando uma besta. E, de repente, começaram palmas escassas e esparsas. Um aplaudia aqui, outro ali, um terceiro mais adiante. Atracado à cadeira, sentia-me perdido, perdido. Mas via a progressão. Focos de palmas, em vários pontos da platéia. E, súbito, todos acordaram do seu espanto. Ergueu-se o uivo unânime.
Os aplausos subiam até a cúpula e multiplicavam as cintilações do lustre. Era como se o grande Caruso tivesse acabado de soltar um dó de peito. Os artistas iam e voltavam. Porteiros levavam corbeilles. Veio Ziembinski, arrastado, de mangas arregaçadas, com o suor de gênio da fronte alta. E, súbito, uma voz (possivelmente a de José César Borba) se esganiça: “O autor, o autor!” E não foi só o César Borba. Muitos outros, inclusive mulheres, pediam, exigiam: “O autor, o autor!”
Minha irmã Helena veio me buscar no fundo do camarote. Eu, que me esvaía em suor, gemi: “Não, não!” E ela: “Vem, vem!” Não podia explicar, ali, que eu entrara no Municipal um pobre-diabo; e ainda não me sentia o autor glorioso. Helena, porém, crispada de vontade, arrancou-me da cadeira. Lívido, apareci na varanda do camarote.
Pensei: “Roberto Marinho deve estar impressionado”. Esperava eu, e esperavam minhas irmãs, que a platéia se voltasse para mim e todos gritassem: “Ele, ele!” Mas o que em seguida aconteceu foi muito parecido com um pesadelo humorístico. Estava o autor, em pé, no camarote, pronto para receber a apoteose. E ninguém me olhava, ninguém. Era como se eu não existisse, simplesmente não existisse.
A platéia exigia o autor, mas virada para o palco, de costas para mim. Senti como se fosse um puro espírito, que vaga, invisível, inaudível, por entre os vivos. Deu-me a vontade furiosa de gritar: “Sou eu! Sou eu!” E nada. Por que os artistas do palco não apontavam: “Ali! Ali!” Por um minuto, sem fim, fui excluído da apoteose e me senti um marginal da própria glória. Recuei para o fundo do camarote, dilacerado de vergonha e frustração.
Quando saí do camarote, o primeiro a me abraçar, radiante, foi Roberto Marinho. Em seguida, Sílvio Piergile, o maestro. E ambos disseram: “Formidável!” Mas fora o Roberto Marinho e o Sílvio Piergile, ninguém via em mim o autor. Uma senhora ia na minha frente, com uma graça lânguida e nostálgica: “As mulheres só deviam amar meninos de 17 anos”. Vou descendo; no meio da escadaria, um velho me abraça; diz trêmulo: “Não perdi um enterro de sua família”. E me beija. Embaixo, sou envolvido, abraçado, quase raptado. Álvaro Lins me puxa pelo braço: “Vem cá que eu quero te apresentar o Paulo Bittencourt”. Lembro-me exatamente das palavras de Paulo: “Sua peça é extremamente interessante”. Alguém ciciou no meu ouvido: “Genial!” Isso, dito baixinho, como se fosse uma obscenidade, deu-me vontade de chorar.
Mas tinha que abraçar Ziembinski, o elenco. Fui para a caixa. Quando entrei, vi uma multidão. Ziembinski berrou: “O autor!” Recebi uma ovação espantosa. Ah, eu estava emocionalmente exausto, as pernas bambas, a vista embaçada. Abraço, longa e desesperadamente Ziembinski. Ah, o polaco (ninguém o chamava de polonês, mas de polaco), o polaco dera ao que parecia o caos uma ordem translúcida e perfeita. Depois de Ziembinski, saí abraçando os intérpretes um por um: Evangelina, Carlos Perry, Graça Mello, Expedito Pôrto, Carlos Mello, Isaac Paschoal. Do alto do camarote, eu era fisicamente desconhecido. Agora, não. Ziembinski me apresentara. Da caixa do teatro até a porta dos fundos, não dei um passo sem esbarrar, sem tropeçar numa admiração patética.
Finalmente, desvencilhei-me dos admiradores e cheguei à rua. Estou andando na calçada da Avenida, e atravesso a Almirante Barroso, vou na direção da Galeria Cruzeiro. Sentia-me boiar entre as coisas. A glória era recente demais. Uma hora antes, eu não passava de um pobre rapaz, que ganhava setecentos mil réis mensais (quinhentos na folha e duzentos por fora). E as coisas me pareciam de uma irrealidade atroz. Até a Avenida era irreal, e os edifícios, e as esquinas. Longe, na Praça Mauá, os mastros sonhavam.
No próprio edifício do Liceu de Artes e Ofícios, quase ao lado de “O Globo”, havia uma casa que era, a um só tempo, leiteria e restaurante. Lá serviam um prato chamado “Almoço Nevado”, típico da classe média. Era um bife, que podia ser acompanhado ou de batatas fritas ou de dois ovos estrelados, com arroz. E mais: manteiga, pão e um pudim de sobremesa. Tudo, ao preço compassivo, generoso, de doze mil réis. Entrei na leiteria deserta, sentei-me num canto. Disse, sem olhar o menu: “Traz um Almoço Nevada, com batatas fritas”.
Primeiro, o garçon trouxe pão e manteiga. Comecei a comer com sombrio elán. Tinha, na imaginação, o lustre do Municipal, ardendo em cintilações delirantes. O garçon voltou. Pôs o prato na mesa. Digo-lhe: “Traz mais pão, que eu pago por fora. Manteiga também, sim?” Eu continuava febril de sonho. Mas o prato estava diante de mim. O bife era a vida real.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Sabe com quem está falando?
Vi no Diário Gauche e também reproduzo post do blog do jornalista Altino Machado.
Fui desrespeitoso e cometi um erro hoje contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que está em visita ao Acre para uma palestra sobre drogas para jovens da rede pública estadual.
Ao fazer a primeira pergunta de uma entrevista coletiva, indaguei:
- Ministro, o senhor tem se manifestado constantemente em defesa da propriedade, contra as invasões, mas em nenhum momento o senhor se manifestou contra dezenas, centenas de assassinatos de lideranças de trabalhadores rurais . [Até aqui, a pergunta é pertinente e correta do ponto de vista jornalístico, o exagero se deu na seqüência] Isso decorre do fato de o senhor ser ministro ou pecuarista?
A resposta do ministro veio à altura:
- Devo lhe dizer o seguinte: eu tenho me manifestado contra qualquer violação de direitos, qualquer violação de direitos. Eu não quero que haja assassinatos, independentemente de… Que não haja violência. Pode-se protestar, pode-se fazer qualquer consideração, mas tem que ser respeitado o direito de outrem. A pergunta de qualquer forma é desrespeitosa. O senhor tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta. Eu não sou pecuarista.
Ao formular de improviso a pergunta, tomei como base o manifesto distribuído no dia 6 de março pela pela Secretaria Nacional da Comissão Pastoral da Terra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, onde está afirmado (e até hoje não contestado publicamente), que o ministro Gilmar Mendes “não esconde sua parcialidade e de que lado está” e que é “grande proprietário de terra no Mato Grosso”.
Exagero também veio da parte de quem tanto critica a existência de um estado policialesco no país. Orientado pelo ministro, um assessor dele telefonou para a Polícia Federal, logo após a entrevista, e pediu aos agentes:
- Fiquem de olho naquele moço, pois ele é muito perigoso.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Bola de fogo
Segundo Cacau Menezes, a banda britânica - um dos baluartes do hard-rock - se apresenta no dia 5 de março no Floripa Music Hall.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Caráter nobre
Eu já gostava do Fernando Meirelles por causa de Cidade de Deus. Quando assisti pouco antes das eleições de 2002 tive a súbita sensação de que Lula ganharia. Saí da sessão direto dentro de um shopping e tudo ficou muito surreal. E não, eu não havia tomado nada.
Depois fiquei sabendo de uma história fantástica que tem a participação do cineasta no furto de uma estátua. E simpatizei mais ainda.
via nassif e terra magazine
sábado, 22 de novembro de 2008
A jóia do Vale
Nos arquivos fotográficos da revista Life disponibilizados pelo Google achei este registro de Blumenau em 1939 feito pelo fotógrafo John Phillips.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Guerra intestina
Neste post que reproduzo, Luís Nassif tacou lenha na fogueira. Confira e tire suas conclusões.
Boa tarde, Nassif.
Sou Policial Federal e me orgulho muito disso. Mas infelizmente o momento interno da PF não é dos melhores.
Nunca manifestei em blog’s, paineis de leitor e outras coisas do gênero, mera discrição, mas hoje preciso desabafar e você é um dos poucos jornalistas em que confio no momento.
Acompanhei várias investigações podendo citar como principais: “Law Kin Chong (Capela), Maluf (Bob Pai), Máfia do apito (Atenas e Atenas II), MSI/Corinthians (Perestroika) e Daniel Dantas/Naji Nahas (Satiagraha).
E aprendi a observar jornalistas, lendo o que eles escrevem sobre o que vi nesse tipo de trabalho. Muitos “pescam” situações isoladas e depois “complementam” os espaços vagos com suas ideologias, releituras, “outras fontes” etc; por vezes “criando” versões totalmente dissociadas dos fatos.
Você, Nassif, no momento é o que traz notícias e comentários mais próximos à realidade, não questiono se isso é relevante, apenas descrevo um fato, não o vejo comprometido com interesses políticos ou econômicos (o que pra você pode até ser ruim já que muitas vezes a sobrevivência financeira do jornalista depende de agradar os interesses dos financiadores dos meios de comunicação)
Em se tratando da Satiagraha, as informações disponíveis na internet são poucas (em comparação ao volume de dados coletados durante os trabalhos e o número de pessoas envolvidas que não foram presas). Se um jornalista sério tivesse acesso a 10% dos dados coletados já teríamos uma revolução no país, iniciada pela mídia. Muitas vezes me vi tentado a explicar o que muitos leitores questionam em seu blog, mas por motivos legais (sou funcionário público e estaria cometendo crime sujeito a demissão) não posso ajudá-lo, mas posso dizer que “todas as análises que você fez sobre o caso Satiagraha estão corretas”.
Hoje pela manhã recebi a visita de alguns colegas da PF, tinham um mandado de busca e apreensão para cumprir em minha casa, foi chamada de “operação G” (será que o “G” é de Gilmar ???). Acordei minha esposa e meus filhos para que acompanhassem as buscas em nosso apartamento, estavam “procurando grampos ilegais e mídias”, como todo o trabalho em que participei sempre foi respaldado por autorização judicial (seja a interceptação telefônica, ambiental ou ação controlada), não havia nada a ser encontrado, como não
encontraram.
Está apenas difícil de explicar para meus filhos e esposa que eu trabalhei honestamente como Policial Federal, não aceitei a proposta de suborno de um milhão de dólares, encontrei muita prova contra as pessoas que foram investigadas na operação Satiagraha e hoje recebi em minha residência busca autorizada pela justiça de Brasília e cumprida pela PF.
Entendi o recado... se quiser trabalhar, faça o trivial. Se quiser investigar, investigue um “peixe-pequeno” (ou seriam os três “P”), mas o melhor é que até agora não encontrei nenhuma linha na internet dizendo: “Policiais Federais que trabalharam na Satiagraha são alvo de busca e apreensão em suas residências como reconhecimento pelos trabalhos prestados.”
Realmente não é um dia dos melhores, mas com certeza o número de pessoas indignadas com esse tipo de situação está cada vez maior e essa “revolução silenciosa” não vai tardar. É o que penso, espero... peço a Deus.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Cafa mór

"Sem liberdade para espinafrar, nenhum elogio é válido"
Carlos Imperial, que em plena ditadura fez um cartão de Natal com a foto acima e mandou para os milicos. Amargou uns dias no xilindró pela fanfarronice.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Complexo de vira-lata
Ontem, sentado numa mesa junto a alguns integrantes da classe média conservadora da Tijuca ouvi por pelo menos meia dúzia de vezes a expressão "povinho de merda".
Como não tinha argumentos (e nem queria argumentar), fiquei anotando, num guardanapo de bar, como se comporta um autêntico vira- latas rodrigueano.
Pesquei 10 características típicas.
1. Use a expressão "povinho de merda", sempre quando for necessário.
2. Faça comparações com líderes (por exemplo, compare os salários do Brasil e dos EUA, e desconsidere o PIB 10 vezes maior deste último)
3. Torne exclusivo do Brasil males que também ocorrem em outros países
4. Silencie sobre nossos progressos.
5. Aponte como único aspecto favorável do nosso povo a descendência imigrante em algumas regiões do país. Desde que seja da Europa germânica, do leste, ou Japão.
6. Esqueça os problemas dos outros emergentes. Aliás, só lembre dos outros emergentes, naquilo em que estão melhores que nós.
7. Aponte o nosso 'pendor à diversão e à preguiça" (use o samba e o futebol como exemplos) e "nossa aversão ao trabalho".
8. Exagere nosso "comodismo" e fale que na Argentina "isso já tinha dado em panelaço".
9. Diga que nossa música é primitiva, batuqueira.
10. Conte a piada da conversa com Deus sobre as desgraças geológicas e climáticas em outros países. E acentue a sentença final: "Mas você vai ver o povinho que vou colocar lá". Não importa que outros já tenham ouvido esta piada. O importante não é fazer rir. Mas fazer chorar.
Os tempos mudam mas a ignorância continua sendo o ingrediente mais abundante do Universo. Os imbecis pobres de espírito seguem comprando suas opiniões formatadas pelo supermercado midiático.
