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sábado, 23 de fevereiro de 2008

I, me and myself



O Buda descreveu o que chamamos de "eu" como um conjunto de elementos agregados de mente e corpo, que funcionam de maneira interdependente, criando a aparência de mulher ou homem. Nós, então, nos identificamos com essa imagem ou aparência, fazendo dela "eu" ou "meu", imaginando que ela tem alguma auto-existência inerente.

Por exemplo, acordamos de manhã, olhamos no espelho, reconhecemos um reflexo e pensamos "OK, sou eu de novo". Então, adicionamos todo tipo de conceito a essa sensação de "eu": sou mulher ou homem, tenho tantos anos, sou uma pessoa feliz ou infeliz, e a lista continua.

Quando examinamos nossa vivência, contudo, vemos que não há nenhum ser central a quem ela se refere. Em vez disso, são simplesmente fenômenos vazios se desenrolando. Vazios no sentido de que não há ninguém particular por trás dos fenômenos surgindo e mudando.

Um arco-íris é um bom exemplo disso. Vamos para fora após uma tempestade e sentimos aquele momento de deleite quando surge um arco-íris no céu. Na maioria das vezes, simplesmente curtimos a visão sem investigar a natureza do que está acontecendo. Mas quando olhamos mais profundamente, se torna claro que não há nenhuma coisa chamada "arco-íris", separada das condições particulares do ar, umidade e luz.

Cada um de nós é como esse arco-íris: uma aparência, uma aparição mágica, surgindo de nossos vários elementos de mente e corpo.

Joseph Goldstein


Via Samsara.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

É tão simples



O que acontece quando não nos soltamos? Na Ásia há uma armadilha astuta para capturar macacos. As pessoas esvaziam um côco, colocam algo doce dentro e fazem um buraco na parte de baixo -- do tamanho exato para o macaco enfiar sua mão aberta, mas pequena demais para ele retirar a mão fechada. Eles prendem o côco a uma árvore, o macaco vem e fica preso.

O que o mantém preso? Apenas a força do desejo, de se segurar, do apego. Tudo que o macaco tem a fazer é soltar o doce, abrir sua mão, deslizá-la para fora e ser livre. Mas apenas um macaco muito raro irá fazer isso.


Joseph Goldstein, em "Transforming the Mind, Healing the World , via Samsara.