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terça-feira, 28 de julho de 2009

Música, humor e cara de pau



"A atriz, humorista, mãe de santo e ex bbb Grazi Meyer e o ator, músico, servente de pedreiro e go - go boy Leo Fressato" apresentam o Humor de Garagem nos dias 1 e 2 de agosto no teatro da UBRO.


Clica na imagem para ampliar e bora lá.

sábado, 25 de abril de 2009

Inspiração

"Quando você pode obter algum resultado? Quando está absolutamente apaixonado pelo processo do fazer e aciona forças insuspeitas dentro de você e encontra um caminho novo que estimula o público. Você encontra isso pelo amor ao processo".






Juca de Oliveira nesta entrevista para a jornalista Ana Paula Sousa.

O bife

QUANDO TUDO COMEÇOU

Estréia “Vestido de Noiva” (23/12/1943) por Nelson Rodrigues

No terceiro sinal alguém veio me soprar: “A melhor platéia do Brasil”. E começou a peça. Nove e meia, se bem me lembro. Numa pusilanimidade total, fiquei no fundo de um camarote, arriado. Platéia, balcões nobres, frisas e camarotes lotados. Eu não via, nem queria ver nada. Muitas vezes, tapava os ouvidos, doente de medo. E o pior foi o silêncio do público todo o primeiro ato. Ninguém ria, ninguém tossia. E havia qualquer coisa de apavorante naquela presença numerosa e muda.

Termina o primeiro ato. Três palmas, se tanto, ou quatro ou cinco no máximo. Gelado, imaginei que seriam palmas das minhas irmãs, dos meus irmãos. Continuei no fundo do camarote, cravado na cadeira. Repetia para mim mesmo: “Fracasso, fracasso!”

Termina o segundo ato. Menos palmas. Imagino: “Até minhas irmãs têm vergonha de me aplaudir”. Pongetti tinha razão. “Vestido de Noiva” era o caos. A platéia estava furiosa com o caos. Até que baixa o pano sobre o final do terceiro ato. Silêncio. Espero. Silêncio. Ninguém bate palmas, nem minhas irmãs.

Ainda silêncio. Atônito, pensei em Roberto Marinho que estava no camarote, ao lado. Devia estar me achando uma besta. E, de repente, começaram palmas escassas e esparsas. Um aplaudia aqui, outro ali, um terceiro mais adiante. Atracado à cadeira, sentia-me perdido, perdido. Mas via a progressão. Focos de palmas, em vários pontos da platéia. E, súbito, todos acordaram do seu espanto. Ergueu-se o uivo unânime.

Os aplausos subiam até a cúpula e multiplicavam as cintilações do lustre. Era como se o grande Caruso tivesse acabado de soltar um dó de peito. Os artistas iam e voltavam. Porteiros levavam corbeilles. Veio Ziembinski, arrastado, de mangas arregaçadas, com o suor de gênio da fronte alta. E, súbito, uma voz (possivelmente a de José César Borba) se esganiça: “O autor, o autor!” E não foi só o César Borba. Muitos outros, inclusive mulheres, pediam, exigiam: “O autor, o autor!”

Minha irmã Helena veio me buscar no fundo do camarote. Eu, que me esvaía em suor, gemi: “Não, não!” E ela: “Vem, vem!” Não podia explicar, ali, que eu entrara no Municipal um pobre-diabo; e ainda não me sentia o autor glorioso. Helena, porém, crispada de vontade, arrancou-me da cadeira. Lívido, apareci na varanda do camarote.

Pensei: “Roberto Marinho deve estar impressionado”. Esperava eu, e esperavam minhas irmãs, que a platéia se voltasse para mim e todos gritassem: “Ele, ele!” Mas o que em seguida aconteceu foi muito parecido com um pesadelo humorístico. Estava o autor, em pé, no camarote, pronto para receber a apoteose. E ninguém me olhava, ninguém. Era como se eu não existisse, simplesmente não existisse.

A platéia exigia o autor, mas virada para o palco, de costas para mim. Senti como se fosse um puro espírito, que vaga, invisível, inaudível, por entre os vivos. Deu-me a vontade furiosa de gritar: “Sou eu! Sou eu!” E nada. Por que os artistas do palco não apontavam: “Ali! Ali!” Por um minuto, sem fim, fui excluído da apoteose e me senti um marginal da própria glória. Recuei para o fundo do camarote, dilacerado de vergonha e frustração.

Quando saí do camarote, o primeiro a me abraçar, radiante, foi Roberto Marinho. Em seguida, Sílvio Piergile, o maestro. E ambos disseram: “Formidável!” Mas fora o Roberto Marinho e o Sílvio Piergile, ninguém via em mim o autor. Uma senhora ia na minha frente, com uma graça lânguida e nostálgica: “As mulheres só deviam amar meninos de 17 anos”. Vou descendo; no meio da escadaria, um velho me abraça; diz trêmulo: “Não perdi um enterro de sua família”. E me beija. Embaixo, sou envolvido, abraçado, quase raptado. Álvaro Lins me puxa pelo braço: “Vem cá que eu quero te apresentar o Paulo Bittencourt”. Lembro-me exatamente das palavras de Paulo: “Sua peça é extremamente interessante”. Alguém ciciou no meu ouvido: “Genial!” Isso, dito baixinho, como se fosse uma obscenidade, deu-me vontade de chorar.

Mas tinha que abraçar Ziembinski, o elenco. Fui para a caixa. Quando entrei, vi uma multidão. Ziembinski berrou: “O autor!” Recebi uma ovação espantosa. Ah, eu estava emocionalmente exausto, as pernas bambas, a vista embaçada. Abraço, longa e desesperadamente Ziembinski. Ah, o polaco (ninguém o chamava de polonês, mas de polaco), o polaco dera ao que parecia o caos uma ordem translúcida e perfeita. Depois de Ziembinski, saí abraçando os intérpretes um por um: Evangelina, Carlos Perry, Graça Mello, Expedito Pôrto, Carlos Mello, Isaac Paschoal. Do alto do camarote, eu era fisicamente desconhecido. Agora, não. Ziembinski me apresentara. Da caixa do teatro até a porta dos fundos, não dei um passo sem esbarrar, sem tropeçar numa admiração patética.

Finalmente, desvencilhei-me dos admiradores e cheguei à rua. Estou andando na calçada da Avenida, e atravesso a Almirante Barroso, vou na direção da Galeria Cruzeiro. Sentia-me boiar entre as coisas. A glória era recente demais. Uma hora antes, eu não passava de um pobre rapaz, que ganhava setecentos mil réis mensais (quinhentos na folha e duzentos por fora). E as coisas me pareciam de uma irrealidade atroz. Até a Avenida era irreal, e os edifícios, e as esquinas. Longe, na Praça Mauá, os mastros sonhavam.

No próprio edifício do Liceu de Artes e Ofícios, quase ao lado de “O Globo”, havia uma casa que era, a um só tempo, leiteria e restaurante. Lá serviam um prato chamado “Almoço Nevado”, típico da classe média. Era um bife, que podia ser acompanhado ou de batatas fritas ou de dois ovos estrelados, com arroz. E mais: manteiga, pão e um pudim de sobremesa. Tudo, ao preço compassivo, generoso, de doze mil réis. Entrei na leiteria deserta, sentei-me num canto. Disse, sem olhar o menu: “Traz um Almoço Nevada, com batatas fritas”.

Primeiro, o garçon trouxe pão e manteiga. Comecei a comer com sombrio elán. Tinha, na imaginação, o lustre do Municipal, ardendo em cintilações delirantes. O garçon voltou. Pôs o prato na mesa. Digo-lhe: “Traz mais pão, que eu pago por fora. Manteiga também, sim?” Eu continuava febril de sonho. Mas o prato estava diante de mim. O bife era a vida real.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Descentralização

Mi Muñequita, espetáculo dirigido por Renato Turnes vai fazer uma baita tour pelo Estado. A peça entrou no circuito do projeto EmCena Catarina do Sesc e percorrerá 16 cidades, começando hoje por Itajaí. E com entrada franca.

No elenco da tragicomédia um time da pesada: Paulo Vasilescu, Milena Moraes, Monica Siedler, Malcon Bauer, Sabrina Gizela e Alvaro Guarnieri.

Mais informações lá no blog oficial.

E vale também conferir o endereço blogueiro do Turnes ( ops, Veludo...), que manda ver aqui.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

La Nena


Ontem fui assistir a pré-estréia da peça Mi Muñequita no Teatro da Ubro e me diverti paca com o texto tragicômico que revela a decadência de uma família pra lá de bizarra. O texto fez vibrar aquela corda dramática e latina que habita nosso corações.

O autor é o uruguaio Gabriel Calderón e a encenação aqui está sob a batuta do diretor Renato Turnes. No elenco Álvaro Guarnieri, Malcon Bauer, Milena Moraes, Monica Siedler, Paulo Vasilescu e Sabrina Gizela.

Como não sou Aline Valim nenhuma eu apenas posso dizer que gostei muito e recomendo. A temporada começa hoje lá no simpático Teatro da Ubro.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Sorria meu bem


Uma estréia teatral agita a Célula nesta quinta, 17 de julho. Produzido pela Ponte Cultural Escritório de Produção - mesma realizadora do Teatro de Quinta - o Comédia Com Leite – Humor Expresso - é um espetáculo de stand-up comedy que fica em cartaz até 18 de setembro, todas as quintas.

"Bastante conhecida do público norte americano e cada vez mais conquistando os palcos brasileiros, stand up comedy é um tipo de humor onde o comediante apresenta – se sem o auxílio de personagens, adereços ou jogos de cena, “de cara limpa”, munido apenas de um microfone e sua capacidade de encontrar graça nas mais absurdas situações. O humorista não conta piadas conhecidas do público (sabe aquela do papagaio?) e prepara um material original através da sua observação do cotidiano.
Em outras palavras, estamos falando de pessoas cara de pau o suficiente, para se apresentarem em frente a um bando de desconhecidos, falando da vida de forma irônica e geralmente tirando sarro de suas maiores tragédias. E torcendo silenciosamente para que riam de alguma coisa, ou para que pelo menos não atirem tomates, ovos ou garrafas de cerveja".



Comédia Com Leite – Humor Expresso é um espetáculo pioneiro neste tipo de humor em Santa Catarina. Os responsáveis pelas gargalhadas são Graziela Meyer, Higor Lima, Malcon Bauer e Milena Moraes.

Na última quinta, num evento fechado para músicos e imprensa, Grazi Meyer fez um preview lá na Célula que prometeu.

Começa às 22hs e quem chega até este horário paga R$10, depois é R$15. Não vacila e bora lá.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Teatralidade


O irriquieto camarada Jean Mafra está de malas prontas para ir ao Rio de Janeiro. Junto com seu comparsa Jaguarito Canhota De Ouro, ele se apresenta na próxima segunda, 19 de maio, na Rua do Mercado, em frente ao espaço/teatro Casa do Mercado, ao lado dos músicos Arturo “Bandini” Cussen e da atriz (e cantora) Paula Braun. O show acontece na festa de encerramento da temporada da peça Onde Você Estava Quando Eu Acordei? de Sidnei Cruz, que tem a trilha sonora e direção musical do vocalista da Samambaia Sound Club.


Aqui uma palhinha da trilha: Poema, bilhete,manifesto, canção .


Jean, se tu voltar de avião traz um sanduíche de pernil do Cervantes pra mim.