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sábado, 29 de setembro de 2007

É preciso algo novo


O jornalista norte-americano Carl Bernstein, aquele do Watergate, em entrevista para a revista Época.


ÉPOCA – A imprensa fez sua parte?
Bernstein – A maior parte do que sabemos sobre as reais políticas da administração Bush – talvez com atraso, não na preparação para a guerra, mas desde que começamos a experimentar dificuldades no Iraque –, sabemos porque os repórteres apareceram com as informações. Não porque a Casa Branca tenha sido solícita ou porque o Congresso tenha exercido a devida vigilância. Acho que esta administração, em termos do mal duradouro causado ao país, é, talvez, pior que a de Nixon, porque ela não foi responsabilizada. O sistema não se corrigiu.

ÉPOCA – Por que isso ocorreu?
Bernstein – São questões muito complicadas, que não permitem respostas fáceis. É preciso olhar para a cultura, para a sociedade e para o período histórico como um todo. O nível de indignação em relação às mentiras dos homens públicos não foi suficiente, mesmo depois de a imprensa ter revelado tanto quanto revelou, para fazer com que o sistema político respondesse. O sistema político tem sérios problemas. Ele não está respondendo às necessidades das pessoas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Objetividade imparcial




Esse senhor Ali Kamel, diretor de jornalismo das Organizações Globo, se supera a cada artigo. Neste aqui, uma coluna na página de Opinião do “Globo”, diz ele sobre a cobertura do acidente da TAM : " Consumidores exigentes, grande público e cidadãos conscientes não são três entidades distintas, mas uma única realidade. Na cobertura da tragédia da TAM, a grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim...".

Lá do blog do Nassif, onde descobri tal texto, tem um comentário de Lu Dias, muito pertinente e que reproduzo:


Caro Nassif

Chega a ser uma piada a explicação do senhor Ali Kamel referente à postura de grande parte da mídia sobre o episódio da TAM.
Penso que nem mesmo um aluno do primeiro ano de jornalismo seria tão ingênuo (para não dizer imbecil).
Fico imaginando a postura de uma cabeça dessas à frente de uma indústria farmacêutica. Iria parar no xilindró ao “testar suas hipóteses”, depois de levar, irresponsavelmente, muitas pessoas à morte.

Qualquer cidadão, por mais rudimentar que seja o seu saber, tem consciência de que testes são sempre sigilosos até que se tenha a comprovação da verdade.
Explicitemos para o senhor Ali Kamel alguns exemplos bem singelos:

1 – O professor somente dá a nota do teste, ao aluno, após a confirmação do número de seus acertos e erros. Até então permanece calado.

2 – O médico somente dá o diagnóstico da doença, ao paciente, após a comprovação dos resultados dos exames feitos. Até então evita levar cliente ao desespero precoce.

3 – O instrutor somente dá a notícia de sua aprovação ou não, ao futuro motorista, após o término do exame de rua, quando não mais será capaz de afetar o seu raciocínio e sua concentração. Até então o bom senso prevalece.

4 – O atleta somente é avisado de seu lugar no pódio, após a apresentação de todos os atletas concorrentes. Até então o sigilo permanece.

5 – A futura mamãe somente tem certeza do sexo de seu esperado rebento após a confirmação do exame de ultra-som. Até então não compra roupinhas cor de rosa.

6 – O candidato político somente tem certeza de sua vitória após a abertura das urnas. Até então permanece discreto. Nada de poses de vencedor.

Nenhum dos personagens, acima citados, baseia seus resultados em hipóteses, levando em conta umas coisinhas bem conhecidas:
Ética
Profissionalismo e
Responsabilidade.

SERIA PEDIR MUITO AO SENHOR ALI KAMEL E A SEUS COLEGAS?