sábado, 25 de abril de 2009

Paredão online (3)



Clica aí e entre nessa.

Inspiração

"Quando você pode obter algum resultado? Quando está absolutamente apaixonado pelo processo do fazer e aciona forças insuspeitas dentro de você e encontra um caminho novo que estimula o público. Você encontra isso pelo amor ao processo".






Juca de Oliveira nesta entrevista para a jornalista Ana Paula Sousa.

O bife

QUANDO TUDO COMEÇOU

Estréia “Vestido de Noiva” (23/12/1943) por Nelson Rodrigues

No terceiro sinal alguém veio me soprar: “A melhor platéia do Brasil”. E começou a peça. Nove e meia, se bem me lembro. Numa pusilanimidade total, fiquei no fundo de um camarote, arriado. Platéia, balcões nobres, frisas e camarotes lotados. Eu não via, nem queria ver nada. Muitas vezes, tapava os ouvidos, doente de medo. E o pior foi o silêncio do público todo o primeiro ato. Ninguém ria, ninguém tossia. E havia qualquer coisa de apavorante naquela presença numerosa e muda.

Termina o primeiro ato. Três palmas, se tanto, ou quatro ou cinco no máximo. Gelado, imaginei que seriam palmas das minhas irmãs, dos meus irmãos. Continuei no fundo do camarote, cravado na cadeira. Repetia para mim mesmo: “Fracasso, fracasso!”

Termina o segundo ato. Menos palmas. Imagino: “Até minhas irmãs têm vergonha de me aplaudir”. Pongetti tinha razão. “Vestido de Noiva” era o caos. A platéia estava furiosa com o caos. Até que baixa o pano sobre o final do terceiro ato. Silêncio. Espero. Silêncio. Ninguém bate palmas, nem minhas irmãs.

Ainda silêncio. Atônito, pensei em Roberto Marinho que estava no camarote, ao lado. Devia estar me achando uma besta. E, de repente, começaram palmas escassas e esparsas. Um aplaudia aqui, outro ali, um terceiro mais adiante. Atracado à cadeira, sentia-me perdido, perdido. Mas via a progressão. Focos de palmas, em vários pontos da platéia. E, súbito, todos acordaram do seu espanto. Ergueu-se o uivo unânime.

Os aplausos subiam até a cúpula e multiplicavam as cintilações do lustre. Era como se o grande Caruso tivesse acabado de soltar um dó de peito. Os artistas iam e voltavam. Porteiros levavam corbeilles. Veio Ziembinski, arrastado, de mangas arregaçadas, com o suor de gênio da fronte alta. E, súbito, uma voz (possivelmente a de José César Borba) se esganiça: “O autor, o autor!” E não foi só o César Borba. Muitos outros, inclusive mulheres, pediam, exigiam: “O autor, o autor!”

Minha irmã Helena veio me buscar no fundo do camarote. Eu, que me esvaía em suor, gemi: “Não, não!” E ela: “Vem, vem!” Não podia explicar, ali, que eu entrara no Municipal um pobre-diabo; e ainda não me sentia o autor glorioso. Helena, porém, crispada de vontade, arrancou-me da cadeira. Lívido, apareci na varanda do camarote.

Pensei: “Roberto Marinho deve estar impressionado”. Esperava eu, e esperavam minhas irmãs, que a platéia se voltasse para mim e todos gritassem: “Ele, ele!” Mas o que em seguida aconteceu foi muito parecido com um pesadelo humorístico. Estava o autor, em pé, no camarote, pronto para receber a apoteose. E ninguém me olhava, ninguém. Era como se eu não existisse, simplesmente não existisse.

A platéia exigia o autor, mas virada para o palco, de costas para mim. Senti como se fosse um puro espírito, que vaga, invisível, inaudível, por entre os vivos. Deu-me a vontade furiosa de gritar: “Sou eu! Sou eu!” E nada. Por que os artistas do palco não apontavam: “Ali! Ali!” Por um minuto, sem fim, fui excluído da apoteose e me senti um marginal da própria glória. Recuei para o fundo do camarote, dilacerado de vergonha e frustração.

Quando saí do camarote, o primeiro a me abraçar, radiante, foi Roberto Marinho. Em seguida, Sílvio Piergile, o maestro. E ambos disseram: “Formidável!” Mas fora o Roberto Marinho e o Sílvio Piergile, ninguém via em mim o autor. Uma senhora ia na minha frente, com uma graça lânguida e nostálgica: “As mulheres só deviam amar meninos de 17 anos”. Vou descendo; no meio da escadaria, um velho me abraça; diz trêmulo: “Não perdi um enterro de sua família”. E me beija. Embaixo, sou envolvido, abraçado, quase raptado. Álvaro Lins me puxa pelo braço: “Vem cá que eu quero te apresentar o Paulo Bittencourt”. Lembro-me exatamente das palavras de Paulo: “Sua peça é extremamente interessante”. Alguém ciciou no meu ouvido: “Genial!” Isso, dito baixinho, como se fosse uma obscenidade, deu-me vontade de chorar.

Mas tinha que abraçar Ziembinski, o elenco. Fui para a caixa. Quando entrei, vi uma multidão. Ziembinski berrou: “O autor!” Recebi uma ovação espantosa. Ah, eu estava emocionalmente exausto, as pernas bambas, a vista embaçada. Abraço, longa e desesperadamente Ziembinski. Ah, o polaco (ninguém o chamava de polonês, mas de polaco), o polaco dera ao que parecia o caos uma ordem translúcida e perfeita. Depois de Ziembinski, saí abraçando os intérpretes um por um: Evangelina, Carlos Perry, Graça Mello, Expedito Pôrto, Carlos Mello, Isaac Paschoal. Do alto do camarote, eu era fisicamente desconhecido. Agora, não. Ziembinski me apresentara. Da caixa do teatro até a porta dos fundos, não dei um passo sem esbarrar, sem tropeçar numa admiração patética.

Finalmente, desvencilhei-me dos admiradores e cheguei à rua. Estou andando na calçada da Avenida, e atravesso a Almirante Barroso, vou na direção da Galeria Cruzeiro. Sentia-me boiar entre as coisas. A glória era recente demais. Uma hora antes, eu não passava de um pobre rapaz, que ganhava setecentos mil réis mensais (quinhentos na folha e duzentos por fora). E as coisas me pareciam de uma irrealidade atroz. Até a Avenida era irreal, e os edifícios, e as esquinas. Longe, na Praça Mauá, os mastros sonhavam.

No próprio edifício do Liceu de Artes e Ofícios, quase ao lado de “O Globo”, havia uma casa que era, a um só tempo, leiteria e restaurante. Lá serviam um prato chamado “Almoço Nevado”, típico da classe média. Era um bife, que podia ser acompanhado ou de batatas fritas ou de dois ovos estrelados, com arroz. E mais: manteiga, pão e um pudim de sobremesa. Tudo, ao preço compassivo, generoso, de doze mil réis. Entrei na leiteria deserta, sentei-me num canto. Disse, sem olhar o menu: “Traz um Almoço Nevada, com batatas fritas”.

Primeiro, o garçon trouxe pão e manteiga. Comecei a comer com sombrio elán. Tinha, na imaginação, o lustre do Municipal, ardendo em cintilações delirantes. O garçon voltou. Pôs o prato na mesa. Digo-lhe: “Traz mais pão, que eu pago por fora. Manteiga também, sim?” Eu continuava febril de sonho. Mas o prato estava diante de mim. O bife era a vida real.

Pássaros



Claire Scully.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Credibilidade de rua ZERO


E esse sorriso amarelo? Tenso!

Breve em todas as bancas e pela internet o assassinato de reputação do ministro Joaquim Barbosa. Aquele que disse o que muitos queriam dizer.

UPDATE 25/04/09 - 03:27 - E hoje o Frank me mandou esse link. Barbosa foi à rua e Gilmar será que topa essa?

Esquerda Festiva avisa

Atenção sociedade catarinense! Kid Mumu está de volta. Todo cuidado é pouco.

Me love this, man

Momento animado do fim de um take das gravações de um clipe para a nossa música O Nome do DJ.

Ledoux, o premiado cineasta do Pintô Sujêra e baterista da banda, é quem está produzindo.

O Coletivo Operante já está gravando o sucessor desse single no Jardim Elétriko. E totalmente na onda dub que a rapaziada já surfa não é de hoje.

Festa no puteiro



O central lupanar Fênix abre as asas e as portas para a festa do Teatro da UDESC no sábado, 25 de abril.

Vou nessa pra ferver a pista com os grooves funk/soul/eletro/rock e quero ver você se remexer. Bora lá.

Roberto Carlos em Floripa

Aí nesse campo no dia 16 de maio próximo, Roberto Carlos vai se apresentar de graça.

Quem diria, o Rei ao lado de casa no Saco dos Limões!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

ET, phone, home


Uma música que tirei de um projeto bacaninha o Ziggy Remixed. Vale a pena conferir e achar outras boas versões.

Esta começa com uma mistura do orgão de Ray Manzarek em Strange Days e o piano Rhodes de Marcos Valle no seu clássico do funk/soul brasileiro Mentira.

Uma pérola. Bem longe de uma outra versão bem famosa de uma banda palhosinha.

David Bowie - Starman ( Atom's Space Funk Journey)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

"O space cash vale o quanto você acreditar que ele vale"



Aqui o link para assistir em alta resolução o episódio de South Park com a discreta aparição do presidente Lula. Em inglês.

Boa história sobre a estupidez humana.

Eu vou só



De song book, nova série de tirinhas do Laerte.

Origem do universo



via hemptopia.

Não sabe brincar não desce pro play!

Leio essa na coluna do Cacau de domingo sobre o prefeito de Florianópolis:

"Dário tem afirmado que está “desgostoso”, “desanimado”, “cansado” e “sem ânimo” para governar com as dificuldades impostas pela oposição em Florianópolis. Acha-se injustiçado e perseguido".

Oposição? Que oposição?

sábado, 18 de abril de 2009

Blackbird



De Michael Wandelmaier.

Paredão online (2)



Acompanhe aqui hoje a partir das 20 hs o programa Paredão da Rádio Atlântida.

Alexandre Gonçalves,editor do blog do Coluna Extra, avisa:

"Assim como no primeiro acompanhamento, no sábado passado, o código do live blogging do CoveritLive está disponível para quem quiser copiar e colar em seus blogs para ajudar a propagar a música, as opiniões e as informações sobre música de Santa Catarina durante o programa. Para receber o código, mande um e-mail para colunaextra@gmail.com, informando o endereço do blog".

quinta-feira, 16 de abril de 2009

10 anos depois


"O próximo Paredão dispensará uma atenção especial para uma banda singular do pop catarinense, a Phunky Buddha. Não foi apenas o Dazaranha que reinou absoluto naqueles anos 1990. Uma vertente levou a música para outro ponto, mais ao funk e soul. E surtiu influências em bandas que hoje se consolidaram dentro deste cenário atual, como Samambaia Sound Club e Sociedade Soul, crias da PB e que estarão lançando no programa seus novos singles. Paredão também é história!"


Marcos Espíndola na Contracapa esta semana.

Antes de sábado já mando um aperitivo aqui. E dos bons. Essa é uma regravação de uma canção com letra minha e música em parceria com o Barreto e o Jorge lançada em nosso único CD.

Com Alexandre Gonçalves na bateria e engenharia de som, Gustavo Barreto na voz e nas guitarras, Jorge Gómez no baixo e este blogueiro nas guitarras e teclados gravamos no Estúdio Templo do Universo Paralelo em Florianópolis em 1999.

No início da gravação captamos o vento Sul e no final uma tempestade de verão. Bem ripongo mesmo no clima da música. Né Matias ;)

Phunky Buddha - Hyerofante

Sangue, suor e groove

Assumindo a alcunha de DJ Ulaissa, oficialmente pela primeira vez, vou colocar umas sonzeras chacoalhantes pra ferver a pista na Sangria Disco neste sábado, 18 de abril, no Jivago Lounge.

A festa recheada de funk, soul, disco, acid jazz, rock e electro é organizada pelo Isaac (Superpose) e Tiaguinho ( Dvssa) que sabem como ninguém fazer um balacobaco da pesada.

SANGRIADISCO

com os djs:
///tiago franco///isaac varzim
///ulaissa///door - jum.

r$10 c/nome na lista, r$15 sem
sangriadisco@gmail.com
no jivago lounge (rua leoberto leal, 04 - centro)










E para aproveitar o clima três pérolas para vocês:


Betty Wright - Where Is The Love? ( Danny Krivit edit)


Eli Paperboy Reed - I'm Gonna Getcha Back

Marvin Gaye - What's Going On ( DJ Day edit)





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Esquerda Festiva recomenda

Uma geral em algumas festas da semana:

  • Sociedade Soul lança seu novo single com uma apresentação no Vecchio Giorgio na sexta, 17 de abril a partir das doze badaladas notúrnicas. A turma do groove vem com tudo pra chacoalhar a massa funkera. Os 30 primeiros levam na faixa o single.



  • Logo mais à noite Vive La Fête no Vecchio Giorgio com os djs Jean Mafra e este que vos escreve. Os nomes dos ganhadores dos ingressos estão na caixa de comentários do post anterior sobre o evento.

  • Na sexta, 17 de abril, a Nação Balanço recebe o 2d Poa lá no fervilhante evento do DJ Marcelo Pimenta que agita o bar Drakkar todas as sextas.

terça-feira, 14 de abril de 2009