terça-feira, 8 de julho de 2008

Complexo de vira-lata

Esta aqui é do weden , um dos mais sagazes comentaristas do blog do Nassif.

Ontem, sentado numa mesa junto a alguns integrantes da classe média conservadora da Tijuca ouvi por pelo menos meia dúzia de vezes a expressão "povinho de merda".

Como não tinha argumentos (e nem queria argumentar), fiquei anotando, num guardanapo de bar, como se comporta um autêntico vira- latas rodrigueano.

Pesquei 10 características típicas.

1. Use a expressão "povinho de merda", sempre quando for necessário.

2. Faça comparações com líderes (por exemplo, compare os salários do Brasil e dos EUA, e desconsidere o PIB 10 vezes maior deste último)

3. Torne exclusivo do Brasil males que também ocorrem em outros países

4. Silencie sobre nossos progressos.

5. Aponte como único aspecto favorável do nosso povo a descendência imigrante em algumas regiões do país. Desde que seja da Europa germânica, do leste, ou Japão.

6. Esqueça os problemas dos outros emergentes. Aliás, só lembre dos outros emergentes, naquilo em que estão melhores que nós.

7. Aponte o nosso 'pendor à diversão e à preguiça" (use o samba e o futebol como exemplos) e "nossa aversão ao trabalho".

8. Exagere nosso "comodismo" e fale que na Argentina "isso já tinha dado em panelaço".

9. Diga que nossa música é primitiva, batuqueira.

10. Conte a piada da conversa com Deus sobre as desgraças geológicas e climáticas em outros países. E acentue a sentença final: "Mas você vai ver o povinho que vou colocar lá". Não importa que outros já tenham ouvido esta piada. O importante não é fazer rir. Mas fazer chorar.



Os tempos mudam mas a ignorância continua sendo o ingrediente mais abundante do Universo. Os imbecis pobres de espírito seguem comprando suas opiniões formatadas pelo supermercado midiático.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Cambalhota rides again

Photobucket

Finalmente ele tomou vergonha na cara e voltou a atualizar o Cambalhota. A gente tava com saudade.

Palhaçada

O grupo El Divino, que atua no ramo do entretenimento e possui diversas casas em Floripa, vacilou feio. Falta de profissionalismo é pouco para descrever a patacoada que fizeram com o Clube da Luta na festa de 8 anos do Patrola, no último sábado no El Divino Club em Jurerê.

Marquinhos Espíndola escreveu em seu blog sobre o acontecido.

Dizem que o produtor do El Divino desconhecia o Clube da Luta. Este é o "profissional" que trabalha numa grande casa noturna e nem um jornal local deve ler. Mas não é nenhuma surpresa, o cara desconhecia também o Andy Rourke, ex-baixista dos Smiths. Como disse um amigo meu, o figura é quase um sexagenário metido a DJ teen.

Não faz muito tempo que ocorreu outro caso emblemático em que produtores de uma conceituada casa noturna da Lagoa não sabiam quem eram os Sex Pistols, quando tentaram lhes vender uma discotecagem com Glen Matlock, ex-baixista da banda seminal do punk-rock.

Ainda lembro também do site de uma grande casa de shows que anunciava o espetáculo de EDY Motta.

Infelizmente se exige profissionalismo dos artistas sem a contrapartida. Pessoas sem capacitação - além do sobrenome e Q.I - detém posições de destaque na produção musical e cultural de Floripa há tempos. Mudar isso também é nossa luta.

Mas enfim, o pessoal do Patrola que não teve nada a ver com isso, pelo contrário são apoiadores da luta, enviou um email-resposta para o baterista e produtor da Samambaia Sound Club, André Guesser, que trancrevo aqui:

André,



Cabe a nos simplesmente agradecer pela festa que vcs proporcionaram ao NOSSO público! Quando digo NOSSO, digo do Patrola e do Clube.

Lamentamos profundamente tudo que aconteceu. Assim como vcs, nosso estresse era intenso nos últimos dias e a indignação tb. Fomos apenas avisados por email e tb pegos de surpresa pela falta de profissionalismo e caráter de uma casa que, desde o começo, não era o nosso "local" preferido.

Infelizmente ainda barramos e somos limitados por questões comerciais e "maiores" que nós. Mesmo assim, tb acredito e pude perceber que conseguimos ser maiores que tudo isso.

Editorialmente e musicalmente estamos satisfeitos pois, assim como vcs, eu, Lele e Tata fizemos o que podíamos com raça, amor e coragem!

Desde quando acompanhamos o começo do Clube, assumimos a luta também. E vamos continuar, sempre. Mesmo que grandes "casas", "marcas" ou seja lá o que for continuarem a abocanhar nossas possibilidades.

Leve nosso cumprimento e o nosso agradecimento de coração a todos os músicos e bandas. Pedimos desculpas pelas atitudes que não foram nossas, mas que afetaram o trabalho de vcs.

Temos muita esperança e vamos batalhar para que as coisas mudem para o ano que vem, de verdade.



Um grande abraço de toda nossa equipe.



Zé, Tata e Lele
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Deste primeiro embate sério, o Clube sai fortalecido. Triste é ver o fogo amigo rolando.




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Karaokê




Sharon Jones & The Dap Kings com How Long Do I Have To Wait For You em versão instrumental num compacto de 45 rpm.

Constatação

Nunca conheci uma pessoa simples.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Memória da música pop catarinense


Com a devida autorização de seus autores o blog Esquerda Festiva traz para a internet um documentário histórico. O retrato de uma cena musical que sacudiu Floripa e Santa Catarina nos anos 90, da qual participei como idealizador, guitarrista e compositor da banda Phunky Buddha.

O vídeo Sete Mares Numa Ilha, lançado em 1999, foi parte de uma tese de doutorado da psicóloga social Kátia Maheirie que - junto com o jornalista André Gassen - analisou as reais conexões entre os "sete mares" da Ilha de Santa Catarina e a tentativa de se estabelecer uma cena a partir do trabalho de bandas com propostas diversas. Participam Dazaranha , Iriê, Stonkas y Congas, Tijuquera, Phunky Buddha, Primavera nos Dentes e Rococó. Esta última se tornaria o John Bala Jones.

Algumas lições para hoje, boas risadas e cenas levemente constrangedoras, incluindo o tombo de skate de Jorge Gómez que o afastou do contrabaixo por umas semanas.

Para situar um pouco.

No início dos anos 90 surgiu no atual bairro João Paulo em Florianópolis - então conhecido como Saco Grande - a banda Dazaranha que priorizou o repertório autoral e influenciou toda uma turma que gravitava pelo antológico Boulevard da Lagoa, pelo centro de artes da Udesc, festas no Morro do Badejo, Luau na Mole, Berro D'água, L'Equinox, Fly, Barulho do Mar e por outros pontos da boemia underground numa noite menos segmentada do que a atual.

Várias bandas surgiram tocando suas composições e logo havia um público cativo para muitas delas. Um bom exemplo do qual posso falar com propriedade foi o que se pode considerar o primeiro show oficial da Phunky Buddha. Numa noite em que fomos a única atração no Barzil na Lagoa da Conceição, estiveram presentes 470 pagantes. E na época só tocávamos nossas músicas e apenas um cover ou outro pelas apresentações que logo aconteciam por todo o interior do Estado e no Paraná.

E assim era com todas as bandas entrevistadas por Katita e Gassen. Como lembrou o Marcinho da Costa num papo outra noite no Célula, "naquele tempo a gente recebia uma porrada de telefonema para contratar shows e hoje só correndo atrás".

As bandas tocavam quase todos fins-de-semana em bares, eventos e festas. Esboçou-se um movimento mas não havia interação entre músicos, respaldo da mídia e a internet em seus primórdios era acessível para poucos.

Atualmente há um renascimento sobre bases mais sólidas. Santa Catarina é certamente um dos segredos mais bem guardados da música brasileira. Há uma efervescência nas ruas. Iniciativas pipocam pelo Estado. Em cada região alguns jovens empreendedores buscam consolidar um circuito para a música autoral catarinense. Esta é a nossa luta. Clube da Luta, Marcos Espíndola, Mundo 47, Válvula Rock, Célula, Barba Ruiva, Insecta, JB Pub, Tra-lá-lá, Devassa/Rocket/RaveMetal, Fancaria, Curupira, Psicodália, Rural Rock, Sol da Terra, Tschumistock e Transitoriamente
são alguns dos muitos outros festivais, bares, espaços culturais, músicos, jornalistas, produtores, blogueiros, fotógrafos, ativistas e entusiastas que movimentam o cenário.

Um agradecimento ao Jeco Thompson que me deu uma cópia digitalizada pois eu só tinha o original em VHS.

Divirtam-se. Lembrando que clicando na cruzinha você assiste o vídeo em tela cheia.



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Farinha do mesmo saco

Do César Valente sobre a greve de motoristas e cobradores. Assino embaixo. Pelegada! 
 
 
Também acho que não dá pra facilitar, quando se negocia com prefeitura, sindicato de patrões e sei lá mais quem. Mas o prejuízo que os motoristas e cobradores causam a cada um dos usuários, que são tão vítimas quanto eles, é inexplicável, indesculpável e deveria ser inesquecível.

Anotem nos caderninhos o que sofreram hoje, pra que quando alguém inventar de colocar veículos de transporte coletivo automatizados, sem motorneiros e cobradores, a população não fique morrendo de pena nem se coloque do lado dos “coitadinhos”.

Lembrem-se que, ao planejar as lutas deles (que até podem ser legítimas e necessárias), nada fizeram para evitar o dano à parte mais fraca e sofrida. Que deveria ser tratada melhor, para apoiar a luta, para testemunhar que eles merecem ser melhor pagos.

Com tamanha insensibilidade política e humana, eles se igualam àqueles a quem acusam de maltratá-los. Farinha do mesmo saco. Se merecem.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Magnetismo


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"Estamos assistindo uma série de experimentos científicos, o Universo em fluxo, ou um documentário ou mundo fictício?"


Ruth Jarman e Joe Gerhardt do Semiconductor Films passaram um tempo como artistas residentes no Laboratório de Ciências Espaciais da NASA na Universidade de Berkeley, Califórnia.

Com esta experiência e muito talento em som, animação e programação, eles realizaram Magnetic Movie, maravilhosas visualizações de campos magnéticos e ventos solares, as "forças invisíveis trazidas para a escala humana".

Esporte faz mal à saúde

Olhe aqui o que um médico escreveu numa carta para o DC.


Em minhas observações como médico, tenho relacionado de modo muito significativo o viver mais com o interesse que a pessoa tem pela vida. Objetivos, metas e lutas para se conseguir algo importante prendem a pessoa na Terra. Esses motivos anímicos são os que realmente ajudam a viver mais. Esportes e exercícios ajudam a ampliar o círculo de relações e possibilitam a queima da tenebrosa adrenalina com alívio momentâneo dos males do espírito. Nada mais que isso. Fisicamente, até prejudicam, pois provocam cansaço cardíaco e deformações articulares que passam a ser mais uma carga de amolação. O negócio é viver bem. O exterior segue cegamente os comandos medulares. Se você se sente sossegado e seus pensamentos não rangem, saiba que vai viver mais.

Geraldo Siffert Júnior
Médico - Rio de Janeiro

terça-feira, 1 de julho de 2008

Primeiro de julho


34 anos depois desta foto os cabelos não continuam os mesmos. Já escureceram e agora começam a ficar brancos.

Obrigado a todos que estão mandando mensagens, e-mails e telefonemas e um abração ao Marquinhos Espíndola que, além de dedicar um carinhoso espaço em seu blog e na Contracapa de hoje, deu o primeiro telefonema do dia.

E começa mais um ano. A luta continua.

sábado, 28 de junho de 2008

Seo Chico


Na próxima terça,1 de julho, sairá decisão da Justiça sobre o caso "Seo Chico".

Vivendo num sítio no Sertão do Peri, na Ilha de Santa Catarina, Seo Chico tinha um dos últimos engenhos de Florianópolis , onde produzia farinha e cachaça sem luz elétrica. Era tudo feito com a ajuda de seus bois. A casa tinha mais de 200 anos e estava com sua estrutura arquitetônica intacta.

Um ser humano fantástico que vivia no século XIX e que teve um pedaço de sua vida registrada no belíssimo documentário "Seo Chico, um retrato" de José Rafael Mamigonian.

Francisco Thomaz dos Santos, o "Seo Chico", foi assassinado em 19 de setembro de 1996.

O maior de todos os tempos da última semana

Será o fim da era de listas de melhores DJs? Via rraurl.

Obama grooves

"Se eu tivesse um herói musical, teria de ser Stevie Wonder. Quando cheguei na época de me envolver com a música, Stevie estava naquela jornada com Music of My Mind, Talking Book, Fulfillingness' First Finale e Innervisions, e então Songs in the Key of Life. São a série de cinco álbuns mais brilhante jamais vista." Barack Obama em entrevista para o editor da Rolling Stone, Jann S. Wenner.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Tu dizzzzzzz?



Em breve a expressão "a preço de banana" deixará de fazer sentido, ou melhor vai mudar de sentido.

Via New York Times. Foto : krymorg

Urra!


Uma salva para o Blues Velvet que reabre na quarta com festa da Zuleika.

terça-feira, 24 de junho de 2008

On Jack Tall Back?


Pintaram na rede algumas das músicas do novo álbum do Beck que deve sair no dia 8 de julho. Produzido por Danger Mouse, o disco promete.

Ouça em streaming a faixa Orphans.

Coisa que meu povo gosta.



Foto : Chad Wadsworth

Estupéunnnnnnnnnnnn

Marcinho da Costa, nossa mente mais lúcida, mandou essa no Festival de Outono no último sábado:
- Vocês sabem que Floripa é uma "cidade de pouca cultura", não é?

- Siiiimmm - manifestam-se alguns da platéia.

- Pois é, isso é culpa de vocês! Saiam de casa, vão prestigiar seus artistas, vão conferir a boa música que é produzida e aí verão que estão enganados. Nós temos uma cultura sim!



Via blog do Marquinhos, que aproveitou a deixa e mandou muito bem ao citar o descaso com a pedreira do Abraão.

No sábado cerca de 3000 pessoas foram para a praça Bento Silvério na Lagoa da Conceição e viram shows com Luciano Bilu e Tijuquera no Clube da Luta edição Lagoa. Em seguida rolou show com Paulinho Moska.


Foto: Cassiano Ferraz

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Hermetismo


Parem as rotativas! Furo do Esquerda Festiva.

Hermeto Paschoal - que se apresenta gratuitamente no Festival de Outono da Lagoa no próximo sábado - incluiu no rider técnico de seu show uma piscina de 1000 litros cheia d'água.

E agora como é que ele vai usar isso é que é hein?

Com certeza será um sucesso e o Centrinho da Lagoa deve parar.


A visita do genial músico brasileiro à Floripa, parece que incluirá um encontro com Toicinho, o astro de Sistema de Animação.


Foto: superchordstheory

A sociedade somos nozes

Sábado fui conhecer um lugar que há muito eu deseja ver. O famoso "rancho do Baga". E a ocasião era mais do que especial, era aniversário do camarada Adriano Rotini mais conhecido pela alcunha de Baga no mundo do rock, um canceriano que não nega a raça.

Uma turminha animada se reuniu para degustar um peixe frito com cerveja e vinho ao som de muito rock, providenciado por um comparsa (infelizmente me esqueci o nome dele foi mal aí), que levou um HD player formidável. Reunia trocentos shows e discos e conectado na TV e no som, nos proporcionou a trilha deste peculiar convescote. Stevie Wonder, Ten Years After, Led Zeppelin.

Enquanto não recebo fotos que Caio Cezar fez com sua máquina profissa, mando aqui algumas imagens de celular.

Saca só a localização estratégica do rancho de pesca que o Baga herdou do pai.


A porta dos fundos dá para o estreito que une as baias Norte e Sul.









Baga admirando o visual do pôr-do-sol.

O intrépido Caio Cezar sempre em busca do clique perfeito.

Rolando Castelo Júnior, baterista da lendária Patrulha do Espaço que foi lá dar um abraço no baixista que no ano passado e no início deste, tocou pelo Brasil com a banda.




E não encerrou por aqui este sábado. Na sequência alguns de nós subiram o morro do Pantanal e foram festejar o mês de junho com os amigos na casa de Paulo Brum lá nas alturas.

Uma tainhada na brasa com fartura. Apenas peixe, limão e farinha. E as tainhas eram ovadas. Renderam algumas ovas na brasa. Sensacional.

A espetacular casa do Paulete foi adquirida com a grana que ele embolsou por uma rescisão de contrato. Ele era o professor que foi despedido por exibir o Laranja Mecânica para os alunos de segundo grau de um colégio particular em Lages, que eu havia citado antes sem no entanto revelar o nome do personagem deste fato lamentável na educação da sociedaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaade catarinensssssssssssssssssssss.

A Via Expressa Sul com a entrada do túnel em direção ao Centro.