
O lendário fotógrafo Walter Firmo, que trabalhou no não menos lendário jornal Última Hora de Samuel Wainer, vai ministrar um workshop em Floripa no mês de agosto.
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– Com licença. Lee Perry?
– Simmm.
– O que o senhor faz por aqui?
– Eu moro aqui, my friend.

Eu tinha 15 anos e muita curiosidade sobre o blues quando comprei na empolgação um disco de vinil de Bo Diddley no sebo Lunário Perpétuo, que ficava no edifício Dias Velho, Centro de Florianópolis. O dono do sebo chamava-se Ênio e era idêntico ao personagem Stock do Angeli.Posso contar uma vitória? Não é que seja exatamente uma vitória, mas é uma grande forra. Sabe? Vingança é uma palavra forte para definir. Acho que forra é o que é. Não uma forra minha, particular. Uma forra que eu tomei em
nome de todos os artistas do país.
Vamos lá.
Quando o Sr. Victor Costa, diretor geral da Rádio Nacional, comprou a Rádio
Mayrink Veiga, nós da Mayrink passamos a ser escalados para shows em casas
de pessoas ricas, gente a quem o Sr. Victor devia favores ou desejava
obtê-los. O fato é que a gente chegava na tabela e estava lá:
- Fulano, Fulano, Francisco Anysio, Fulano, Altamiro Carrilho,
Jorge Veiga, Dolores Duran, Antonio Carlos – show na casa do Dr.
Não-Sei-O-Quê de tal, na rua Tal número tanto. 20 horas.
E a gente ia e fazia um show para o qual ninguém dava a menor
bola. Mas nem olhavam. Aquele show era uma coisa chata, que só servia para
atrapalhar a conversa deles. Mas fazer o show era uma ordem do patrão, e o
jeito qual era? Obedecer.
Pois bem.
Uma tarde estava na tabela o meu nome para um show numa casa da Lagoa
Rodrigo de Freitas. A gente lia o nome ali, escalado para esse serviço e
dava um frio que corria pela espinha. Era pedra!
Eu lembro do elenco escalado para aquele show: Jorge Veiga, Dolores Duran,
Aracy Costa, eu e (deixei de propósito para citar no final), o Antonio
Carlos – o pai da Glorinha Pires e maior comediante que eu conheci em toda a
minha vida.
Um locutor apresentava o show. E os cantores seriam acompanhados, como
sempre, pelo regional do Altamiro Carrilho.
Era pra chegar às oito horas, 15 para as 8 eu toquei a campainha,
abriu a porta uma governanta. Loura, já de uma certa idade, muito elegante,
um vestido cinza até os tornozelos, parecendo mais uma governanta de filme
inglês. Chiquérrima.
- Pois não.
- Eu sou artista do show.
- Ah, artista? Ali pela porta de serviço, por favor.
Eu fui lá e ela me ofereceu uma cadeira na copa. Daí a pouco
chegou a Dolores, chegou o Jorge, o Tuneca, o Altamiro com o regional dele.
Nós, os artistas, ficamos todos ali na copa.
A cozinheira serviu pra gente uns bolinhos de bacalhau e cerveja.
Ai veio a hora fatal: a hora do show. Nós fizemos aquela infelicidade que
era habitual, e fomos embora.
Quatorze anos depois, eu estava no Teatro da Lagoa com um show arrebentando
a boca do balão, um record que não tem como ser batido, porque eram oito
sessões por semana – (2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª, duas no sábado e duas no domingo),
eu fiz 15 meses, com uma média de público de 23 pessoas acima da lotação, ou
seja: todas as casas superlotadas.
Pois bom.
Numa noite lá o Ricardo Amaral que até hoje não sei se é um amigo irmão ou
um irmão amigo, me disse:
- Olha aqui, Chico Anysio: você não me marque nada para depois do
espetáculo, porque o Fulano de Tal viu o show, adorou, e fez um jantar em
sua homenagem. Olha aqui o endereço.
E botou um papel no meu bolso.
- Ta legal.
- Eu não vou poder ir, porque já tinha um compromisso, ele sabe disso, mas
me falou que ele mesmo vai tomar conta de você.
- OK, Amaral. Eu vou lá.
Depois do show eu peguei o papel, vi o endereço e fui pra lá, para o tal
jantar em minha homenagem.
Quando eu desci do carro e olhei...
Era aquela mesma casa de quatorze anos atrás. A mesma. Olha só.
Quatorze anos depois eu estava ali, de volta.
Eu então o que fiz? Tranqüila e modestamente, fui à porta de serviço e
toquei a campainha.
Abriu a porta a mesma governanta, com a mesma roupa cinzenta...
- Chico Anysio. O que é isso? Aqui é a entrada de serviço. A porta
da frente é ali.
Eu disse:
- Eu sei. É que há quatorze anos atrás eu vim aqui fazer um show a
mando do Sr. Victor Costa, toquei a campainha lá e a senhora mesma me disse
que artista entrava pela porta de serviço. Como eu continuo artista vou
entrar por aqui. Com licença.
Entrei e fiquei na cozinha. Nem à copa eu fui. Fiquei brincando
com a cozinheira, tirando tampa de panela, dando uma provadinha numa coisa e
noutra e as pessoas foram vindo, me chamando pra sala e eu não indo e
mexendo nas panelas e a festa passou para a copa e cozinha.
Minha mãe me dizia que isto foi uma indelicadeza minha, mas será
que foi?
Pra mim foi uma forra, porque eu já estava de saco cheio de ser discriminado
somente por ser artista.
Julguem vocês.


Dois juízes federais de Buenos Aires absolveram um homem que havia sido processado por ter uma plantação de maconha na varanda de seu apartamento na capital argentina.
Na decisão divulgada nesta terça-feira (10), os juízes Eduardo Farah e Eduardo Freiler consideraram inconstitucional que o réu (cuja identidade não foi revelada) fosse punido por ter seis vasos com a planta Cannabis sativa para uso pessoal, concordando com o argumento da defesa de que a plantação não atentava contra a "saúde pública".
Farah e Freiler entenderam, segundo a imprensa argentina, que este cultivo não é crime porque o homem não planejava comercializar o produto e atuava no "âmbito de sua privacidade".
E a governadora do nosso vizinho Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), está afundando na lama para não dizer outra coisa.
Muito mais emoções no FAM ontem. Antes da exibição do chatérrimo longa argentino La Peli, aconteceu uma homenagem à Ieda Beck, uma ativista do cinema catarinense e mãe dos meus queridos Deco, Inara e Fabíola.