quarta-feira, 11 de junho de 2008

Ieda Beck

Muito mais emoções no FAM ontem. Antes da exibição do chatérrimo longa argentino La Peli, aconteceu uma homenagem à Ieda Beck, uma ativista do cinema catarinense e mãe dos meus queridos Deco, Inara e Fabíola.

Ieda faleceu em março e deixou sua última obra, onde estreou na direção, o documentário Luiz Henrique - No Balanço do Mar, sobre o genial músico catarinense que fez carreira internacional.

Deco me avisou que a família está trabalhando para fazer o lançamento que Ieda queria: um um show no Mercado Público que conte com muitos músicos de Florianópolis, no dia do aniversário de Luiz Henrique e de nosso Estado, 25 de novembro.

O secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Gilmar Knassel estava lá também mas para assinar o lançamento do edital do Prêmio Cinemateca Catarinense deste ano, já que não deve ter conhecido Ieda pois citou o nome dela errado. O montante é de R$ 1,9 milhão para 17 projetos , R4300 mil a mais do que na edição passada onde foi distribuído R$ 1,6 milhão para 13 produções.

Melhor o governo investir em cinema do que em outdoors por toda Santa Catarina não é?

Update:

Não poderia deixar de citar aqui o amigo Fifo Lima que em seu blog fez uma tocante carta-homenagem à Ieda Beck. O Fifo estreou na blogosfera com o Cine Luz, cheio de boa informação e personalidade.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Em algum ponto perto de...



− Estamos fodidos, Ralph − posso ouvi-lo dizer. − Inventaram a ferramenta perfeita para o Novo Idiota. Agora eles podem florescer, numa verdadeira terra de burrice e ganância. Podem infestar o planeta com tudo o que há de babaca e nojento que você puder imaginar, e todos eles vão parecer gente sensata. Agora, qualquer bundão banal, mentiroso, pode virar presidente dos Estados Unidos e ficar numa boa. Tudo quanto é desmiolado cabeça oca vai poder derramar os seus pensamentos podres nesse novo mecanismo, entortá-lo um grau fora do prumo e depois reenviar como uma forma de sabedoria. Você acha que a gente já chegou à Terra dos Mortos-Vivos? Não,Ralph. Estamos só começando!


O ilustrador inglês Ralph Steadman, comparsa de Hunther Thompson por 35 anos em uma puta matéria na revista Piauí em que ele fala sobre o grande Gonzo. Aqui ele conta sobre os anos 80 quando Hunther conheceu o computador pessoal e vislumbrou o que seria a Internet.

Não dá para negar que junto com tantas coisas maravilhosas há uma escumalha nesse mundo virtual. Nada diferente da vida real não é?

Eu sou fã de tudo isso ou Tudo ao mesmo tempo agora

O amigo Dauro sabiamente escreveu sobre como o sábado no FAM foi um dia e tanto. Encontrei-o no começo da noite no Café Matisse junto com uma boa parte da alta cúpula da salinha do C.A .

Eu tinha ido às 14 h assistir o documentário Sistema de Animação, do Ledoux e do Alan Stone e tava fantástico. O filme feito na raça, sem edital algum, foi gestado por 5 anos e o cuidado da dupla rendeu um perfil espiritual de Lourival José Galliani, o "Toicinho" um músico genial de criatividade pura.

Pirei especialmente em duas cenas.

Numa, Toicinho dirige um Opalão com Alegre Corrêa na carona. O carro pifa e rola um momento engraçadíssimo. A fotografia embeleza ainda mais.

Em outra a luz é quase inexistente e da penumbra sai a voz grave do músico/inventor de engenhocas mil falando de uma personagem feminina que ele incorporou num longo jejum de namoradas. Brilhante.

Após a sessão Toicinho encontrou a atriz Júlia Lemmertz e como um fã de novelas disse à ela que ela deveria ter participado de Duas Caras. O sistema de animação nunca pára minha gente.

Verão que meus adjetivos não são exagerados e nem movidos por corporativismo algum. Aqui tem o trailer com cenas exclusivas que não estão no longa.



Depois dessa sessão inspiradora, um café com a rapaziada do Aplicação, o Zé Rafael - guia espiritual dos diretores de Sistema de Animação - Ive, do Cravo da Terra, e o Junão Gentil, que está com um programa na rádio comunitária Campeche 98.3 FM. Botamos o papo em dia. Cinema, música, os amigos distantes ( um deles, distante meeeeesmo, foi personagem de uma sincronicidade e tanto que renderá outro post).

Numa segunda sessão, vi o filme de outro amigão, o Ivaldo, que também dirigiu um documentário, sobre o artista plástico catarinense Luiz Henrique Schawnke. Ivi falou no seu blog que "... lá pra julho o filme de 17 minutos passa na TV Cultura e aviso a todos. Isso se antes não vasar no youtube".



Um cara lá no café Matisse definiu perfeitamente:" o FAM é uma enorme esquina e isso faz falta em Florianópolis". E tenho que bater palmas mesmo para a produção do festival que a cada ano melhora e cresce. O CIC, tristemente abandonado pelo Governo do Estado, está ficando pequeno para o FAM.

Uma boa novidade é que agora a cada noite uma banda se apresenta no hall do prédio. Ontem ouvi uma banda de metais, sopros e percussão de adolescentes e crianças de Videira. Detonaram nos standarts Asa Branca e Tico-Tico no Fubá e foram bastante aplaudidos. Deu gosto ver o sorriso de satisfação deles pela calorosa recepção.

E assim é uma semana de FAM. Intensa.

Perdoem o excesso de informação neste post, mas minha cabeça anda assim. Como disse um camarada, o Ulysses anda muito irado. Obrigado Tomate por me dar razão.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Batidão no choro

Tenho acompanhado o cara, citado aqui recentemente, e na última sexta passou uma matéria no Jornal da Globo mostrando o DJ Sany Pitbull. E olhem só, a pauta é a mistura brazuca que ele está fazendo junto com o grupo Tira Poeira: funk carioca e choro.

O saxofonista do Tira Poeira é o Samuca, ex-Iriê, florianopolitano radicado no Rio.

A versão de "O Morro não Tem Vez" ficou bem legal. Sou totalmente à favor dessas misturas.




E tou baixando um disco que devo comentar aqui breve que pode pirar o cabeção dos roqueiros mais tradicionais, daquele tipo que sempre fala no "bom e velho rock'n'roll" para justificar sua falta de curiosidade e preguiça mental.

sábado, 7 de junho de 2008

Frases


Ramos verdes não podem surgir
De sementes torradas,
Assim como qualidades perfeitas não vão brotar
Em corações sem fé.


Ratnakuta Sutra. Via Samsara.

A quem interessa a proibição?

"Não conheço ninguém da minha geração e classe social que nunca tenha tido experiência com drogas, mas paira na sociedade brasileira uma resistência hipócrita a discutir o assunto. Com freqüência temos que ouvir diatribes moralistas de "especialistas" como padres, que não sabem nada sobre o assunto: ouve-se, por exemplo, que "da maconha o viciado passa para as drogas mais pesadas", o que é o equivalente de se dizer que quem gosta de suco de abacaxi amanhã vai se apaixonar por suco de groselha. Os usuários não passam de uma droga a outra por um misterioso motivo químico ou bioquímico. Os usuários passam de uma droga a outra porque ambas vêm do mesmo traficante, que está em condições de dizer: hoje não tem do preto, leva do branco. Afinal de contas, o "branco" dá mais lucro, vicia mais, cria laços mais fortes com o tráfico que o "preto". Para quem não tem grana para o "branco", dá-lhe crack, essa droga horrorosa que é quase um caminho sem volta".


Idelber Avelar num post sobre a descriminalização das drogas no blog O Biscoito Fino e a Massa.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Clube da Luta Floripa no Sábado



Duas estreantes - uma de Blumenau e outra de Florianópolis - e uma banda que recém voltou de uma tour pela Europa. É o Clube da Luta Floripa que acontece, excepcionalmente num sábado desta vez. Será no dia 7 de junho na Célula e o bicho vai pegar com Projeto Macumba, Mirábilis , Tijuquera e o DJ Zé Pereira fazendo a abertura e costura fina no baile.

O quinteto Projeto Macumba vem à capital pela primeira vez para apresentar sua mistura de rock com ritmos brasileiros, tais como maracatu, baião, coco, ciranda e o samba. A banda existe há três anos e desenvolve projetos que, como o Clube da Luta, visam fomentar a música autoral
em Santa Catarina.

No dia 10 de julho organizam um evento do Clube da Luta em Blumenau, dando seqüência a programação de intercâmbio do Clube nas cidades catarinenses.

Já a Mirábilis ostenta um currículo que inclui dois CDs. O primeiro lançado em 2003, com produção de Luís Paulo Serafim, que já trabalhou com Roberto Carlos, Rita Lee, Lulu Santos, Skank, entre outros. O segundo CD, intitulado 'Mil Palavras' foi lançado em 2007, na capital paulista e tem distribuição da Azul Music

Quem chegar antes das 23 h paga meia. Bora lá.

Discoteca Básica - Jorge Ben - A Tábua de Esmeralda (1974)

Este álbum rivaliza com o África Brasil o título de melhor disco de Jorge Ben. Cheio de clássicos como Os Alquimistas estão Chegando, O Homem da Gravata Florida e O Namorado da Viúva.

Em Tábua de Esmeralda, Jorge manda brasa e castiga o violão e a garganta num clima espontâneo de festa no estúdio, com seu canto chorado e suíngue malandro de samba 4/4. O mestre do samba-rock-afro-soul faz balançar com levadas tortas e letras que misturam ocultismo e textos alquímicos com celebrações. Discaço.

Nego véio



Primeira parte de uma entrevista com o guitarreiro Luis Vagner Dutra Lopes,um dos pais do samba-rock e compositor de inúmeros sucessos gravados por Demetrius, Ronnie Von, Wilson Simonal, Bedeu, Wando, Bebeto, Vanusa, Jorge Ben e inúmeros outros. O cara é uma máquina de compor.

Luís Vagner canta paca e suinga maravilhosamente no violão de nylon bluesy. O entrevistador é o jornalista Toninho Spessoto.

E de brinde:

Otimismo ativo

Grande notícia que li no Biscoito. Aqui o primeiro trecho:


Filosofia e sociologia de volta como matérias obrigatórias no ensino médio

"Se a filosofia e a sociologia não tivessem sido abolidas do currículo médio pela ditadura militar em 1971, a discussão sobre a educação no Brasil hoje com certeza estaria se dando em bases um pouco mais sofisticadas, sem a tediosa repetição de clichês e o previsível ping-pong entre focalismo e universalismo. Por isso, é excelente a notícia da volta da obrigatoriedade das duas disciplinas no ensino médio. Trata-se, finalmente, da restauração de parte do que foi destruído pela reforma educacional da ditadura, que começa com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Superior, a 5.540/68 – marco na tecnificação da universidade brasileira – e se confirma com a 5.692/71, que joga para escanteio a filosofia e a sociologia e instala as famigeradas Educação Moral e Cívica e OSPB. Não custa lembrar que em 2001 o Congresso Nacional já havia aprovado a restauração das duas disciplinas, mas Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo, vetou.

Depois de uma busca bem exaustiva, não consegui achar um único profissional ligado à educação que fosse contrário à medida. Talvez algum contra-exemplo exista, mas é notável a quase unanimidade do apoio à lei entre quem trabalha com o ensino. Como sempre acontece quando qualquer reforma de ensino é proposta, um argumento se repete: o ensino médio brasileiro é muito ruim e acrescentar duas disciplinas não adianta. É uma variação do pseudo-raciocínio que preconiza que não adianta mudar nada até que se mude tudo: pensamento típico de uma geração que não estudou filosofia e que, portanto, não adquiriu instrumentos para formular a relação entre a parte e o todo, entre a singularidade e a totalidade. Ficamos engessados na paralisia ante o ruim de tudo. Qualquer ação localizada é imediatamente bombardeada com o pseudo-argumento de que o todo continuará o mesmo... "


Leia mais.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

"The Souuuuuuuuuuuuuuuuuuuul Train"




I Love Music dos O'Jays embala os participantes do Soul Train, programa de TV norte americano que foi ao ar de 1970 até 2006 e continua sendo reprisado.

All aboard!

Vinil


"Eu vou falar uma coisa muito temerária, mas acho que as pessoas vão se fartar de ouvir mp3. Na verdade não se ouve mp3, eu vejo a maioria das pessoas ouvindo I-pod nos aviões, andado pela rua, falando com outras pessoas sem tirar o fone do ouvido. Isso não é ouvir música, isso é um fundo musical. Não tem o ato ritualístico de ouvir música. É como a válvula. Em 89, em Los Angeles, quando eu tava lá, eu queria um amplificador à válvula e tinham que pegar a válvula no estoque, porque não se fabricava mais. Hoje é impossível conceber um amplificador que não seja à válvula. Eu acho que vai voltar o vinil, porque os audiófilos não tão a fim de mp3. A virada vai ser a coisa inversa, o álbum vai virar um artigo de luxo, vai ser muito caro e neguinho vai comprar. As pessoas vão verificar que a única maneira de combater a pirataria é transformar o disco em vinil, que não é possível piratear".


Lobão em entrevista na Outracoisa.

Via Rock em Geral.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Frases


"Não sou político, sou simplesmente um artista. Mas a questão é definir a arte como um passatempo fora do contexto da vida diária dos homens, ou como um meio para preservar o significado original da existência humana. A política não é tarefa dos artistas, mas, na minha opinião, temos a obrigação de tomar uma clara posição, qualquer que seja o sacrifício que isso acarrete, se a dignidade do homem estiver em jogo."


Pablo Casals (1876-1973), regente e violoncelista catalão que lutou na Guerra Civil Espanhola do lado certo.

Via Diário Gauche.

Valei-me São Jorge




Vanni Cuoghi via Otomano.

Petardo



Wild Animals , novo álbum do The Pinker Tones um duo de Barcelona do qual já falei aqui antes.

Neste novo álbum os Pinker Tones privilegiaram o inglês mas a mistura no som ainda equilibra muito bem o eletro, a bossa nova, a música espanhola, o funk, o rock e muitos outros ritmos chacoalhantes.

Para os ufanistas tem até uma cuíca malandra na faixa Biorganised.

Volta e meia eles pousam em Buenos Aires para tocar. Bem que alguma dessas casas que anunciam sempre o "melhor DJ da última semana" pelas revistas tal, podiam abrir os olhos e ouvidos e trazer os caras para Santa Catarina. É biscoito fino recheado de puro groove.

Clipe de Happy Everywhere

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Tou lá

Rapeize ligada nas artes audiovisuais e que gosta de bom cinema, fiquem atentos que do dia 6 ao dia 13 de junho acontece em Floripa o FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul, festival que traz, gratuitamente, uma semana recheada de ótima programação cinéfila.

Para maiores informações dêem uma olhada no blog e no site.

Recebi do amigo Marcos Stroisch o trailer de seu curta Desilusão que será exibido no festival na terça, 10 de junho, às 19:30 h. Coisa boa ver/ouvir nosso sotaque na telona.

Olha só quem é que tá no filme. O Gringo Starr, controverso ex-agitador do róque florianopolitano que agora empresta seu talento à sétima arte.

Glub glub





Imagens surreais sob a água cristalina de Silver Springs na Flórida pelo fotógrafo Bruce Mozert em 1938. Via Smithsonian Mag.

Love is All We Need


Só o amor constrói! E eu não acredito nesse lance de rixa o que existe é uma cambada de babaca pelo mundo que quer de alguma forma se afirmar em cima do vizinho. E a mídia ainda instiga isso!


Gustavo Benjão, guitarrista da banda Do Amor em entrevista para o Urbanaque.