Muito mais emoções no FAM ontem. Antes da exibição do chatérrimo longa argentino La Peli, aconteceu uma homenagem à Ieda Beck, uma ativista do cinema catarinense e mãe dos meus queridos Deco, Inara e Fabíola.
Ieda faleceu em março e deixou sua última obra, onde estreou na direção, o documentário Luiz Henrique - No Balanço do Mar, sobre o genial músico catarinense que fez carreira internacional.
Deco me avisou que a família está trabalhando para fazer o lançamento que Ieda queria: um um show no Mercado Público que conte com muitos músicos de Florianópolis, no dia do aniversário de Luiz Henrique e de nosso Estado, 25 de novembro.
O secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Gilmar Knassel estava lá também mas para assinar o lançamento do edital do Prêmio Cinemateca Catarinense deste ano, já que não deve ter conhecido Ieda pois citou o nome dela errado. O montante é de R$ 1,9 milhão para 17 projetos , R4300 mil a mais do que na edição passada onde foi distribuído R$ 1,6 milhão para 13 produções.
Melhor o governo investir em cinema do que em outdoors por toda Santa Catarina não é?
Update:
Não poderia deixar de citar aqui o amigo Fifo Lima que em seu blog fez uma tocante carta-homenagem à Ieda Beck. O Fifo estreou na blogosfera com o Cine Luz, cheio de boa informação e personalidade.
− Estamos fodidos, Ralph − posso ouvi-lo dizer. − Inventaram a ferramenta perfeita para o Novo Idiota. Agora eles podem florescer, numa verdadeira terra de burrice e ganância. Podem infestar o planeta com tudo o que há de babaca e nojento que você puder imaginar, e todos eles vão parecer gente sensata. Agora, qualquer bundão banal, mentiroso, pode virar presidente dos Estados Unidos e ficar numa boa. Tudo quanto é desmiolado cabeça oca vai poder derramar os seus pensamentos podres nesse novo mecanismo, entortá-lo um grau fora do prumo e depois reenviar como uma forma de sabedoria. Você acha que a gente já chegou à Terra dos Mortos-Vivos? Não,Ralph. Estamos só começando!
O ilustrador inglês Ralph Steadman, comparsa de Hunther Thompson por 35 anos em uma puta matéria na revista Piauí em que ele fala sobre o grande Gonzo. Aqui ele conta sobre os anos 80 quando Hunther conheceu o computador pessoal e vislumbrou o que seria a Internet.
Não dá para negar que junto com tantas coisas maravilhosas há uma escumalha nesse mundo virtual. Nada diferente da vida real não é?
O amigo Dauro sabiamente escreveu sobre como o sábado no FAM foi um dia e tanto. Encontrei-o no começo da noite no Café Matisse junto com uma boa parte da alta cúpula da salinha do C.A .
Eu tinha ido às 14 h assistir o documentário Sistema de Animação, do Ledoux e do Alan Stone e tava fantástico. O filme feito na raça, sem edital algum, foi gestado por 5 anos e o cuidado da dupla rendeu um perfil espiritual de Lourival José Galliani, o "Toicinho" um músico genial de criatividade pura.
Pirei especialmente em duas cenas.
Numa, Toicinho dirige um Opalão com Alegre Corrêa na carona. O carro pifa e rola um momento engraçadíssimo. A fotografia embeleza ainda mais.
Em outra a luz é quase inexistente e da penumbra sai a voz grave do músico/inventor de engenhocas mil falando de uma personagem feminina que ele incorporou num longo jejum de namoradas. Brilhante.
Após a sessão Toicinho encontrou a atriz Júlia Lemmertz e como um fã de novelas disse à ela que ela deveria ter participado de Duas Caras. O sistema de animação nunca pára minha gente.
Verão que meus adjetivos não são exagerados e nem movidos por corporativismo algum. Aqui tem o trailer com cenas exclusivas que não estão no longa.
Depois dessa sessão inspiradora, um café com a rapaziada do Aplicação, o Zé Rafael - guia espiritual dos diretores de Sistema de Animação - Ive, do Cravo da Terra, e o Junão Gentil, que está com um programa na rádio comunitária Campeche 98.3 FM. Botamos o papo em dia. Cinema, música, os amigos distantes ( um deles, distante meeeeesmo, foi personagem de uma sincronicidade e tanto que renderá outro post).
Numa segunda sessão, vi o filme de outro amigão, o Ivaldo, que também dirigiu um documentário, sobre o artista plástico catarinense Luiz Henrique Schawnke. Ivi falou no seu blog que "... lá pra julho o filme de 17 minutos passa na TV Cultura e aviso a todos. Isso se antes não vasar no youtube".
Um cara lá no café Matisse definiu perfeitamente:" o FAM é uma enorme esquina e isso faz falta em Florianópolis". E tenho que bater palmas mesmo para a produção do festival que a cada ano melhora e cresce. O CIC, tristemente abandonado pelo Governo do Estado, está ficando pequeno para o FAM.
Uma boa novidade é que agora a cada noite uma banda se apresenta no hall do prédio. Ontem ouvi uma banda de metais, sopros e percussão de adolescentes e crianças de Videira. Detonaram nos standarts Asa Branca e Tico-Tico no Fubá e foram bastante aplaudidos. Deu gosto ver o sorriso de satisfação deles pela calorosa recepção.
E assim é uma semana de FAM. Intensa.
Perdoem o excesso de informação neste post, mas minha cabeça anda assim. Como disse um camarada, o Ulysses anda muito irado. Obrigado Tomate por me dar razão.
Tenho acompanhado o cara, citado aqui recentemente, e na última sexta passou uma matéria no Jornal da Globo mostrando o DJ Sany Pitbull. E olhem só, a pauta é a mistura brazuca que ele está fazendo junto com o grupo Tira Poeira: funk carioca e choro.
O saxofonista do Tira Poeira é o Samuca, ex-Iriê, florianopolitano radicado no Rio.
A versão de "O Morro não Tem Vez" ficou bem legal. Sou totalmente à favor dessas misturas.
E tou baixando um disco que devo comentar aqui breve que pode pirar o cabeção dos roqueiros mais tradicionais, daquele tipo que sempre fala no "bom e velho rock'n'roll" para justificar sua falta de curiosidade e preguiça mental.
"Não conheço ninguém da minha geração e classe social que nunca tenha tido experiência com drogas, mas paira na sociedade brasileira uma resistência hipócrita a discutir o assunto. Com freqüência temos que ouvir diatribes moralistas de "especialistas" como padres, que não sabem nada sobre o assunto: ouve-se, por exemplo, que "da maconha o viciado passa para as drogas mais pesadas", o que é o equivalente de se dizer que quem gosta de suco de abacaxi amanhã vai se apaixonar por suco de groselha. Os usuários não passam de uma droga a outra por um misterioso motivo químico ou bioquímico. Os usuários passam de uma droga a outra porque ambas vêm do mesmo traficante, que está em condições de dizer: hoje não tem do preto, leva do branco. Afinal de contas, o "branco" dá mais lucro, vicia mais, cria laços mais fortes com o tráfico que o "preto". Para quem não tem grana para o "branco", dá-lhe crack, essa droga horrorosa que é quase um caminho sem volta".
Duas estreantes - uma de Blumenau e outra de Florianópolis - e uma banda que recém voltou de uma tour pela Europa. É o Clube da Luta Floripa que acontece, excepcionalmente num sábado desta vez. Será no dia 7 de junho na Célula e o bicho vai pegar com Projeto Macumba, Mirábilis , Tijuquera e o DJ Zé Pereira fazendo a abertura e costura fina no baile.
O quinteto Projeto Macumba vem à capital pela primeira vez para apresentar sua mistura de rock com ritmos brasileiros, tais como maracatu, baião, coco, ciranda e o samba. A banda existe há três anos e desenvolve projetos que, como o Clube da Luta, visam fomentar a música autoral em Santa Catarina.
No dia 10 de julho organizam um evento do Clube da Luta em Blumenau, dando seqüência a programação de intercâmbio do Clube nas cidades catarinenses.
Já a Mirábilis ostenta um currículo que inclui dois CDs. O primeiro lançado em 2003, com produção de Luís Paulo Serafim, que já trabalhou com Roberto Carlos, Rita Lee, Lulu Santos, Skank, entre outros. O segundo CD, intitulado 'Mil Palavras' foi lançado em 2007, na capital paulista e tem distribuição da Azul Music
Este álbum rivaliza com o África Brasil o título de melhor disco de Jorge Ben. Cheio de clássicos como Os Alquimistas estão Chegando, O Homem da Gravata Florida e O Namorado da Viúva.
Em Tábua de Esmeralda, Jorge manda brasa e castiga o violão e a garganta num clima espontâneo de festa no estúdio, com seu canto chorado e suíngue malandro de samba 4/4. O mestre do samba-rock-afro-soul faz balançar com levadas tortas e letras que misturam ocultismo e textos alquímicos com celebrações. Discaço.
Primeira parte de uma entrevista com o guitarreiro Luis Vagner Dutra Lopes,um dos pais do samba-rock e compositor de inúmeros sucessos gravados por Demetrius, Ronnie Von, Wilson Simonal, Bedeu, Wando, Bebeto, Vanusa, Jorge Ben e inúmeros outros. O cara é uma máquina de compor.
Luís Vagner canta paca e suinga maravilhosamente no violão de nylon bluesy. O entrevistador é o jornalista Toninho Spessoto.
Grande notícia que li no Biscoito. Aqui o primeiro trecho:
Filosofia e sociologia de volta como matérias obrigatórias no ensino médio
"Se a filosofia e a sociologia não tivessem sido abolidas do currículo médio pela ditadura militar em 1971, a discussão sobre a educação no Brasil hoje com certeza estaria se dando em bases um pouco mais sofisticadas, sem a tediosa repetição de clichês e o previsível ping-pong entre focalismo e universalismo. Por isso, é excelente a notícia da volta da obrigatoriedade das duas disciplinas no ensino médio. Trata-se, finalmente, da restauração de parte do que foi destruído pela reforma educacional da ditadura, que começa com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Superior, a 5.540/68 – marco na tecnificação da universidade brasileira – e se confirma com a 5.692/71, que joga para escanteio a filosofia e a sociologia e instala as famigeradas Educação Moral e Cívica e OSPB. Não custa lembrar que em 2001 o Congresso Nacional já havia aprovado a restauração das duas disciplinas, mas Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo, vetou.
Depois de uma busca bem exaustiva, não consegui achar um único profissional ligado à educação que fosse contrário à medida. Talvez algum contra-exemplo exista, mas é notável a quase unanimidade do apoio à lei entre quem trabalha com o ensino. Como sempre acontece quando qualquer reforma de ensino é proposta, um argumento se repete: o ensino médio brasileiro é muito ruim e acrescentar duas disciplinas não adianta. É uma variação do pseudo-raciocínio que preconiza que não adianta mudar nada até que se mude tudo: pensamento típico de uma geração que não estudou filosofia e que, portanto, não adquiriu instrumentos para formular a relação entre a parte e o todo, entre a singularidade e a totalidade. Ficamos engessados na paralisia ante o ruim de tudo. Qualquer ação localizada é imediatamente bombardeada com o pseudo-argumento de que o todo continuará o mesmo... "
I Love Music dos O'Jays embala os participantes do Soul Train, programa de TV norte americano que foi ao ar de 1970 até 2006 e continua sendo reprisado.
"Eu vou falar uma coisa muito temerária, mas acho que as pessoas vão se fartar de ouvir mp3. Na verdade não se ouve mp3, eu vejo a maioria das pessoas ouvindo I-pod nos aviões, andado pela rua, falando com outras pessoas sem tirar o fone do ouvido. Isso não é ouvir música, isso é um fundo musical. Não tem o ato ritualístico de ouvir música. É como a válvula. Em 89, em Los Angeles, quando eu tava lá, eu queria um amplificador à válvula e tinham que pegar a válvula no estoque, porque não se fabricava mais. Hoje é impossível conceber um amplificador que não seja à válvula. Eu acho que vai voltar o vinil, porque os audiófilos não tão a fim de mp3. A virada vai ser a coisa inversa, o álbum vai virar um artigo de luxo, vai ser muito caro e neguinho vai comprar. As pessoas vão verificar que a única maneira de combater a pirataria é transformar o disco em vinil, que não é possível piratear".
"Não sou político, sou simplesmente um artista. Mas a questão é definir a arte como um passatempo fora do contexto da vida diária dos homens, ou como um meio para preservar o significado original da existência humana. A política não é tarefa dos artistas, mas, na minha opinião, temos a obrigação de tomar uma clara posição, qualquer que seja o sacrifício que isso acarrete, se a dignidade do homem estiver em jogo."
Pablo Casals (1876-1973), regente e violoncelista catalão que lutou na Guerra Civil Espanhola do lado certo.
Neste novo álbum os Pinker Tones privilegiaram o inglês mas a mistura no som ainda equilibra muito bem o eletro, a bossa nova, a música espanhola, o funk, o rock e muitos outros ritmos chacoalhantes.
Para os ufanistas tem até uma cuíca malandra na faixa Biorganised.
Volta e meia eles pousam em Buenos Aires para tocar. Bem que alguma dessas casas que anunciam sempre o "melhor DJ da última semana" pelas revistas tal, podiam abrir os olhos e ouvidos e trazer os caras para Santa Catarina. É biscoito fino recheado de puro groove.
Rapeize ligada nas artes audiovisuais e que gosta de bom cinema, fiquem atentos que do dia 6 ao dia 13 de junho acontece em Floripa o FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul, festival que traz, gratuitamente, uma semana recheada de ótima programação cinéfila.
Para maiores informações dêem uma olhada no blog e no site.
Recebi do amigo Marcos Stroisch o trailer de seu curta Desilusão que será exibido no festival na terça, 10 de junho, às 19:30 h. Coisa boa ver/ouvir nosso sotaque na telona.
Olha só quem é que tá no filme. O Gringo Starr, controverso ex-agitador do róque florianopolitano que agora empresta seu talento à sétima arte.
Só o amor constrói! E eu não acredito nesse lance de rixa o que existe é uma cambada de babaca pelo mundo que quer de alguma forma se afirmar em cima do vizinho. E a mídia ainda instiga isso!
Gustavo Benjão, guitarrista da banda Do Amor em entrevista para o Urbanaque.