
A Via Láctea numa imagem deste site da NASA que publica uma foto nova por dia.








O Buda descreveu o que chamamos de "eu" como um conjunto de elementos agregados de mente e corpo, que funcionam de maneira interdependente, criando a aparência de mulher ou homem. Nós, então, nos identificamos com essa imagem ou aparência, fazendo dela "eu" ou "meu", imaginando que ela tem alguma auto-existência inerente.
Por exemplo, acordamos de manhã, olhamos no espelho, reconhecemos um reflexo e pensamos "OK, sou eu de novo". Então, adicionamos todo tipo de conceito a essa sensação de "eu": sou mulher ou homem, tenho tantos anos, sou uma pessoa feliz ou infeliz, e a lista continua.
Quando examinamos nossa vivência, contudo, vemos que não há nenhum ser central a quem ela se refere. Em vez disso, são simplesmente fenômenos vazios se desenrolando. Vazios no sentido de que não há ninguém particular por trás dos fenômenos surgindo e mudando.
Um arco-íris é um bom exemplo disso. Vamos para fora após uma tempestade e sentimos aquele momento de deleite quando surge um arco-íris no céu. Na maioria das vezes, simplesmente curtimos a visão sem investigar a natureza do que está acontecendo. Mas quando olhamos mais profundamente, se torna claro que não há nenhuma coisa chamada "arco-íris", separada das condições particulares do ar, umidade e luz.
Cada um de nós é como esse arco-íris: uma aparência, uma aparição mágica, surgindo de nossos vários elementos de mente e corpo.
Joseph Goldstein
Hoje à tarde encontrei esta bela residência em um dos poucos terrenos livres aqui no Kobrasol. Enquanto prédios altos nascem da noite para o dia, este cavalheiro parece ter resolvido seu problema de moradia com uma solução simples e ecológica. Eu havia passado pelo local um pouco mais cedo e fiquei encantado pela arquitetura da edificação. Cheguei a pensar que era uma obra de arte, uma instalação dessas milionárias que costumamos ver nas bienais. Voltei lá hoje à tarde e falei com o proprietário, o cavalheiro de costas, que preferiu não mostrar seu rosto na foto. Pedi a ele para documentar sua obra e ele permitiu sem contestar. Ainda me deu a honra de uma rápida entrevista:
Bruxismo: Ótima a sua casa, hein?
Proprietário: Sim, sim.
B: É inacreditável a quantidade de materiais de qualidade que as pessoas jogam fora. E não chove dentro dela?
P: Não. Coloquei plástico em cima.
B: Ninguém te incomodou aqui até agora?
P: Não.
Minha última pergunta dizia respeito aos curiosos, como eu, que irremediavelmente iriam incomodá-lo em relação à arquitetura de sua obra, nada mais. Afinal o terreno estava livre, sem uso e já entulhado com a matéria-prima que ele utilizou. Nada mais justo do que montar seu belo mosaico. Nem todo mundo está preparado para soluções tão imediatas assim e provavelmente ele deve estar se esquivando dos impostos e outras prisões do sistema. Mas ele não deve dar muita importância para essas coisas, como percebi em sua resposta para a última pergunta.


