quarta-feira, 28 de março de 2007

No Brasil não existe racismo...


...já diria Ali Kamel. Esse quadrinho do Reinaldo, aquele que hoje participa do chatérrimo Casseta & Planeta, foi publicado no suplemento Jam, que fazia parte da fantástica Chiclete com Banana. Muitos anos antes daquela banda "emporcalhar" o nome como diria o Angeli, o cartunista lançou uma revista que reunia gente como ele, Laerte, Glauco, Fábio Zimbres e outros ótimos artistas. Chiclete com Banana foi um sucesso editorial embalado pelo Plano Cruzado do Sarney. Com um dinheirinho sobrando no bolso a classe média foi às bancas. As tiragens ultrapassavam os 100 mil exemplares. Imagine, isso com um conteúdo pra lá de anárquico. Foi lá que ouvi falar pela primeira vez nos beatniks. Eram quadrinhos da maior qualidade, sexo, drogas e rock'n'roll, política, humor ácido e tudo mais que a Esquerda Festiva gosta. Lembrando que clicando na imagem ela é ampliada



terça-feira, 27 de março de 2007

A Taça é nossa!




Não sou o primeiro a vir com as últimas mas não posso deixar de registrar que Samambaia Sound Club venceu o concurso Paredão Telecom de bandas de rock, no último fim de semana em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. É a força da música catarinense que vive um momento efervescente. Parabéns Samambaios!

Meritocracia

Saiu hoje na coluna da Juliana Wosgraus no DC:

Convite

Márcia Mell recebeu convite para fazer uma participação especial como atriz na peça E Agora o que eu faço com o pernil?, comédia que depois deste final de semana em Floripa, estará em cartaz em Joinville e Blumenau. Mas nestas cidades ainda sem data definida.

De qualquer maneira o convite, feito pelos atores Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça, devido à sua participação no musical Cleópatra, já está aceito.


Pra quem não sabe a fofucha é filha do governador Luiz Henrique da Silveira e tem tanto talento quanto um pé de alface. Na posse de papai errou a letra e desafinou dolorosamente ao cantar o Hino Nacional.

A Rosamaria Murtinho e o Mauro Mendonça devem estar querendo é ganhar uns 500 mil reais da Fundação Catarinense de Cultura(?) assim como a Vera Fischer ganhou no ano passado para uma turnê fracassada.

domingo, 25 de março de 2007

No meu, no seu, no nosso



Reportagem de Carta Capital desta semana mostra que o Banco Central faz reuniões secretas com executivos de grandes bancos. Como informa a revista ," as ligações estreitas entre o BC e o mercado, no Brasil, não têm paralelo no mundo. Nos Estados Unidos, reino do capitalismo financeiro, o presidente e os governadores do Federal Reserve (Fed) estão submetidos a duras regras. Além de um código de conduta rigoroso, explicitado nos sites de todas as regionais do Fed, duas vezes por ano, o presidente da autoridade monetária (Ben Bernanke) é obrigado por lei a dirigir-se ao Congresso para explicar os objetivos e os resultados da política monetária, com ênfase nos efeitos sobre o crescimento e o desemprego."


Leia mais aqui.

Confronto

Briga das boas rolando. Luiz Carlos Azenha, repórter da TV Globo e blogueiro no G1, versus Reinaldo Azevedo, boca-de-aluguel daquela revistinha que editorializa até resenha de música clássica. O Azenha é um jornalista de fina estirpe, um cara que vai pra rua, investiga, é atuante e além de ter um blog bom paca, criou o Sivuca, um portal que reúne outros bons blogs. Já o Reinaldo Azevedo é aquele que afundou a revista Primeira Leitura, que era digamos o Pravda do PSDB paulista. Um cara que vive no ar-condicionado, atrás de vidros fumê, dentro das cercas de condomínio.Ah e ele tem um blog no site daquele almanaque dos quatrocentões, de onde dispara seus ataques verbais.

Como se tratam de dois caras muito inteligentes, é certo que nenhum deles ganhará a discussão, mas os métodos, argumentos e principalmente motivos fazem toda a diferença né não?

Daza




A mais famosa banda de rock de Santa Catarina, a Dazaranha, vai realizar, nos dias 4 e 5 de abril, os shows de lançamento de seu álbum Paralisa no Teatro do CIC. Quem informou a Esquerda Festiva foi o vocalista e compositor Gazu, que encontrei na quinta à noite no estúdio Lemory. Para a produção do álbum da banda foi escolhido dessa vez Ricardo Vidal, que trabalha com o Rappa e tem um estúdio em Balneário Camboriú. A presença do produtor se nota em vários detalhes eletrônicos e na enxutez dos arranjos. Estou ouvindo e curtindo o disco que tem muitas músicas como já é de praxe na banda. Dessa vez são 16 faixas das quais destaco Jeffrey's Bay, música antiga que a banda toca desde os primórdios de sua história, O Samba e o funk Durma Bem, cantado pelo guitarrista Chico e que tem a participação da filhinha dele na introdução. Estaremos lá.

Dá-lhe banho de sal grosso



Floripa zicou o Gilberto Gil com a Imigração Norte-Americana. O músico e Ministro da Cultura foi detido pelas autoridades da imigração dos EUA. Licenciado do Ministério e viajando em turnê musical, Gil foi interrogado em sala particular, no último dia 13, chegando ao aeroporto Fort Worth, em Dallas. O problema da imigração dos Estados Unidos com Gilberto Gil o acompanha desde que ele foi preso com maconha em Florianópolis, há 31 anos atrás, informou a assessoria do ministro/artista. O episódio foi registrado no documentário cinematográfico Os Doces Bárbaros de Jon Tob Azulay. E os camaradas da Esquerda Festiva, os atuantes jornalistas Fábio "Mutley" Bianchini e Marcos Espíndola, do Diário Catarinense, escreveram uma bela e extensa matéria relembrando o caso. Foi publicada na revista BIZZ no ano passado.

Dizem que Gal e Bethânia nunca mais fizeram shows na Capital Catarinense em represália. Mas no mês que vem a birra parece que vai acabar. Está sendo anunciada a inauguração de uma casa de shows com uma apresentação de Gal.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Réquiem para um Soulman





No último dia 15 de março completaram-se 9 anos(!) da passagem de Sebastião Rodrigues Maia desta para melhor. Mais conhecido como Tim Maia, o emblemático soulman brasileiro está sendo biografado pelo jornalista Nélson Motta.

Pois visitando o blog do músico e escritor Henrique Bartsch, autor de Rita Lee Mora ao Lado, li um post em que ele publica um trecho da história do Tim, enviado pelo próprio Nélson. Saboreie. É um post grande mas vale a pena. No fim do arco-íris tem um pote de ouro.


Tim Maia Disco Club, 1978, 123 quilos

Em janeiro de 1978, Tim partiu para São Paulo para fazer uma apresentação no programa do Chacrinha, na TV Tupi. Para aproveitar as passagens e a hospedagem por uma noite no Hotel San Raphael, avisou à banda que ficariam mais dois dias em São Paulo, para gravar o disco no Estúdio Gazeta, “o melhor do Brasil “. Já estava tudo acertado, ele tinha telefonado do Rio marcando os horários, gravariam o disco todo de uma enfiada, em dois dias, todos juntos, como se fosse ao vivo, a banda estava preparada.

E assim foi, ou quase. Em dois dias, todos juntos no estúdio, com painéis separando os instrumentos para evitar vazamentos de som, gravaram as onze bases e algumas vozes de Tim, mas não deu para terminar tudo e mixar, como ele queria. O horário terminara, outros músicos esperavam ansiosos para entrar. E pior, Tim pagara o estúdio em dinheiro, antes de começar a gravar, estava zerado.

Réu confesso de ter faltado a diversos shows, muitas vezes Tim foi vítima de empresários e produtores trambiqueiros, que se aproveitavam de sua má fama para tentar explorá-lo. Para se proteger deles, criou uma senha de retirada, caso o contratante não aparecesse com 50% do levado em dinheiro vivo antes do show. Bastava gritar ou sussurar “estratégia“ que o pessoal nem tirava os instrumentos das caixas e começava a andar acelerado para o ônibus.

Assim que voltou ao hotel San Raphael, não deu outra:

Estratégia!

Aí, rapaziada, é o seguinte: embala tudo que a gente “vai fazer um show“, Tim deu a senha para a retirada.

Foi o que ele disse na recepção enquanto os músicos faziam uma confusão proposital na saída para esconder as sacolas de roupas misturadas com as caixas de instrumentos. Deixou a chave do carro alugado na recepção, pago com um cheque sem fundos, e partiu.

Como era tarde e precisavam dormir em São Paulo, Tim seguiu a sugestão de um motorista e foi com a banda em dois táxis para um muquifo numa zona distante e perigosa, mas a salvo dos cobradores do San Raphael. Sob protestos, os músicos passaram a noite amontoados em dois quartos do puteiro infecto.

De manhã, novo problema, alguns músicos ameaçaram se amotinar quando Tim disse que não voltaria para o Rio de avião e queria que pelo menos parte da banda o acompanhasse na viagem de volta no seu carro novo.

Que carro novo, Tim?

Na esquina do hotel, uma agência vagabunda de carros usados exibia um Ford Galaxy reluzente, em estado de novo, pouquíssimo rodado, de um único dono, a preço de promoção. Tim adorou o carro, era grande e confortável como ele gostava; o vendedor ficou encantado em conhecer o Tim Maia, ganhou uma capa de disco autografada e 50% do pagamento com a mesma assinatura em um cheque voador.

Na estrada desde as 10 da manhã, com Tim dirigindo a 60 km por hora, os músicos dormiam amassados no carrão, quando desabou um temporal e o Galaxy enguiçou numa serra nas proximidades de Resende. Entre conseguir uma carona, encontrar um mecânico e o carro voltar a rodar, passaram-se mais de cinco horas, só conseguiram chegar em casa às duas da manhã, com Tim praguejando contra a agência de automóveis que lhe “vendera“ uma bomba.

O rei do soul não considerava a discoteca música de branco, das cocotinhas da Zona Sul; para ele, ela não era oposta mas complementar ao soul negro da galera da Zona Norte, Tim se sentia muito à vontade ao lado de Kool and the Gang e do Chic:

Faço música de preto. E os pretos precisam se convencer que chegaram ao mundo dos brancos acidentalmente, em navios negreiros. Olha só isso que chamam de movimento Black Rio: os negros não passam de xerox dos americanos que, por sua vez, imitam aos brancos. Não sacam que o negócio é voltar para a África.

Gravado em 1978, o Tim Maia Disco Club seria um dos melhores discos de sua vida e marcaria sua entrada triunfal na onda da disco music e o início de sua colaboração com o tecladista e arranjador Lincoln Olivetti, um dos mais talentosos estilistas do Brasil, com quem faria muitas das melhores gravações de sua carreira.

A seleção carioca do soul entrou em campo com sua força máxima, com Paulinho Braga na bateria, Jamil Joanes no baixo, Robson Jorge no piano, Piau na guitarra, Chacal na percussão, Serginho Trombone, Paulinho Trumpete e (sax) no naipe de metais, sob a batuta, o Fender Rhodes e o Clavinet de Lincoln Olivetti.

No estúdio Level, em Botafogo, o guitarrista Renato Piau viveu momentos de grande emoção e suspense, durante a gravação da sua Pais e filhos, feita em parceria com Arnaud Rodrigues. Com a base gravada, Tim chamou o maestro argentino Miguel Cidras para escrever o arranjo de cordas, segundo as suas orientações. Quando o maestro abaixou a mão e os violinos tocaram, Tim não gostou do que ouviu, não era nada daquilo que esperava. Em certas partes as cordas faziam a mesma melodia que ele cantava, se confundiam com sua voz, quando deveriam ser em contra-canto.

Quando a gravação das cordas terminou, o produtor Guti Carvalho, pelo microfone da técnica, chamou o maestro para vir ouvir o resultado. Tim soltou os cachorros:

Pô, Guti, já te falei prá não chamar esse cara, mermão. Ele faz esses arranjos quatro-quatro-meia e assim não dá pra cantar.

Guti esquecera o microfone aberto e não só o maestro como toda a orquestra ouviram a esculhambação em alto volume. Miguel era um lourão corpulento, sanguíneo e cabeludo e, botando fogo pelas ventas, invadiu a técnica berrando em portunhol:

Hijo de uma puta! Yo te fuedo Tín Maia !

Não era para menos, quatro-quatro-meia, na língua de Tim, era o que nem chegava a cinco, era menos do que mais ou menos.

Miguel agarrou Tim numa gravata e derrubou como um touro de rodeio, enquanto Guti e Piau tentavam desapartar. O gringo estava furioso e Tim, de língua de fora, sufocava, esperneava e gritava tira esse cara daqui!

A muito custo o cara foi tirado dali e a gravação foi encerrada. Foram todos para uma salinha que André Midani havia cedido na casa da Warner, para ser o escritório de produção durante a gravação do disco. Um garrastazu oficial.

O clima estava pesado, mas foi logo aliviado com a visita do amigo Maurício do Valle, o querido Maurição, um grande ator baiano que se celebrizara como o Antonio das Mortes de Glauber Rocha e que também gostava de dar seus tirinhos fora da caatinga e das telas. Maurição foi recebido como um mensageiro da alegria, apresentou um gordo papelote de pó de primeira e a festa começou. Mais à vontade, Tim decidiu:

Ô Guti, esse Miguel é mesmo muito quatro-quatro-meia, mermão. Manda trazer o Lincoln Olivetti pra escrever essas cordas.

Com Lincoln vieram uma nova riqueza nos arranjos, um fraseado mais sofisticado de metais, o batidão disco se incorporava à levada do funk-samba-soul com naturalidade, a massa de cordas se desenvolvia em espirais vertiginosas, melhor e mais dançante do que aquilo, só o Earth, Wind and Fire. O disco abria com três clássicos, em seqüência, feitos para dançar. “A fim de voltar “ e “ Acenda o farol “, duas discos empolgantes, marcadas por cordas velozes e sinuosas, emendavam com o funkão pesado “ Sossego “, uma de suas obras-primas, com seu groove hipnótico e seus riffs de metais em brasa. A letra era uma síntese absoluta, um hai-kai carioca:

Ora bolas, não me amole,
com esse papo de emprego,
não tá vendo, não tô nessa,
o que eu quero é sossego !

Era só isso, e tudo isso. Não precisava mais nada, estava dado o recado. Não havia festinha, boate, bailão ou discoteca em que a pista não estourasse quando Tim pedia sossego ou dizia que estava a fim de voltar ou mandava, se o pneu furou, acender o farol.

Sossego foi uma das musicas mais tocadas do ano, um dos grandes sucessos da trilha sonora da novela "Pecado Rasgado" e do filme “Nos embalos de Ipanema“, de Antonio Calmon.

Tim estava estourado no Brasil inteiro, fazia um show atrás do outro sem faltar nenhum, mas os problemas não faltavam. No ginásio do Guarani, em Campinas, não foi nem o caso de estratégia. Foi muito pior.

Tim estava ansioso para fazer um show legal para o povão que lotaria o ginásio, cantar os seus sucessos e experimentar as novidades com a Vitória Régia. Eles eram a atração principal, entrariam por volta de meia-noite, depois de várias bandas locais. Onze horas o empresário os pegaria no hotel. Com o levado, naturalmente.

Uma da manhã e nada. Tim pronto, a banda inquieta, tensão no hotel. Às duas da madrugada finalmente o homem apareceu, transtornado. Alguma coisa dera muito errado, menos público que o esperado, roubo da bilheteria, calote de um patrocinador, o empresário tentou ser semi-correto e ofereceu pagar 50% do cachê a Tim - para não fazer o show. Tinha seus motivos, mas Tim insistiu, já que havia feito a viagem e estava esperando até aquela hora, louco para cantar, concordou em receber metade do levado - mas faria o show inteiro.

No ginásio, os ânimos estavam exaltados. Por volta de uma da manhã, como Tim Maia não aparecia, o público começou a vaiar e a gritar pelo dinheiro de volta, choveram garrafas, brigas estouraram, a polícia interveio várias vezes, mas os mais furiosos resistiam.

Quando Tim e a Vitória Régia chegaram, o chão estava coberto por cacos de vidro, o povo gritava furioso, o empresário implorou que ele não entrasse no palco. Tim mandou ligar o som e que a banda atacasse a introdução de “Não quero dinheiro“. Entrou sob uma gritaria infernal e, mal começou a cantar, uma garrafa jogada da arquibancada explodiu a seus pés. Outras se seguiram, sobre os músicos, os instrumentos e equipamentos, nem foi preciso gritar “estratégia“. Todos fugiram para o camarim aterrorizados, choviam garrafas sobre o palco, a turba gritava “quebra!“, “mata!“, “toca fogo!“

Enquanto os bombeiros tentavam esfriar a massa enfurecida com jatos de água, protegidos por um batalhão de choque da PM, Tim e os músicos embarcaram num camburão, o único meio seguro de levá-los vivos de volta ao hotel.

Foi a única vez que Tim ganhou para não fazer um show e ainda andou no banco da frente de um camburão.


Baixe Tim Maia Disco Club aqui.

O Príncipe



No fim dos anos 60 Ronnie Von gravou alguns discos psicodélicos que na época foram um fracasso comercial mas 30 anos depois despertaram o interesse daqueles que gostam de beber nas inesgotáveis águas da Música Brasileira. E eles estão espalhados pelo Brasil. Como mostra a jornalista e "ativista" cultural Flávia Durante que acaba de lançar um tributo à fase psicodélica de artista: 2 discos que estão disponíveis para download no site www.ronnievon.com. A homenagem reúne artistas do Pará ao Rio Grande do Sul.

Nos anos 60, o cantor tinha um programa de TV que rivalizava com o Jovem Guarda do "Rei" Roberto e ganhou da Hebe a alcunha de "Príncipe", o que obviamente nunca o agradou.
O hoje pacato "mãe de gravata" foi quem batizou um trio de adolescentes que tocavam no seu programa. Os moleques viraram Os Mutantes, aqueles mesmo, e chegaram a gravar algumas sessões dessa fase psicodélica do cantor.

No site Senhor F o músico Marcelo Birck da Graforréia Xilarmônica faz uma interessante análise faixa por faixa do quarto disco de Ronnie Von, de 1968, que pode ser baixado aqui.

Trash

Meus amigos e minhas amigas, dizia Décio Pignatari parafraseando o poeta Paul Valéry, que " sem um pouco de kitsch não poderíamos conviver". Concordo e pergunto se tu quer tomar uma boa dose desse licor? Pois se quiser delicie-se com a TV Orkut, que não tem nada a ver com o site de relacionamento do Google. A coisa nasceu da cabeça do baiano Petrucio Melo e está no ar há um ano. Lá você pode assistir programas como O Axé está no Ar, comandado por Pai Celso de Oxalá ou o Sem Preconceito, apresentado pela modelo Loren Lemos, que já atuou no programa Turma do Didi e na Praça é Nossa.

A gente já sabia





Está começando a cair a máscara da Ilha da Fantasia. O mito do paraíso idílico sofreu mais um duro golpe. Ontem à noite o Brasil todo pôde assistir, no Jornal da Globo, a matéria que a RBS exibiu no programa Estúdio Santa Catarina no último domingo. A repórter Kíria Meurer mostrou a escadaria de um prédio comercial no Centro, que durante a noite virou uma crackolândia. A cabeça da matéria foi:
Florianópolis sempre teve reputação, em todo Brasil, de cidade bonita, agradável, onde é bom de se viver. Até a chegada de uma droga que já trouxe muita violência a outras cidades: o crack.


Trabalhei e morei nessa região por um ano, de junho de 2001 a junho de 2002 e conheci algumas das pessoas que estão na matéria. Um flanelinha, que atuava na área, e uma mulher que vive nas ruas como pedinte. O enredo da história já é bem conhecido: o Centro da cidade é gradualmente abandonado por moradores e a degradação é inevitável. Florianópolis tem belas praias, cenários incríveis e muita gente boa mas é uma cidade brasileira como qualquer outra.

domingo, 18 de março de 2007

Alguma coisa acontece em Florianópolis




Ontem o Clube da Luta foi um sucesso. 15 dias sem chuva e subitamente as águas de março despencaram torrencialmente a noite inteira mas isso não impediu que a festa bombasse. Público de todas as tribos lotou o Café Fios & Formas. Gente bonita, figurinhas carimbadas, freaks, gente que é "people", gays, lésbicas e simpatizantes, músicos, atores, produtores, gente do lado de lá e do lado de cá da Ponte e muito mais. DJ Zé Pereira da Nação Balanço abriu o festerê conduzindo a vibe com maestria. A pista foi enchendo e o suíngue comendo solto. Quando começamos nosso show, a Coletivo Operante, o público já estava perfeitamente aquecido e dançou, se esbaldou, e nós também. Na sequência Andrey e a Baba do Dragão de Komodo carregaram no rock concretista, claramente influenciado pelo Arnaldo Antunes mas com muito mais senso de humor. Adorei a banda que ainda não tinha assistido. E a Samambaia Sound Club continuou a dança. Foi uma esbórnia dionisíaca pra ninguém botar defeito. Zé Pereira, sempre num timing impecável e dialogando com as bandas, encerrou a festa e tinha gente que queria mais.

Fotos e outras informações sobre a noite memorável no site Tô Puto.Hoje eu fico por aqui e deixo vocês com um rock psicodélico do Small Faces. Perfeito para essa lesêra dominical.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Livrai-nos do Mala-man




Direto do Diário Gauche.

Dois tempos



"Ai que saudade que eu tenho da minha Lagoa, que era só minha e da Conceição..." assim cantou Luiz Henrique Rosa em 1967, hoje talvez ele incluísse novas palavras. " Que era só minha e sem poluição". Esta foto fiz ontem à tarde da janela da casa do Valdir Agostinho. Ali embaixo, nas margens da Lagoa da Conceição, passa a rodovia asfaltada que segue para a Barra da Lagoa. Mais tarde fomos no canal ver um barco e então, de súbito, me deparo com um objeto vindo na corrente da maré vazante. Tou acostumado a ir nos restaurantes ali ao lado do canal e ver siris de montão, nadando e boiando. Haviam alguns. Mas aquilo não era um siri. Era uma ratazana morta, grotesca e inchada.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Phunky Buddha



Hoje na Contracapa do DC o antenado conterrâneo "papa-siri" Marcos Espíndola comenta a volta dos Udigrudis, banda que marcou os anos 90 em Florianópolis. Segundo ele, e eu concordo," é uma daquelas bandas que ficou marcada no consciente coletivo da sua geração, tal qual os Stonkas Y Congas e Phunky Buddha - que também podem pintar aí". E aviso que Phunky Buddha pode pintar aí sim. Já andaram requisitando a presença no Clube da Luta e estávamos pensando seriamente em fazer uma apresentação em 2007. Em julho de 2005 fizemos um inolvidável show no bar Drakkar comemorando meu aniversário. A foto ao lado foi feita nesta noite.

Em breve tou colocando umas músicas da banda pra download aqui no blog.

O jacaré é manso, mas é jacaré




Do blog Meandros de Curitiba.

A Prefeitura vai despejar o jacaré-de-papo-amarelo que mora há pelo menos 31 anos no Parque Barigüi.Isso por que o réptil matou um vira-lata sem dono que o atacou. " O mais famoso morador do mais famoso parque da cidade" virou até nome de canção, Jacaré do Barigüi, composta pelos meus camaradinhas Franco Milani e Gabriel Teixeira, da banda Black Maria. A música está no disco 13 20 produzido pelo mutante Sérgio Dias Baptista. Querendo ouvir baixe aqui.

A Associação dos Moradores e Amigos do parque Barigüi manifestou-se da seguinte forma:

CARTA AOS FREQÜENTADORES DO PARQUE BARIGÜI

"Foi legítima defesa !" - alegaria eu, se fosse advogado do jacaré. Ele estava em casa descansando, numa terça-feira de feriado de carnaval, quando aparece um bando de "animais", digo, pessoas, e começam a jogar pedras e paus nele.

"- E pra quê isso ?
- É pra vê-lo se mexer, responde um lá na frente.
- Ah, é ! Quer vê-lo se mexer ? Vá lá e puxe o rabo dele !"

É verdade, ele matou o cachorro. Matou mas não comeu, o que indica que ele não atacou, apenas se defendeu. O cachorro foi em direção ao jacaré e não o contrário. Nos últimos dias, pintaram o jacaré como um monstro. Não é nada disso gente ! Ele não come criancinha e nem corre atrás de turista. Está todo mundo com pena do cachorro, mas poucos são os que já viram os cachorros abandonados no parque quando estão caçando. Atacando capivaras, matando ratões do banhado, destruindo os ninhos e comendo os filhotes de patos e gansos. O jacaré é do bem. Do mau, são certos usuários do parque que ao invés de irem lá curtir a natureza, vão lá depredá-la. São pessoas que não catam as fezes dos seus cachorros, que fazem sexo no mato e jogam as camisinhas lá mesmo, quebram garrafas de vidro, destroem as churrasqueiras, queimam as lixeiras e poluem as nossas águas.

O "Velho Jack", o jacaré mais antigo, está no lago desde 1976, ou seja, 31 anos sem nunca ter dado alteração. Se ninguém incomodar o jacaré, o jacaré não incomodará ninguém ! Afinal quem será o verdadeiro animal.... o jacaré ou o bicho-Homem ? Quem será a verdadeira ameaça, o Homem ou a Natureza ?

Atenciosamente,

ARI BECKER
Presidente da AMAPARQUE BARIGüI
Associação dos Moradores e Amigos do Parque Barigüi

Can't Buy me Love

Paul McCartney não levou de novo. Acuado por dívidas crescentes devido ao seu estilo de vida esbanjador e pelas milionárias indenizações nos processos por abuso sexual, Michael Jackson arrecadou uma grana alta vendendo o catálogo das canções dos Beatles para a Sony. Nos anos 80 quando tornou-se um megastar do pop, Michael comprou o catálogo da Northern Song e tornou-se dono dos direitos autorais das canções de Lennon e McCartney. O fato azedou a amizade dele com Paul que sempre quis reaver esses direitos.

No início de carreira num ato ingênuo, e muito mal assessorados diga-se de passagem, Paul e John acabaram perdendo a posse de suas próprias músicas. "John e eu não sabíamos que a gente podia possuir canções. Achávamos que elas só existiam no ar. Não víamos como fosse possível possuí-las. Dava para entender que a gente possuísse uma casa, uma guitarra ou um carro, esses eram objetos físicos. Mas uma canção...Não conseguíamos entender como fosse possível ter direitos autorais sobre ela. Por isso o pessoal que recolhia direitos ficou muito feliz com a gente", disse Sir Paul em sua biografia Many Years from Now.

Deve ter sido um golpe duro para o músico não ter conseguido mais uma vez reaver esses direitos. Como consolo, recentemente um juiz desconsiderou as acusações de abuso físico que sua ex-mulher Heather Mills fez. Numa audiência em Londres no início desse mês para resolver as pendengas da separação, Heather saiu furiosa pela porta dos fundos enquanto Paul saiu pela frente, assoviando e estalando os dedos fazendo sinal da paz para os repórteres.

E para lembrar de Paul e Michael quando ainda eram amigos, o clipe super divertido de Say, Say, Say, parceria deles em 1983, produzida por George Martin e que saiu no álbum Pipes of Peace, de Paul. .


segunda-feira, 12 de março de 2007

A serviço do Senhor

Acabei de ler no Coluna Extra, do meu amigo Alexandre Gonçalves, que a compra das rádios e TV Guaíba pela Igreja Universal do Reino de Deus, dona da Record, incluiu também o jornal Correio do Povo. Pra quem não sabe, a rádio Guaíba foi quem abrigou Brizola e a Rede da Legalidade num dos momentos mais graves da República: a renúncia de Jânio e a guerra para fazer valer a lei e a posse do vice-presidente, João Goulart.

Tou curioso pra ver o desdobre desse avanço do Edir Macedo no quintal dos Sirotski. Será que ele não se anima a comprar o "mais antigo"* também? Um pouco de concorrência aqui nessas plagas ia bem né.

*Jornal O Estado, de Florianópolis.

É noise




No próximo sábado, dia 17, no café Fios & Formas aos pés da ponte Hercílio Luz, Coletivo Operante estréia no Clube da Luta, iniciativa que está juntando bandas de Florianópolis com trabalho autoral e criando um público antenado, elegante, gente fina e sincero.

domingo, 11 de março de 2007

Senta a mamona!





Hugo Chávez cada vez inventa imagens melhores em seus discursos anti-Bush. Em Buenos Aires, uma das paradas de sua tour paralela à do norte-americano pela América Latina, o presidente da Venezuela chamou Bush de "cadáver político"," disco arranhado" e num rompante místico-profético deu a declaração que mais me chamou a atenção: “Ele nem sequer cheira mais a enxofre, mas exala o odor dos mortos políticos e, dentro de pouco tempo, se converterá em um polvo cósmico”.Polvo Cósmico, Chávez? Que que colocaram na tua bebida? Hahahaha.

Marco Weissheimer conta sobre a marcação cerrada de Chávez em cima do Bush em Carta Maior. O Marco tem um blog muito legal , o RS Urgente, que pra minha honra, já publicou uma bela citação do Esquerda Festiva.