" Fiquem longe de Brasília
Foi bonito as torcidas rivais no Maracanã gritando unidas o nome de João. Uma bela homenagem a João Hélio Fernandes, seis anos, morto por uma nova faceta da crueldade – o desleixo. Para os bandidos que o arrastaram pendurado no carro, sua morte tanto fazia. Seus pais agora querem evitar que ele seja só mais um número na estatística da violência.
Infelizmente, a dor nem sempre confere a quem a sente um mandato de eficiência ou criatividade. Quem perde um filho se sente sozinho diante de Deus (ou da ausência dele), e vê exclusividade em cada gesto seu. Às vezes, porém, as atitudes para “dar um basta” àquele flagelo são a melhor maneira de ser convencional - e deixar tudo como está.
A mãe dilacerada quer transformar sua dor em ação. É saudável. Ela tem opiniões sobre a legislação. E tem a sensação de que o único caminho para a justiça é uma determinada mudança na lei que lhe parece óbvia. Por isso decidiu ir com o pai de João a Brasília.
É um movimento que lhes serve para sentirem-se fazendo algo pelo filho perdido. Mas é um impulso que, ao final, só lhes aumentará o vazio.
Telefonem para Ari Friedenbach. Ao localizar depois de longa busca o corpo da filha Liana, estuprada e morta aos 16 anos num acampamento na Grande São Paulo em 2003, ele botou um terno e se mandou para Brasília. Sentia o mundo girando em torno de sua dor e foi tratar de mudar o destino dos homens.
Sua missão resultou em uma foto com Eduardo Suplicy. Foi também ornamento para a agenda de outros políticos e autoridades, como o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos – que diligentemente mencionou algumas daquelas propostas de endurecimento com o crime que ficam guardadas numa gaveta especial para essas ocasiões.
Prezados pais do menino João, Brasília engole a indignação de vocês. É difícil compreender isso nessa hora, mas o seu sofrimento é facilmente transformável em combustível para a máquina da notícia e da política.
Não é por mal. É da vida. Mas será que a melhor forma de gritar o seu basta é uma audiência com Renan Calheiros? Entendam: sua ira só é santa até a porta do gabinete. Dali para frente, é exatamente aquilo que vocês não querem ser: mais um número na estatística (da pantomima política).
Ari voltou de lá de mãos abanando. Esse circuito termina numa caminhada de branco com algumas ONGs em Ipanema. Tentem um caminho melhor para sua dor.
Glória Perez submergiu com o sofrimento pelo assassinato de sua Daniela, viveu a solidão inevitável desse momento, e depois emergiu com uma cruzada bem planejada para mudar a lei de crimes hediondos. Tudo tem a sua hora, tudo tem o seu ritmo, e na tragédia não é diferente. Maioridade penal? Legislação específica para cada estado? Pena de morte? Cuidado para não se tornarem um confeito a mais num debate enguiçado.
O Maracanã cantou junto para João. A revolução é por aí. Deixem Brasília para lá."
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Revolução
Guilherme Fiúza escreveu no site NoMínimo.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Uma frase
Falou e disse
O sempre arguto mestre César Valente em seu blog e coluna do Diarinho.
" AS LEIS E A EMOÇÃO
Os políticos demagogos e oportunistas acham que prestam um serviço público ao tentar legislar sob forte comoção popular. A cada crime bárbaro levantam-se das cadeiras estofadas onde cochilavam e com os bolsos chacoalhando de moedas, dizem bobagens sem sentido, apenas para faturar algum prestígio em cima da dor alheia e das legítimas preocupações de todos nós.
Ficam anos sentados sobre projetos importantes, jogando com a barriga as atualizações que a legislação requer e daí, sobre o sangue ainda morno de alguma vítima, levantam a voz como se fossemos todos idiotas. E fazem um arremedo de pressa, mostram para as câmeras que estão “trabalhando” para resolver problemas graves. Bobagem, falta de caráter, vagabundagem da mais deslavada.
Fazer com que um assassino fique mais de três anos na cadeia não é coisa que se consiga de uma hora para outra. Precisa mexer em muita legislação e em muita coisa: nas condições carcerárias, por exemplo. Precisa que deputados e senadores trabalhem duro por meses a fio, para dotar o país de uma legislação moderna. Mas isso, trabalhar duro, não é com eles.
É muito melhor levantar o cadáver despedaçado de um menino, pisoteando sobre nossa alma esmigalhada de dor e fazer pose de salvadores da pátria. Demagogos, incompetentes, vão trabalhar, vagabundos. Para evitar os crimes. E não usem os crimes para lustrar ainda mais suas caras de pau."
Iriê em escala nacional
" O Estado é Laico"
" Comecei assistindo sem maiores expectativas a entrevista do governador eleito do Rio, Sérgio Cabral Neto, no bom programa Canal Livre, da Bandeirantes, ontem à noite. Apesar de acompanhar apenas os últimos dois blocos, pude perceber uma mente inteligente por trás da fachada um tanto sonolenta do novo governador. Sérgio Cabral é também resoluto, firme e objetivo — daí a novidade. Abordou de forma decidida questões delicadas, sobretudo a notória violência na ex-capital do Brasil, a precariedade na organização dos Jogos Pan-Americanos e, pasmem, negou-se a falar de seus antecessores, responsáveis pela falência financeira do segundo mais importante estado brasileiro. O governador conquistou minha atenção e simpatia ao comentar assunto, defendo há séculos, de cabal importância em nosso país e, de maneira geral, no mundo todo. Explicou que o governo irá financiar e colocar à disposição da população de baixa renda a ligadura de trompas e vasectomia. Controle populacional orientado: luz no fim do túnel, enfim. Perguntado — de forma maliciosa, cabe ressaltar — se já teria "pedido a bênção da Igreja", Cabral foi seco, ainda que educado, soando apropriadamente chiado o "s" carioca: "o Estado é laico". Palmas, é um amigo da sabedoria."
Juliano Bruni Pereira
Post do blog do Juliano, o qual assino embaixo e republico aqui, ilustrando com o grande Laerte.
domingo, 11 de fevereiro de 2007
Hi Lily Hi lo!

A cantora inglesa Lily Allen iniciou a conquista da América do Norte ontem com um show em Nova Iorque no Webster Hall. Bem no seu estilo ela anunciou no meio do show que as risadinhas e paradas no meio das músicas não eram por conta dela ter esquecido as letras, mas sim por que havia "sentido pena de si mesma" mais cedo e pediu uma Torta Sheperd de um restaurante para jantar no quarto de hotel - por conta disso estava arrotando durante toda a performance.
Tá seu chatos vão comer um prato desses e cantem depois pra ver como é! Hahahaha.
Foto: www.themodernage.org
Salve James Brown!

Esse cara...negro, pobre, sem estudo e ex-presidiário, seria uma bela vítima para a "faxina social" pregada pelos sacrossantos inquisidores auriverdes. Seria fácil tachá-lo de um "caso perdido". James Brown nasceu miserável num barraco "onde o vento nunca encontrou uma janela" e cresceu no meio de gente pobre, putas, cafetões, jogadores. Ainda menor de idade foi preso por roubo.
Bem, para nossa sorte ele viveu uma vida longa e produtiva, deixou um legado inestimável para a humanidade. Com um talento genial criou uma linguagem, o funk, que alastrou-se pelo mundo e influenciou de Fela Kuti a Toni Tornado. Num de seus melhores grooves (I Don't Want Nobody) cantou..." Eu não quero que ninguém me dê nada, abra a porta que eu mesmo pego!"
Aqui no Brasil e no mundo, uma imensa maioria só quer o mesmo.
James Brown e Maceo Parker - Mother Popcorn
Animais, todos somos

Paula Rego - Macaco hipnotizando um covarde - 1982
Tenho lido muitas pessoas clamando pela volta da pena de morte e pela redução da maioridade penal. É assustador e triste ver quanta gente está disposta a regredir e se rebaixar, para ter uma falsa sensação de segurança. O terrível assassinato do menino carioca, arrastado por 7 quilômetros, não é mais dolorido do que as outras mortes violentas e estúpidas que acontecem no Brasil todos os dias.
Não estou justificando a barbárie dos atos criminosos. Mas de que adiantam medidas drásticas, tomadas no calor dos acontecimentos? E esses moleques presos são mesmo os culpados? Não são os primeiros que a Polícia achou pra matar a sede de sangue da massa teleguiada? Me perturba ver tantas vozes reacionárias serem levadas a sério. E ouço aqui, acolá, gente com saudade da Ditadura!
Para refletir um pouquinho umas palavras de Carl Jung. O pequeno trecho que segue abaixo foi extraído da autobiografia Memories, Dreams, Reflections, numa livre tradução e edição de minha lavra.
" Quem deseja encontrar uma resposta ao problema do mal, necessita em primeiro de lugar de um conhecimento de si mesmo. Um conhecimento tão profundo quanto possível de sua totalidade. Deve saber, sem se poupar, a soma de atos vergonhosos e bons de que é capaz, sem considerar a primeira como ilusória ou a segunda como real. Ambas são verdadeiras enquanto possibilidades e não poderá escapar a elas se quiser viver sem mentir a si mesmo e sem vangloriar-se. Alguns nada querem saber sobre o mal e outros com ele se identificam. Tal é a situação do mundo atual"
sábado, 10 de fevereiro de 2007
Professor Pasquale
Tá lá na capa da edição do Diário Catarinense desse domingo: "Tráfico utiliza armas pesadas na Capital". A manchete tem um texto de apoio que termina com a seguinte frase:"Algumas peças deste arsenal é capaz de furar um blindagem". A edição impressa contém o mesmo erro.
Pré-carnaval
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Love is All We Need
Dá-lhe Clô!
Ontem eu vi um trecho do primeiro discurso do Clodovil na TV Câmara. Achei ducaralho. Pra virar fã, só falta ele calçar as sandálias da humildade e bater um papo com o Vesgo e o Sílvio.
Lembro um dia que eu, com uns 16 anos, estava sozinho no trem que ia da Barra Funda para Ribeirão Pires, Grande São Paulo. Tava indo visitar um primo na casa da família da namorada dele. Na parada em Santo André, entra um vendedor do Notícias Populares que era sósia do Jimi Hendrix. É!
Comprei um. A manchete era sobre Clô. Corria o boato de que ele estava com AIDS. Para provar, o próprio exibiu para o fotógrafo o teste negativo. E a manchete sucinta e delicada em caixa alta era : "CLODOVIL TÁ COM A ROSCA BELEZA!".
Lembro um dia que eu, com uns 16 anos, estava sozinho no trem que ia da Barra Funda para Ribeirão Pires, Grande São Paulo. Tava indo visitar um primo na casa da família da namorada dele. Na parada em Santo André, entra um vendedor do Notícias Populares que era sósia do Jimi Hendrix. É!
Comprei um. A manchete era sobre Clô. Corria o boato de que ele estava com AIDS. Para provar, o próprio exibiu para o fotógrafo o teste negativo. E a manchete sucinta e delicada em caixa alta era : "CLODOVIL TÁ COM A ROSCA BELEZA!".
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
FLORIPA TEM...um outro lado

Sublinhar o dark side da Ilha de Santa Catarina vendida ao mundo, é o que pretende o filme Quem disse que eu to indo pra casa? dirigido por Marco Stroisch, com roteiro de Sandra Nebelung. E mais do que um olhar que vai além dos cartões postais de Florianópolis, a " intenção é buscar a poesia do submundo, do cenário urbano, dos cantos obscuros de uma capital outrora bucólica, hoje transformada em grande centro". Ainda de acordo com a produção, através das dificuldades enfrentadas pelos protagonistas, " o curta-metragem enfoca o cotidiano de crianças carentes que tentam viver com dignidade, e reforça a importância de valores como a família e a amizade".
O filme estréia no cinema em março mas antes disso pode ser assistido nesta terça-feira, 06 de fevereiro, na 2º. Mostra Brasil de Cinema & Hip Hop, que acontece de 06 à 10 de fevereiro, na Praça Bento Silvério, Lagoa da Conceição. A sessão inicia às 20 hs e os ingressos podem ser trocados no local por um quilo de alimento não perecível, a partir das 15 horas.
É minha gente, são as dores do parto de uma nova Florianópolis que nasce e cresce vertiginosamente sem controle, sem uma Câmara de Vereadores à altura do desafio e sempre a serviço de projetos de marketing charlatães.
domingo, 4 de fevereiro de 2007
Salve funky brother soul!

Jean Mafra, o figuraça vocalista e bailarino da Samambaia, comemora três décadas de passeio por esta terceira pedra depois do Sol e manda convite. Será no dia 10 de fevereiro, próximo sábado, no Drakkar. A noite marca também a continuação do projeto Samambaia Convida, que desta vez traz à Florianópolis a banda porto-alegrense Renascentes. A festinha promete.
Já é!

A noite da última sexta-feira, 2 de fevereiro, marcou o início dos trabalhos do Clube da Luta em 2007. Kronix, AeroCirco e Gubas & Os Possíveis Budas deram o pontapé inicial. A iniciativa, que pretende criar um espaço para as bandas que tem um trabalho autoral, cresce a cada edição. Um público empolgado, alegre e participativo se fez presente e deu o gás para que a noite fosse excelente. Sob um magnífico céu de Lua Cheia a música correu solta no Café Fios & Formas.
Vida longa ao Clube da Luta!
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Um conto Zen que adoro
O mestre ia proferir seus ensinamentos para um grupo de monges, quando no exato instante em que ele abriu a boca, um passarinho cantou.
O mestre apenas declarou: "O sermão já foi proferido", e retirou-se.
O mestre apenas declarou: "O sermão já foi proferido", e retirou-se.
O menestrel da Barra da Lagoa

"Quando a Música toca, tremem as muralhas da cidade"
Platão
Valdir Agostinho pela lente de Caio Cézar.
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