The Impressions - The Girl I Find
The Impressions - Fool For You
"Primo, nunca se esqueça, esse discurso de 'foco' é para os medíocres. Nunca,
nunca, nunca, mas nunca mesmo, permita que a mediocridade dos demais lhe roube
NENHUM de seus talentos"
“Eu sou um roqueiro engraçado, sabe? Meu instrumento é um violão de náilon. Sou um compositor, um cara que ama a música brasileira tanto quanto o rock’n’roll”
"Os homens que governam o mundo prometem isto e aquilo, liberdade, honra, segurança e - trabalho. Suas promessas são vazias e têm se provado vazias sempre. Mas os homens vazios gostam de promessas vazias. O homem que aconselha:" Olhe para você mesmo, o poder está dentro de você!" é visto como um sonhador e um louco"


"O trio Jean Mafra, Peter Gosweiler e Rodrigo Daca são compositores e músicos que vivem na mesma cidade — Florianópolis, que fazem trabalhos distintos e que justamente por causa das diferenças entre seus fazeres artísticos resolvem se unir em um projeto/show. É assim que nasce A GENTE vive na mesma CIDADE, faz som DIFERENTE e se encontra AQUI , um espetáculo que são três, e com três artistas que fazem a nova música de Floripa, uma cidade que são várias..."

Estréia “Vestido de Noiva” (23/12/1943) por Nelson Rodrigues
No terceiro sinal alguém veio me soprar: “A melhor platéia do Brasil”. E começou a peça. Nove e meia, se bem me lembro. Numa pusilanimidade total, fiquei no fundo de um camarote, arriado. Platéia, balcões nobres, frisas e camarotes lotados. Eu não via, nem queria ver nada. Muitas vezes, tapava os ouvidos, doente de medo. E o pior foi o silêncio do público todo o primeiro ato. Ninguém ria, ninguém tossia. E havia qualquer coisa de apavorante naquela presença numerosa e muda.
Termina o primeiro ato. Três palmas, se tanto, ou quatro ou cinco no máximo. Gelado, imaginei que seriam palmas das minhas irmãs, dos meus irmãos. Continuei no fundo do camarote, cravado na cadeira. Repetia para mim mesmo: “Fracasso, fracasso!”
Termina o segundo ato. Menos palmas. Imagino: “Até minhas irmãs têm vergonha de me aplaudir”. Pongetti tinha razão. “Vestido de Noiva” era o caos. A platéia estava furiosa com o caos. Até que baixa o pano sobre o final do terceiro ato. Silêncio. Espero. Silêncio. Ninguém bate palmas, nem minhas irmãs.
Ainda silêncio. Atônito, pensei em Roberto Marinho que estava no camarote, ao lado. Devia estar me achando uma besta. E, de repente, começaram palmas escassas e esparsas. Um aplaudia aqui, outro ali, um terceiro mais adiante. Atracado à cadeira, sentia-me perdido, perdido. Mas via a progressão. Focos de palmas, em vários pontos da platéia. E, súbito, todos acordaram do seu espanto. Ergueu-se o uivo unânime.
Os aplausos subiam até a cúpula e multiplicavam as cintilações do lustre. Era como se o grande Caruso tivesse acabado de soltar um dó de peito. Os artistas iam e voltavam. Porteiros levavam corbeilles. Veio Ziembinski, arrastado, de mangas arregaçadas, com o suor de gênio da fronte alta. E, súbito, uma voz (possivelmente a de José César Borba) se esganiça: “O autor, o autor!” E não foi só o César Borba. Muitos outros, inclusive mulheres, pediam, exigiam: “O autor, o autor!”
Minha irmã Helena veio me buscar no fundo do camarote. Eu, que me esvaía em suor, gemi: “Não, não!” E ela: “Vem, vem!” Não podia explicar, ali, que eu entrara no Municipal um pobre-diabo; e ainda não me sentia o autor glorioso. Helena, porém, crispada de vontade, arrancou-me da cadeira. Lívido, apareci na varanda do camarote.
Pensei: “Roberto Marinho deve estar impressionado”. Esperava eu, e esperavam minhas irmãs, que a platéia se voltasse para mim e todos gritassem: “Ele, ele!” Mas o que em seguida aconteceu foi muito parecido com um pesadelo humorístico. Estava o autor, em pé, no camarote, pronto para receber a apoteose. E ninguém me olhava, ninguém. Era como se eu não existisse, simplesmente não existisse.
A platéia exigia o autor, mas virada para o palco, de costas para mim. Senti como se fosse um puro espírito, que vaga, invisível, inaudível, por entre os vivos. Deu-me a vontade furiosa de gritar: “Sou eu! Sou eu!” E nada. Por que os artistas do palco não apontavam: “Ali! Ali!” Por um minuto, sem fim, fui excluído da apoteose e me senti um marginal da própria glória. Recuei para o fundo do camarote, dilacerado de vergonha e frustração.
Quando saí do camarote, o primeiro a me abraçar, radiante, foi Roberto Marinho. Em seguida, Sílvio Piergile, o maestro. E ambos disseram: “Formidável!” Mas fora o Roberto Marinho e o Sílvio Piergile, ninguém via em mim o autor. Uma senhora ia na minha frente, com uma graça lânguida e nostálgica: “As mulheres só deviam amar meninos de 17 anos”. Vou descendo; no meio da escadaria, um velho me abraça; diz trêmulo: “Não perdi um enterro de sua família”. E me beija. Embaixo, sou envolvido, abraçado, quase raptado. Álvaro Lins me puxa pelo braço: “Vem cá que eu quero te apresentar o Paulo Bittencourt”. Lembro-me exatamente das palavras de Paulo: “Sua peça é extremamente interessante”. Alguém ciciou no meu ouvido: “Genial!” Isso, dito baixinho, como se fosse uma obscenidade, deu-me vontade de chorar.
Mas tinha que abraçar Ziembinski, o elenco. Fui para a caixa. Quando entrei, vi uma multidão. Ziembinski berrou: “O autor!” Recebi uma ovação espantosa. Ah, eu estava emocionalmente exausto, as pernas bambas, a vista embaçada. Abraço, longa e desesperadamente Ziembinski. Ah, o polaco (ninguém o chamava de polonês, mas de polaco), o polaco dera ao que parecia o caos uma ordem translúcida e perfeita. Depois de Ziembinski, saí abraçando os intérpretes um por um: Evangelina, Carlos Perry, Graça Mello, Expedito Pôrto, Carlos Mello, Isaac Paschoal. Do alto do camarote, eu era fisicamente desconhecido. Agora, não. Ziembinski me apresentara. Da caixa do teatro até a porta dos fundos, não dei um passo sem esbarrar, sem tropeçar numa admiração patética.
Finalmente, desvencilhei-me dos admiradores e cheguei à rua. Estou andando na calçada da Avenida, e atravesso a Almirante Barroso, vou na direção da Galeria Cruzeiro. Sentia-me boiar entre as coisas. A glória era recente demais. Uma hora antes, eu não passava de um pobre rapaz, que ganhava setecentos mil réis mensais (quinhentos na folha e duzentos por fora). E as coisas me pareciam de uma irrealidade atroz. Até a Avenida era irreal, e os edifícios, e as esquinas. Longe, na Praça Mauá, os mastros sonhavam.
No próprio edifício do Liceu de Artes e Ofícios, quase ao lado de “O Globo”, havia uma casa que era, a um só tempo, leiteria e restaurante. Lá serviam um prato chamado “Almoço Nevado”, típico da classe média. Era um bife, que podia ser acompanhado ou de batatas fritas ou de dois ovos estrelados, com arroz. E mais: manteiga, pão e um pudim de sobremesa. Tudo, ao preço compassivo, generoso, de doze mil réis. Entrei na leiteria deserta, sentei-me num canto. Disse, sem olhar o menu: “Traz um Almoço Nevada, com batatas fritas”.
Primeiro, o garçon trouxe pão e manteiga. Comecei a comer com sombrio elán. Tinha, na imaginação, o lustre do Municipal, ardendo em cintilações delirantes. O garçon voltou. Pôs o prato na mesa. Digo-lhe: “Traz mais pão, que eu pago por fora. Manteiga também, sim?” Eu continuava febril de sonho. Mas o prato estava diante de mim. O bife era a vida real.


"Dário tem afirmado que está “desgostoso”, “desanimado”, “cansado” e “sem ânimo” para governar com as dificuldades impostas pela oposição em Florianópolis. Acha-se injustiçado e perseguido".
"Assim como no primeiro acompanhamento, no sábado passado, o código do live blogging do CoveritLive está disponível para quem quiser copiar e colar em seus blogs para ajudar a propagar a música, as opiniões e as informações sobre música de Santa Catarina durante o programa. Para receber o código, mande um e-mail para colunaextra@gmail.com, informando o endereço do blog".

"O próximo Paredão dispensará uma atenção especial para uma banda singular do pop catarinense, a Phunky Buddha. Não foi apenas o Dazaranha que reinou absoluto naqueles anos 1990. Uma vertente levou a música para outro ponto, mais ao funk e soul. E surtiu influências em bandas que hoje se consolidaram dentro deste cenário atual, como Samambaia Sound Club e Sociedade Soul, crias da PB e que estarão lançando no programa seus novos singles. Paredão também é história!"
Assumindo a alcunha de DJ Ulaissa, oficialmente pela primeira vez, vou colocar umas sonzeras chacoalhantes pra ferver a pista na Sangria Disco neste sábado, 18 de abril, no Jivago Lounge.
Uma bela lua cheia iluminava o céu limpo de outono. 10 de abril, noite de sexta e casa abarrotada na Célula. Clube da Luta recebeu o músico Curumin para uma grande festa ao lado de Samambaia Sound Club e Da Caverna.
A Comissão de Trabalho da Câmara aprovou um projeto de lei que disciplina o pagamento de couvert artístico
A proposta também estabelece condições de trabalho para músicos em bares e restaurantes que oferecem música ao vivo.
Conforme o projeto, o estabelecimento deverá fornecer alimentação e bebidas não-alcoólicas ao músico, sem qualquer custo, e oferecer lugar adequado para o descanso, de pelo menos 10 minutos, a cada uma hora e meia de apresentação. O bar ou restaurante deverá, ainda, firmar contrato por escrito com o músico, que poderá ser de duas modalidades. Uma delas é o contrato de remuneração por turno, no qual o
estabelecimento em conjunto com o músico fixa o valor da remuneração e o total de horas de trabalho. A outra opção é o contrato de remuneração variável, no qual o músico é remunerado pelo repasse integral dos adicionais cobrados de clientes. O relator da matéria, deputado Eudes Xavier, do PT do Ceará, disse que o projeto fortalece a cultura, a arrecadação tributária e dá proteção ao trabalhador.
“Ele regulamenta a atividade do músico e dá segurança ao trabalhador da cultura, desde que ele tenha um contrato firmado com a casa em que está trabalhando.”
De acordo com o projeto, no caso da contratação por remuneração variável, a casa deverá incluir nas notas de consumo dos clientes os valores cobrados a título de couvert artístico. Os papéis deverão ficar à disposição do músico para conferência, sempre que solicitados. Se o repasse ao músico for inferior ao valor das notas, o estabelecimento deverá pagar ao trabalhador o triplo da diferença verificada. O bar ou restaurante que descumprir essas garantias fica sujeito à multa administrativa no valor de 500 reais. O projeto vai ser analisado, agora, pela Comissão de Constituição e Justiça.
Rádio Câmara/De Brasília, Marise Lugullo
"Sempre me espanto com essa questão que algumas pessoas fazem de que as histórias tenham "sentido".
Nunca consegui entender qual era exatamente o sentido desse sentido. Moral, filosófico, algum tipo de lição de vida? Algo que nos "acrescenta" - como se fôssemos porquinhos com uma fenda às costas?
Faço histórias para crescer, não para acrescentar".
