
Uma salva para o Blues Velvet que reabre na quarta com festa da Zuleika.
Pintaram na rede algumas das músicas do novo álbum do Beck que deve sair no dia 8 de julho. Produzido por Danger Mouse, o disco promete.
Ouça em streaming a faixa Orphans.
Coisa que meu povo gosta.
Foto : Chad Wadsworth
Marcinho da Costa, nossa mente mais lúcida, mandou essa no Festival de Outono no último sábado:- Vocês sabem que Floripa é uma "cidade de pouca cultura", não é?
- Siiiimmm - manifestam-se alguns da platéia.
- Pois é, isso é culpa de vocês! Saiam de casa, vão prestigiar seus artistas, vão conferir a boa música que é produzida e aí verão que estão enganados. Nós temos uma cultura sim!




– Com licença. Lee Perry?
– Simmm.
– O que o senhor faz por aqui?
– Eu moro aqui, my friend.

Eu tinha 15 anos e muita curiosidade sobre o blues quando comprei na empolgação um disco de vinil de Bo Diddley no sebo Lunário Perpétuo, que ficava no edifício Dias Velho, Centro de Florianópolis. O dono do sebo chamava-se Ênio e era idêntico ao personagem Stock do Angeli.Posso contar uma vitória? Não é que seja exatamente uma vitória, mas é uma grande forra. Sabe? Vingança é uma palavra forte para definir. Acho que forra é o que é. Não uma forra minha, particular. Uma forra que eu tomei em
nome de todos os artistas do país.
Vamos lá.
Quando o Sr. Victor Costa, diretor geral da Rádio Nacional, comprou a Rádio
Mayrink Veiga, nós da Mayrink passamos a ser escalados para shows em casas
de pessoas ricas, gente a quem o Sr. Victor devia favores ou desejava
obtê-los. O fato é que a gente chegava na tabela e estava lá:
- Fulano, Fulano, Francisco Anysio, Fulano, Altamiro Carrilho,
Jorge Veiga, Dolores Duran, Antonio Carlos – show na casa do Dr.
Não-Sei-O-Quê de tal, na rua Tal número tanto. 20 horas.
E a gente ia e fazia um show para o qual ninguém dava a menor
bola. Mas nem olhavam. Aquele show era uma coisa chata, que só servia para
atrapalhar a conversa deles. Mas fazer o show era uma ordem do patrão, e o
jeito qual era? Obedecer.
Pois bem.
Uma tarde estava na tabela o meu nome para um show numa casa da Lagoa
Rodrigo de Freitas. A gente lia o nome ali, escalado para esse serviço e
dava um frio que corria pela espinha. Era pedra!
Eu lembro do elenco escalado para aquele show: Jorge Veiga, Dolores Duran,
Aracy Costa, eu e (deixei de propósito para citar no final), o Antonio
Carlos – o pai da Glorinha Pires e maior comediante que eu conheci em toda a
minha vida.
Um locutor apresentava o show. E os cantores seriam acompanhados, como
sempre, pelo regional do Altamiro Carrilho.
Era pra chegar às oito horas, 15 para as 8 eu toquei a campainha,
abriu a porta uma governanta. Loura, já de uma certa idade, muito elegante,
um vestido cinza até os tornozelos, parecendo mais uma governanta de filme
inglês. Chiquérrima.
- Pois não.
- Eu sou artista do show.
- Ah, artista? Ali pela porta de serviço, por favor.
Eu fui lá e ela me ofereceu uma cadeira na copa. Daí a pouco
chegou a Dolores, chegou o Jorge, o Tuneca, o Altamiro com o regional dele.
Nós, os artistas, ficamos todos ali na copa.
A cozinheira serviu pra gente uns bolinhos de bacalhau e cerveja.
Ai veio a hora fatal: a hora do show. Nós fizemos aquela infelicidade que
era habitual, e fomos embora.
Quatorze anos depois, eu estava no Teatro da Lagoa com um show arrebentando
a boca do balão, um record que não tem como ser batido, porque eram oito
sessões por semana – (2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª, duas no sábado e duas no domingo),
eu fiz 15 meses, com uma média de público de 23 pessoas acima da lotação, ou
seja: todas as casas superlotadas.
Pois bom.
Numa noite lá o Ricardo Amaral que até hoje não sei se é um amigo irmão ou
um irmão amigo, me disse:
- Olha aqui, Chico Anysio: você não me marque nada para depois do
espetáculo, porque o Fulano de Tal viu o show, adorou, e fez um jantar em
sua homenagem. Olha aqui o endereço.
E botou um papel no meu bolso.
- Ta legal.
- Eu não vou poder ir, porque já tinha um compromisso, ele sabe disso, mas
me falou que ele mesmo vai tomar conta de você.
- OK, Amaral. Eu vou lá.
Depois do show eu peguei o papel, vi o endereço e fui pra lá, para o tal
jantar em minha homenagem.
Quando eu desci do carro e olhei...
Era aquela mesma casa de quatorze anos atrás. A mesma. Olha só.
Quatorze anos depois eu estava ali, de volta.
Eu então o que fiz? Tranqüila e modestamente, fui à porta de serviço e
toquei a campainha.
Abriu a porta a mesma governanta, com a mesma roupa cinzenta...
- Chico Anysio. O que é isso? Aqui é a entrada de serviço. A porta
da frente é ali.
Eu disse:
- Eu sei. É que há quatorze anos atrás eu vim aqui fazer um show a
mando do Sr. Victor Costa, toquei a campainha lá e a senhora mesma me disse
que artista entrava pela porta de serviço. Como eu continuo artista vou
entrar por aqui. Com licença.
Entrei e fiquei na cozinha. Nem à copa eu fui. Fiquei brincando
com a cozinheira, tirando tampa de panela, dando uma provadinha numa coisa e
noutra e as pessoas foram vindo, me chamando pra sala e eu não indo e
mexendo nas panelas e a festa passou para a copa e cozinha.
Minha mãe me dizia que isto foi uma indelicadeza minha, mas será
que foi?
Pra mim foi uma forra, porque eu já estava de saco cheio de ser discriminado
somente por ser artista.
Julguem vocês.


Dois juízes federais de Buenos Aires absolveram um homem que havia sido processado por ter uma plantação de maconha na varanda de seu apartamento na capital argentina.
Na decisão divulgada nesta terça-feira (10), os juízes Eduardo Farah e Eduardo Freiler consideraram inconstitucional que o réu (cuja identidade não foi revelada) fosse punido por ter seis vasos com a planta Cannabis sativa para uso pessoal, concordando com o argumento da defesa de que a plantação não atentava contra a "saúde pública".
Farah e Freiler entenderam, segundo a imprensa argentina, que este cultivo não é crime porque o homem não planejava comercializar o produto e atuava no "âmbito de sua privacidade".
E a governadora do nosso vizinho Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), está afundando na lama para não dizer outra coisa.
Muito mais emoções no FAM ontem. Antes da exibição do chatérrimo longa argentino La Peli, aconteceu uma homenagem à Ieda Beck, uma ativista do cinema catarinense e mãe dos meus queridos Deco, Inara e Fabíola.
− Estamos fodidos, Ralph − posso ouvi-lo dizer. − Inventaram a ferramenta perfeita para o Novo Idiota. Agora eles podem florescer, numa verdadeira terra de burrice e ganância. Podem infestar o planeta com tudo o que há de babaca e nojento que você puder imaginar, e todos eles vão parecer gente sensata. Agora, qualquer bundão banal, mentiroso, pode virar presidente dos Estados Unidos e ficar numa boa. Tudo quanto é desmiolado cabeça oca vai poder derramar os seus pensamentos podres nesse novo mecanismo, entortá-lo um grau fora do prumo e depois reenviar como uma forma de sabedoria. Você acha que a gente já chegou à Terra dos Mortos-Vivos? Não,Ralph. Estamos só começando!
"Não conheço ninguém da minha geração e classe social que nunca tenha tido experiência com drogas, mas paira na sociedade brasileira uma resistência hipócrita a discutir o assunto. Com freqüência temos que ouvir diatribes moralistas de "especialistas" como padres, que não sabem nada sobre o assunto: ouve-se, por exemplo, que "da maconha o viciado passa para as drogas mais pesadas", o que é o equivalente de se dizer que quem gosta de suco de abacaxi amanhã vai se apaixonar por suco de groselha. Os usuários não passam de uma droga a outra por um misterioso motivo químico ou bioquímico. Os usuários passam de uma droga a outra porque ambas vêm do mesmo traficante, que está em condições de dizer: hoje não tem do preto, leva do branco. Afinal de contas, o "branco" dá mais lucro, vicia mais, cria laços mais fortes com o tráfico que o "preto". Para quem não tem grana para o "branco", dá-lhe crack, essa droga horrorosa que é quase um caminho sem volta".
"Se a filosofia e a sociologia não tivessem sido abolidas do currículo médio pela ditadura militar em 1971, a discussão sobre a educação no Brasil hoje com certeza estaria se dando em bases um pouco mais sofisticadas, sem a tediosa repetição de clichês e o previsível ping-pong entre focalismo e universalismo. Por isso, é excelente a notícia da volta da obrigatoriedade das duas disciplinas no ensino médio. Trata-se, finalmente, da restauração de parte do que foi destruído pela reforma educacional da ditadura, que começa com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Superior, a 5.540/68 – marco na tecnificação da universidade brasileira – e se confirma com a 5.692/71, que joga para escanteio a filosofia e a sociologia e instala as famigeradas Educação Moral e Cívica e OSPB. Não custa lembrar que em 2001 o Congresso Nacional já havia aprovado a restauração das duas disciplinas, mas Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo, vetou.
Depois de uma busca bem exaustiva, não consegui achar um único profissional ligado à educação que fosse contrário à medida. Talvez algum contra-exemplo exista, mas é notável a quase unanimidade do apoio à lei entre quem trabalha com o ensino. Como sempre acontece quando qualquer reforma de ensino é proposta, um argumento se repete: o ensino médio brasileiro é muito ruim e acrescentar duas disciplinas não adianta. É uma variação do pseudo-raciocínio que preconiza que não adianta mudar nada até que se mude tudo: pensamento típico de uma geração que não estudou filosofia e que, portanto, não adquiriu instrumentos para formular a relação entre a parte e o todo, entre a singularidade e a totalidade. Ficamos engessados na paralisia ante o ruim de tudo. Qualquer ação localizada é imediatamente bombardeada com o pseudo-argumento de que o todo continuará o mesmo... "

"Eu vou falar uma coisa muito temerária, mas acho que as pessoas vão se fartar de ouvir mp3. Na verdade não se ouve mp3, eu vejo a maioria das pessoas ouvindo I-pod nos aviões, andado pela rua, falando com outras pessoas sem tirar o fone do ouvido. Isso não é ouvir música, isso é um fundo musical. Não tem o ato ritualístico de ouvir música. É como a válvula. Em 89, em Los Angeles, quando eu tava lá, eu queria um amplificador à válvula e tinham que pegar a válvula no estoque, porque não se fabricava mais. Hoje é impossível conceber um amplificador que não seja à válvula. Eu acho que vai voltar o vinil, porque os audiófilos não tão a fim de mp3. A virada vai ser a coisa inversa, o álbum vai virar um artigo de luxo, vai ser muito caro e neguinho vai comprar. As pessoas vão verificar que a única maneira de combater a pirataria é transformar o disco em vinil, que não é possível piratear".

"Não sou político, sou simplesmente um artista. Mas a questão é definir a arte como um passatempo fora do contexto da vida diária dos homens, ou como um meio para preservar o significado original da existência humana. A política não é tarefa dos artistas, mas, na minha opinião, temos a obrigação de tomar uma clara posição, qualquer que seja o sacrifício que isso acarrete, se a dignidade do homem estiver em jogo."




Vocês sabem que as notas que estão aqui são, normalmente, aquelas publicadas na coluna De Olho na Capital, na página 3 do jornal Diário do Litoral, o DIARINHO. E lá, como em todo jornal de papel, o espaço é finito. Num blog não é, basta rolar a tela e continuar escrevendo.
Por isso, tive que dar, no jornal, a seguinte explicação:
“Recebi ontem uma cópia do livro “A descentralização no banco dos réus”, em que Nei Silva, da revista Metrópole, entrega as negociatas que fez com o governo LHS. Um escândalo. Depois de muito pensar, decidi deixar o espaço da coluna para as boas memórias de 1968. O escândalo ficou pra amanhã.”
É possível que, com esta decisão, tenha deixado de publicar primeiro, ou pelo menos junto com outros colegas, alguma coisa sobre esta bomba que acaba de estourar no colo do governo. Mas pensei cá com os meus botões: escândalo tem todo dia. Este não será o último. E entre recordar um tempo em que estávamos unidos em lutas que pareciam mais dignas e cortar o material para caber a lama do dia, preferi manter o espaço todo para 1968.
Como a coisa é muito quente, provavelmente não conseguirei esperar até amanhã. E isso beneficiará os leitores do blog, que talvez tenham aqui notas sobre isso hoje, ao longo do dia, à medida em que for preparando o material do jornal. Uma inversão: em vez de ler aqui o que foi antes enviado para o jornal, lerão primeiro aqui o que depois será mandado para lá.
Em 2001 produzi um inesquecível show com as bandas Pipodélica e Mopho no Havana Bar, tradicional ponto que eu gerenciava na época.
O site do jornal britânico The Times publicou uma matéria sobre os emos fazendo um contraponto entre o protesto dos jovens de franja longa ingleses e a violência contra os estilosos da América do Sul.
"Eu bebo moderadamente, já usei drogas e eu gosto da maconha. Eu tenho uma visão diferente dos americanos sobre ela.