terça-feira, 24 de abril de 2007

Funk is alive




Garimpando sons por aí descobri uma baita cantora de funk e uma banda poderosa: Sharon Jones and the Dap-Kings de Nova Iorque. Se ninguém dissesse nunca saberia que a banda é atualíssima. A sonoridade é 60's funk total. A banda já tem alguns discos, lançados pela gravadora Daptone Records e página no My Space. Lá dá pra ouvir 4 músicas mas se quiser há também uma ferramenta para compra de downloads por US $ 0,99 cada canção. Na seção de fotos tá lá a Sharon abraçada ao Godfather of the Soul, James Brown em pessoa, passando a tocha. Yeah!

E eu entrego o ouro aqui para baixar e se deliciar com a música How Do I Let a Good Man Down.

Sopão de Filmes




Clique na imagem para aumentar

O evento que nasceu despretencioso e era realizado na casa do Alan Stone cresceu e agora acontece num lugar com uma estrutura melhor e super bem localizado. No Pomar das Artes na rua do Morro do Horácio.
O Sopão de Filmes é uma reunião de apreciadores de áudio-visual onde são exibidas produções locais, vídeos experimentais, documentários, trash-movies e muita coisa curiosa. Esta edição acontece no próximo domingo e a entrada é franca. Sempre sugerindo uma contribuição e que cada um leve sua birita por que tá pensando que é só ficar no escurinho do cinema é? Não, tem sempre uma after-party. Vai lá.

"Quando toco sou o cara mais lindo do mundo"

Hoje assisti a um DVD hilário. Meu brother Ledoux trouxe ao estúdio de ensaio uma gravação de uma festa de aniversário organizada pelo Toicinho. Deixe-me dizer quem é o Toicinho. Um excepcional ser humano e músico de talento descomunal. Como baterista já tocou com Elis Regina, Nélson Ned, Agnaldo Timóteo e uma lista enorme de artistas. Há muitos anos retornou pra Florianópolis e toca como free-lancer em vários grupos de jazz e MPB. O conheci como diretor musical de um grupo que contava com uma cantora, uma pianista e ele na bateria. Observar o modus operandi dele foi uma experiência e tanto. Toicinho dava toques incríveis de canto e de piano. Realmente é um músico completo.

Muitas vezes o assisti tocar bateria e teclado ao mesmo tempo, sem nunca perder o timing. Dizem, e eu acredito, que Toicinho aprendeu a tocar piano pintando um teclado no teto do seu quarto, onde ficava tocando notas imaginárias, montando acordes.

Certa vez, fui testemunha, o cara desmontou a bateria enquanto tocava e a música não perdeu o beat nunca! Ele é um polvo dado a mil malabarismos. E isso é pouco ainda. O venerável músico também é inventor e já foi matéria de jornais com algumas engenhocas como a bicicleta para dias de chuva.

Pois no DVD que assisti não é que o Toicinho estava tocando numa banda de rock, quebrando tudo tal qual um John Bonham. É! Agora ele é integrante da banda Vanaheim. Numa guinada inesperada ele se juntou ao Cláudio e o Mauro, que fazem um hard-rock responsa desde a década de 80.

Ledoux e o Alan Stone, a dupla dinâmica da produtora Pintô Sujêra, estão editando um documentário sobre esse fantástico cara. Aguardamos ansiosamente.

PS: O título do post é uma frase do Toicinho que ouvi da boca do próprio. Mostra realmente o poder da Música!

Murderer or hero?





- E se cho seung-hui houvesse juntado-se aos marines americanos e todas as suas vítimas fossem iraquianas?!
- Ele seria considerado um assassino ou um herói?

Post vindo direto do blog Implicante. Ilustração do Latuff.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Sabadão Funk-samba-rock-soul




Quadrinho da Chiquinha para ilustrar um post sobre o excelente sábado, dia 21 de abril.

Muito legal ter participado do Chá Dançante. Gente legal, velhos e novos amigos, troca de sons, alto astral e um chazinho de hortelã com maçã perfeito. Foi ótimo tirar a ferrugem e discotecar de novo. Não fazia isso desde o tempo em que eu promovia festinhas freaks com o Radji e o Cachorro. Um grande abraço e muito obrigado aos amigos Gustavo (aka DJ Zé Pereira), ao DJ Mezenga Bill (aka Jean Mafra) e à simpática e guerreira Ariela Grubert.
E nesse mesmo sábado rolou também o Clube da Luta. Após o Chá Dançante, fomos todos para lá e chegamos ao final da apresentação da Maltines, ainda a tempo de assistir as bandas Kratera e Rufus. Que paulada! O Clube se agiganta com a entrada de novas bandas e ainda neste mês, no dia 28, terá sua primeira edição em Curitiba.
A iniciativa de reunir o que de melhor é feito na música catarinense cruza fronteiras e repercute longe. As últimas notícias são alvissareiras. Novas parcerias devem incrementar esse caldeirão musical onde o que conta é a qualidade. Salve Santa Catarina!

R.I.P

Morreu ontem, num acidente de moto, o Orelha, um dos organizadores do Rural Rock Fest, festival que acontece na cidade de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. Muita paz e força para a família e para os amigos.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

É amanhã!


Como diz a Joice: Quem tem amigos tem tudo

Meu amigão do coração Felipe, o Zylber, florianopolitano residente na Paulicéia onde trabalha na Editora Abril, entrou no mundo do bloguismo e está com este endereço: Zylbersz . E através do Zylber fui descobrir o blog de outro camarada florianopolitano que se bandeou, mas esse para Porto Alegre, o Piangers. Salve rapaziada da Baiúca!

quinta-feira, 19 de abril de 2007

A luta continua




Eita que sábado, 21 de abril, a coisa vai ferver. Organizado pelo DJ Zé Pereira e pelo Jean Mafra o Chá Dançante vai chacoalhar o Café Matisse. E o DJ convidado é nada mais nada menos do que este que vos escreve. Já tou preparando uma seleção caleidoscópica de sonzeras. A coisa começa cedo, às 17 hs e segue até meia-noite.

Depois as baterias viram-se para o Café Fios & Formas onde acontece mais uma edição do famigerado e incrível Clube da Luta. Com a estréia de Kratera e da Maltines, além da banda Rufus. E o melhor de tudo, só 5 pilas pra entrar em cada festa. E tu vai ficar em casa?

Paulicéia Desvairada








Cosamalinda ver as mudanças que a lei que proíbe outdoors e regulamenta as fachadas de estabelecimentos comerciais em São Paulo está fazendo pela cidade. Prédios simpáticos surgem por trás das antigas propagandas. O pessoal agora vai dar um trato e em alguns meses um panorama completamente diferente, colorido, arejado, será visto. Hoje peguei algumas imagens dessa revolução no Trabalho Sujo do Alexandre Matias. Ele colocou fotos do fotolog do Tony de Marco. Fui lá visitar e divido um pouco com vocês.

PS: Alguns amigos que acessam o blog me perguntaram sobre os comentários. Abaixo de cada post você clica em comments e pode discordar, malhar, espinafrar e até elogiar. Mas tudo com elegância e fair-play, ou eu limo sem dó nem piedade pra manter o nível.

Cookie Monster

Descobri um programinha legal para legendar vídeos. Chama-se Mojiti. Pra aprender a mexer legendei um vídeo do adorável Cookie Monster da Vila Sésamo e do Muppet Show. Que figura! É o lariquento-mór.

With a little help from my friend Joice

Com a cortesia da minha amiga Joice dos blogs Implicante e Vozes do Sul, o texto de Roberto Mangabeira Unger citado anteriormente, na íntegra.



A QUESTÃO NACIONAL

Uma questão ultrapassa em importância todas as outras no Brasil de nossos dias: a questão nacional. Para que o país se construa e alcance o tipo de desenvolvimento que quer, afirmando dentro da humanidade personalidade própria e desbravando rumo certo, precisamos superar o que tem sido nossa maior fraqueza.
É a mentalidade de Vichy, que predomina -e que quase sempre predominou- entre nossas classes abastadas e imperantes.
No Brasil, quem inveteradamente se identificou com a nação foi o povo pobre, trabalhador e mestiço.
A classe média oscilou entre a rebeldia nacional e o espírito de rendição. E os ricaços e ilustrados, em grande maioria e em todas as épocas da história brasileira, inclusive a atual, nunca creram na originalidade do Brasil. Viram o país muitos, e o vêem hoje, como lugar onde a doçura e o atraso vivem casados. Segundo eles, com os indispensáveis préstimos e heranças pode levar-se no Brasil vida agradável, porém atribulada por atraso em consolidar os hábitos e as instituições de países mais exitosos e menos suaves.
Essa falta de identificação com o Brasil por parte dos que podem e sabem não é apenas desastre, é também anomalia. Na história dos grandes países modernos, a afirmação nacional tem sido comumente projeto das elites, sobretudo das elites do poder e do pensamento. A tal projeto só depois se costumam converter as maiorias.
Entre nós, as maiorias não precisaram ser convertidas. E não conseguiram converter os endinheirados, os letrados e os mandões.
A forma característica do descomprometimento com o Brasil hoje é cosmopolitismo frívolo, comodista, acovardado, orgulhoso de sua desilusão e, sobretudo, ignorante. Ignorante do papel decisivo que a confiança na originalidade coletiva e a busca de caminho novo desempenharam na formação dos países a que esses mesmos desiludidos se curvam. O colonialismo mental encontra pretextos no discurso da globalização e instrumentos nos fatalismos que proliferam nas ciências sociais.
É hora de fazer guerra contra a doutrina da rendição perpétua.
Nunca se reuniram tantas condições favoráveis à vitória da tese nacional acalentada pela maioria. O Brasil está a um passo de construir as bases de desenvolvimento socialmente includente. A ascensão da China e da Índia nos cria mais oportunidades do que dificuldades.
O governo central não está mais em mãos de gente que desacredita no país. Os fatalismos estão intelectualmente desmoralizados. A nação fervilha, espera e exige.


quarta-feira, 18 de abril de 2007

Todo mundo vai embora, todo mundo tem sua hora





Com um pequeno exército ele saiu da Sierra Maestra e tomou um país que era o playground dos americanos abastados e putanheiros e até hoje está no poder. Mesmo discordando de regimes ditatoriais, de fuzilamentos, de falta de liberdade de expressão, não posso deixar de admirar muitas conquistas dos cubanos com a Revolução liderada por Fidel Castro. E o que aconteceu nesta pequena ilha do Caribe, nas barbas do Tio Sam, foi uma revolução. Aqui no Brasil nós tivemos foi um GOLPE que destituiu um presidente de direito.

Ontem Mino Carta informou em seu blog que o Michael Moore esteve em Cuba conhecendo o sistema de saúde do país. Disse Mino e eu dissemino ( com o perdão pela sub-poesia concreta):


Michael Moore, o cineasta transgressor, visitou Cuba e voltou a Nova York com a seguinte conclusão: a saúde pública na ilha é muito mais democrática, eficaz e funcional do que nos Estados Unidos. O próximo filme de Moore destina-se a desvendar, leio no Il Corriere della Sera de hoje, a debacle do sistema de saúde americano, refém das multinacionais farmacêuticas e das companhias de seguro. Este é o modelo copiado no Brasil, como tantos outros de puríssima marca estadunidense, e de hábito transformados em caricaturas. Gostaria que Moore nos visitasse de câmera em punho para constatar.

É coisa nossa

Post do blog do Nassif ontem. Gostaria de postar o artigo de Mangabeira na íntegra mas é acessível somente para assinantes da Folha.

A questão nacional

Muito bom o artigo do Roberto Mangabeira Unger na "Folha" de hoje sobre um paradoxo brasileiro: a identidade nacional está presente nas classes mais populares e desassistidas e ausente das elites, ao contrário de todos os países com projetos de afirmação nacional.

"Essa falta de identificação com o Brasil por parte dos que podem e sabem não é apenas desastre, é também anomalia. Na história dos grandes países modernos, a afirmação nacional tem sido comumente projeto das elites, sobretudo das elites do poder e do pensamento. A tal projeto só depois se costumam converter as maiorias.

Entre nós, as maiorias não precisaram ser convertidas. E não conseguiram converter os endinheirados, os letrados e os mandões.

A forma característica do descomprometimento com o Brasil hoje é cosmopolitismo frívolo, comodista, acovardado, orgulhoso de sua desilusão e, sobretudo, ignorante. Ignorante do papel decisivo que a confiança na originalidade coletiva e a busca de caminho novo desempenharam na formação dos países a que esses mesmos desiludidos se curvam. O colonialismo mental encontra pretextos no discurso da globalização e instrumentos nos fatalismos que proliferam nas ciências sociais".

Toma lacaio

Diogo Mainardi se ferrou. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, ganhou em primeira instância um processo movido contra o "jornalista" da Veja, por danos morais na 2ª Vara Cível do Rio de Janeiro. Mainardi foi condenado a pagar R$ 30 mil.

Mainardi acusou Franklin Martins de ter participado da quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa, episódio que resultou na saída de Palocci do Ministério da Fazenda, e de ter beneficiado familiares em contratações pelo serviço público.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Sad but it's true

E você ainda duvida de que, como dizia Voltaire," deixaremos este mundo tão tolo e tão malvado como o encontramos quando chegamos a ele"? A maravilha que é a era da WEB 2.0 tem seu lado negro. Os amadores estão conquistando o mundo. Muita opinião e pouca informação. Cada vez mais falta cultura pra cuspir na estrutura. Mas seguimos desafinando o coro dos contentes.

sábado, 14 de abril de 2007

Viver na flauta não é mole não




Falando em estranhos acontecimentos e músicos em Florianópolis, no próximo dia 21 de abril, farão 100 anos da morte do flautista Patápio Silva aqui em nossa cidade. Patápio foi considerado o inventor do "dugue-dugue", uma técnica em que o flautista ressalta a melodia apoiando as notas altas com inúmeras notas arpejadas e que aproximou a música erudita do chorinho brasileiro. Entre sua composições um dos destaques é "O Sabão", uma polca com estrutura inovadora para os padrões da época. "A melodia literalmente escorrega por entre os tons, passando maliciosamente pelos semitons (o que os técnicos chamariam de cromatismo), conferindo à melodia sua característica bem brasileira", diz o livreto "Patápio: Músico Erudito ou Popular?", publicada em 1983 pelo Ministério da Educação e Cultura.

Patápio estava em turnê pelo Brasil quando chegou em Florianópolis em 1907, vindo de Curitiba. Aqui adoeceu e agonizou 10 dias num hotel da Rua Conselheiro Mafra, até que passou desta para melhor. As circunstâncias misteriosas geraram várias versões, algumas semelhantes às da morte do bluesman Robert Johnson.

De acordo com o verbete sobre ele na Wikipédia, " tocava e compunha com a mesma desenvoltura, transitando naturalmente pelo erudito e popular. Foi considerado gênio ainda em vida, e a morte precoce reforçou o mito. Era com entusiasmo que Florianópolis aguardava a apresentação do virtuose naquele distante 1907. A uma semana do espetáculo, o jornal "O Dia" comemorava: "A nossa sociedade, tão pobre de distrações artísticas, vai ter dentro de poucos dias o prazer de ouvir um flautista de raro merecimento". O concerto estava marcado para 18 de abril. Seria no Clube 12 de Agosto. "O exímio flautista Patápio Silva foi ontem acometido de forte influenza, recolhendo-se ao leito com febre alta", noticiou "O Dia". Apenas depois da morte de Patápio é que desconfiou-se de infecção intestinal, possivelmente causada pela ingestão de alimento contaminado. As condições sanitárias da época eram precárias. Também se falou em envenenamento. De acordo com essa versão, Patápio teria cortejado a mulher de um importante político local, sendo por isso alvo de vingança. Correu ainda a história de que o flautista viajava acompanhado de uma bela mulher, que teria despertado a cobiça do tal figurão e inspirado a idéia do envenenamento. Mas nada disso foi comprovado. Centenas de pessoas foram ao velório no saguão do Hotel do Comércio, onde Patápio viveu os últimos momentos (o prédio da Conselheiro Mafra, em frente à Alfândega, abrigava ultimamente as Casas Coelho, loja que sofreu um incêndio ). Os pertences do músico foram confiscados pelo hotel como pagamento das diárias ­ inclusive a flauta, que teve destino ignorado. Em 1915, os restos mortais de Patápio foram exumados a pedido da família e transladados para o Rio de Janeiro.

Com essa, encerro - por enquanto - os fatos estranhos e macabros que aconteceram em Florianópolis com alguns músicos. E notando que ainda hoje a nossa "sociedade" carece de "distrações artísticas", no sentido de políticas culturais do governo. A elite governamental é ignorante e vive ainda lá no séc. XIX, nem chegou ao séc. XX. Ô racinha brega e colonizada. LHS estende o tapete pro Domenico de Masi fazer a política cultural de SC. Cheio de gente competente e talentosa no quintal de casa e o sinhô pelo jeito vai deixando a classe artística catarinense à margem de todo o processo novamente. Quanta criatividade ociosa doida pra trabalhar! É por isso que damos o grito de toda força às iniciativas como o Clube da Luta e tantas outras.

Toma FHC




A coalizão do Lula para o segundo mandato tá foda! A costura juntou de tudo nesse governo. Vamos estar de olho mas o prazer de ver os tucanos abrirem o bico pra dizer "Estamos aniquilados" é bom demais né não? Tamos muito mal de oposição agora só com esses "Democratas" e alguns ex-esquerdistas, tipo o Gabeira.

Luís Weis escreveu no Observatório da Imprensa sobre a repórter da Folha que entrou com um gravador "no festivo jantar do presidente Lula com as duas centenas de políticos - ministros, deputados, senadores, governadores e outras excelências - que compõem a elite pemedebista, anteontem à noite." O presidente discursou soltinho e veio com frases assim: "São as circunstâncias históricas que permitem que, em determinados momentos, a gente seja mais progressista, mais conservador, que a gente seja amarelo ou seja verde. Quem faz política não pode ser que nem a parede de uma hidrelétrica, "imexível" como diria o Magri [Antonio Rogério Magri, ministro do Trabalho no governo Collor]."

Lula cada dia me parece mais com Getúlio Vargas, nas artimanhas e jeito de governar. Pra uns mera retórica. Um amigo jornalista, que trabalha na Câmara Federal, contou que o deputado Ciro Gomes outro dia ria-se na sala do cafezinho deliciando-se com esse balão que Lula tem dado em quem tenta entendê-lo analisando suas táticas sem ver as estratégias.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Coisas da Ilha




Outro dia escrevi aqui que Florianópolis zicou o ministro Gilberto Gil com as autoridades norte-americanas da Imigração. Ele foi recentemente detido num aeroporto dos EUA por conta de sua prisão por porte de maconha em Florianópolis nos anos 70. Bem, ontem comecei a ler o livro BRock - O rock brasileiro dos anos 90 - de Arthur Dapieve, e lá tem mais outra história de alguém que se ferrou portando drugs da ilha: Lobão. João Luís Woerdenbag, o Lobão, foi preso com 1 grama de cocaína na bagagem em fevereiro de 1987 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, ao voltar de Florianópolis. Foi um período barra para o roqueiro que amargou mais uma prisão com pó um mês depois e acabou encarcerado por 32 dias. Ao mesmo tempo isso impulsionou sua carreira, desculpem o trocadilho infame, e as vendas do disco Vida Bandida que se tornou seu maior sucesso comercial.

Florianópolis não é chamada de Ilha da Magia à toa. Coisas muito mais estranhas do que prisões de músicos acontecem aqui. A Ilha definitavamente é uma mulher, com muita personalidade. Em outro momento retornarei ao tema.

Burnin' Down the House




A casa onde Johnny Cash e sua esposa June viveram de 1968 até sua morte em 2003, foi totalmente destruída pelo fogo na última tarde de quinta. A construção estava na etapa final de uma reforma feita pelo atual proprietário, Barry Gibb dos Bee Gees, que havia comprado a residência dos Cash em janeiro de 2006. O cowboy rocker ficou mais conhecido entre nós depois da sua cinebiografia estrelada por Joaquim Phoenix ( eu tinha escrito River Phoenix mas esse morreu faz tempo depois de uma balada irada com alguns Chili Peppers. Valeu o toque Megui!) , como Johnny, e Reese Witherspoon como June.

Salve Simpatia!




Essa vem do blog do brother Dauro Veras.

Já tinha ouvido falar no Profeta Gentileza do Rio de Janeiro. Acho fantástico esse tipo de pessoa, extremamente discriminada e tão importante e necessária ao mundo. No museu virtual sobre o Profeta Gentileza pode-se ler a biografia incrível dele e ver um pouco da sua obra. Vai um pouquinho aqui:

"Com mais nove irmãos, José Datrino teve uma infância de muito trabalho, onde lidava diretamente com a terra e com os animais. Para ajudar a família, puxava carroça vendendo lenha nas proximidades. Desde cedo aprendeu a amar, respeitar e agradecer à natureza pela sua infinita bondade. O campo ensinou a José Datrino a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, como profeta Gentileza, se dizia “amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento”. Desde sua infância José Datrino era possuidor de um comportamento atípico. Por volta dos doze anos de idade, passou a ter premonições sobre sua missão na terra, onde acreditava que um dia, depois de constituir família, filhos e bens, deixaria tudo em prol de sua missão. Este comportamento causou preocupação em seus pais, que chegaram a suspeitar que o filho sofria de algum tipo de loucura, chegando a buscar ajuda em curandeiros espíritas."


"No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, quando tinha 44 anos, houve um grande incêndio no circo “Gran Circus Norte-Americano“, o que foi considerado uma das maiores tragédias circenses do mundo. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças. Na antevéspera do natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alucinado ouvindo “vozes astrais“, segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro longos anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras “Agradecido” e “Gentileza”. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar “José Agradecido“, ou simplesmente “Profeta Gentileza”."

Seja benvindo Léozinho




Nasceu hoje o menino, filho do André Guesser, baterista da Samambaia, e da querida Aline. O ariano apressadinho rompeu a bolsa da mamãe de madrugada e veio ao mundo, de cesariana, às 8 horas da manhã desse dia 13 de abril, com 51 cm e 4 kg. Dá-lhe meninão! Meus parabéns aos papais, vovós, vovôs,titias e titios.

Bolachões




Amanhã, à partir das 9 hs, tem Feira do Vinil no Restaurante Sheriff Grill, na Rua Fernando Machado, Centro de Florianópolis. Boa pedida pra fazer um escambo de sonzeras.

Tudo a ver. Discos antigos na mais antiga rua de Florianópolis. A Fernando Machado foi originalmente o caminho que ligava a Catedral, então o centro da povoação erguida pelo bandeirante Dias Velho, à um riacho de água pura, que hoje é um esgoto que corre debaixo do canteiro central da Rua Hercílio Luz.

terça-feira, 10 de abril de 2007

British Invasion

Numa tarde de julho de 2004 o Cristiano, manager da banda Pipodélica, me chamou no MSN e perguntou se eu tinha interesse em produzir um show em Florianópolis para uma banda inglesa que tocaria no Festival Rock de Inverno em Curitiba. Me passou o link do site da banda, chamada Transcargo. Fui conferir e adorei a música. Vi que não se tratava de mais um grupo indie xexelento. Era pop da mais alta qualidade. Um bando de ótimos músicos com grandes canções e melodias perfeitas. Topei imediatamente e no início de agosto realizei um show com a Transcargo e a Pipodélica no John Bull em Florianópolis. Os pouco mais de 100 felizardos que compareceram tiveram uma experiência e tanto.

A banda gostou tanto da acolhida em Floripa que passou 4 dias na cidade. Durante essa estadia fomos tomar umas cervejas numa segunda-feira no bar Drakkar. Se tratando de ingleses essas umas são muitas. Saímos de lá, bebaços é claro, com mais um show fechado em cima da hora para a terça-feira. Na noite seguinte quem havia ido ao John Bull repetiu a dose e repassou a mensagem. O Drakkar ficou lotado. Pra completar, quando eu estava me dirigindo ao bar, lá pelas 19 hs, me liga o Amexa, da banda os Ambervisions, dizendo que estava ciceroneando um grupo uruguaio, Os Supersônicos, e que eles gostariam de tocar também. Maluco que sou eu topei, no dia em que o Drakkar balançou e quase caiu.

Transcargo fez uma apresentação boa pacacete. Em pouco mais de uma hora de show deram o recado e finalizaram com chave de ouro a passagem por Florianópolis. Depois da catarse que proporcionaram, olhei praqueles uruguaios locos e pensei: o que é que esses caras vão fazer agora? Qual a relevância de subir ao palco após tamanha descarga energética? Pois os caras subiram e conseguiram se impor e cair no agrado do povo. Recorreram às gimmicks para se estabelecerem. Dancinhas robóticas engraçadas, guitarrista tocando sentado nos ombros do outro guitarrista e por aí vai. Fizeram com que uma noitada que estava ótima, ficasse excelente. Dois shows internacionais e uma festa e tanto.

Transcargo ainda tocou em São Paulo e União da Vitória mas Floripa foi marcante como deixaram bem claro pra mim e pro Fábio "Mutley" Bianchini, que fez uma bela matéria com a banda para o DC. Além de levá-los para um programa bem de turista - comer sequência de camarão no Oliveira - apresentei-os à mais desconhecida de nossas praias: a prainha da Barra da Lagoa, onde o produtor e video-maker Ciáran, um irlândes ruivo, gorducho, super gente-fina e extremamente resistente às intempéries e à cerveja, filmou cenas para futuros clipes. No site da banda na seção Images, as fotos de praia são todas nesse local. Esses dias encontrei no YouTube vídeos com as apresentações da Transcargo em Curitiba. Foram postados pelo Marcelo, curitibano que vive em Londres e que foi um dos articuladores dessa tour.

Bem, aí tu me pergunta: E daí? Hehehe. Depois dessa enrolação e marketing pessoal barato eu digo: E daí que vai ver/ouvir e diz se não é massa.



E aqui vão de lambuja 3 músicas do primeiro CD da banda para download. Clique e aguarde alguns segundos para carregar e então clique novamente em Download file.

Transcargo - Saturday

Transcargo - Collision

Transcargo - If Only

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Ô coisa boa

Domingo de Páscoa classe A. Churrasco, pavê, chocolate, pitanga colhida no pé, um banho no mar quentinho do Campeche depois de uma baita tempestade e muita conversa boa deitado na rede. Espero que o de vocês tenha sido assim bom também. Deixo-os com um vídeo daquele que é, e sempre será, uma presença constante neste blog: Raul Seixas, cantando o Rock do Diabo, ao vivo.


quarta-feira, 4 de abril de 2007

Robert Crumb

O papa do quadrinho underground em uma história publicada no número 1 da Zap Comix. Lembrando que clicando na imagem ela é ampliada.










terça-feira, 3 de abril de 2007

Falou e disse

Sobre a movimentação de bandas que estão tomando os espaços públicos para mostrar sua arte, escreveu hoje o jornalista Marcos Espíndola na Contracapa do DC.


Se os nossos gestores públicos forem espertos, e não se deixarem contaminar pelo vírus da preguiça e o bacilo da ignorância, assumirão as rédeas desta onda, criando um circuito artístico muito interessante e promissor. Caso contrário é tomar a frente pelo nosso direito de cidadãos de acesso à cultura, arte e à livre manifestação. Que as bandas, poetas e demais realizadores das artes ocupem os espaços públicos para promover suas sacadas e o público faça valer o seu direito ao entretenimento. Desobediência civil também tem seus propósitos benéficos. Em resumo, contra a mesquinharia que teima em reinar, vamos à anarquia cultural!

E viva Santa Catarina!

Cascuda




Olha só essa. Keith Richards disse em entrevista à revista musical inglesa NME que a coisa mais estranha que ele cheirou foi seu pai. É, seu pai. "Ele foi cremado e eu não pude resistir. Moí um pouco das cinzas do velho com um pouco de cocaína" afirmou o imortal guitarrista dos Rolling Stones.
Fico imaginando o que que ele não estava fazendo em cima daquele coqueiro.

Heart of Glass




Lily Allen faz um cover de Blondie em Seattle. É um barato não?

segunda-feira, 2 de abril de 2007

É AGORA!




Ontem fui assistir o desenho animado Wood & Stock, de Otto Guerra, baseado nas personagens de Angeli. Pra quem já tinha devorado a obra do genial e corrosivo artista, poucas surpresas. As velhas piadinhas só que dessa vez com algum movimento. O desenho padece daquela falta de ritmo típica do cinema brasileiro até bem recentemente. A trilha sonora é um destaque. Começa bem paca com Rita Lee em "Eu Vou Me Salvar" do seu primeiro disco solo Build Up.

Na saída da sala de cinema do Sol da Terra, na Lagoa da Conceição, é que tive uma surpresa. No meio do público vejo o Edson Machado. É. Aquele que se tornou um símbolo do descaso do governo LHS com a Cultura catarinense. Aquele que chamou os artistas que contestam esse mesmo governo de "grupo tóxico". Tava lá ele com aquele seu cabelo cheio de gel e aquela cara de "gente de cultura", de "gente que faz"...merda!

Mas gente de cultura é alguém como o Jean Mafra, meu querido chapa e grande músico/compositor pensante e atuante. Ele dá o recado em sua coluna no site Tô Puto. Reproduzo aqui na íntegra.

senhoras, senhores, eis que de repente, AGORA, uma cidade é acordada! e essa cidade grita: AGORA! AGORA porque o momento pede urgência, e a urgência é necessária porque a cidade tem pressa!

| vive-se ilhado na ilha de santa catarina, parece óbvio e é mas florianópolis sai, AGORA, do estado de semi-óbito para mostrar a quem quiser (ou não) seu som! e AGORA é a cena e a cena é AGORA. porque a gente quer e a cidade precisa (e AGORA!).

| se em 2006 vários nomes da música pop(ular) de floripa se juntaram para apresentar suas canções no CLUBE DA LUTA (em noites de combate contra a imbecilidade ilhada), em 2007 a cidade grita: AGORA! e ainda que o CLUBE seja novidade, a LUTA é a mesma de sempre — e se a luta é injusta, o CLUBE está aí para fazer justiça! AGORA!

| e AGORA é a cena porque a cena tem pressa e a vida é curta. a cidade é linda mas é má! e se ela dá, ela exige: lute. AGORA! e florianópolis é uma moça linda, mas é uma moça burra e com mau hálito. mas daqui pra frente tudo será diferente (e a partir de AGORA!). pois é preciso amar a cidade e ao amá-la saber que a cidade não é só morro e mar, a cidade é também concreto e é entre o mar e o concreto que surge o som AGORA.


| AGORA é uma cena diversa e divertida que ainda nasce. mas renasce e morre e renasce todo dia em florianópolis AGORA. e a cena tem muito a oferecer ― maltines, samambaia sound club, gubas & os possíveis budas, rufus, felixfônica, andrey & a baba do dragão de komodo, tijuquera, cravo da terra, aerocirco, jeremias sem cão, coletivo operante, dub noise dj, killing ana, dj zé pereira, odas & sodas, tatiana cobbet & marcoliva, z?, dj mezenga bill, fonomotor, dellamark, quem diria maria, hot pants, silvio mansani, ilha de nós, da caverna, os berbigão, supersilvas, kratera, verano, dj marcelo pimenta, kronix, zuleika zimbábue e outros tantos que o digam! e que digam AGORA!

e tem mais: um som da ilha não houve e nem há! há sim diversidade, e é isso que esses nomes têm em comum: diferenças! só assim uma cena é cena, com pluralidade. em comum há o fato de todos estarem aqui e AGORA!

AGORA é a cena e a cena é AGORA!

e esse é o som da cidade AGORA!


É isso aí. Nossa tarefa AGORA é a construção de pontes. Chega de ficar ilhado. Pelo andar da carruagem Florianópolis assistirá algo como desde o grupo SUL não se via. Uma movimentação multi-cultural, interdiscipinar. Faço coro com o Jean sobre a necessidade dessa terra, histórica, política e culturalmente defasada, abraçar o pop(ular). Como diz ele: " O pop é que paga as contas!". E tem muito mais gente trabalhando esse atraso: Marcos Espíndola, Zé Rafael Mamigoniam, Valdir Agostinho, Fábio "Mutley" Bianchini, Pintô Sujêra, Alejandro Ahmed, Rodrigo Cunha, Marco Valente, Vinil Filmes, Pipodélica, Alexandre Gonçalves, Airton Perrone, Nação Balanço, Joca Wolff, Emerson Gasperin, Kratera, Rádio Campeche, Dazaranha, Galvão, Lígia Gastaldi, Ambervisions, Sarcástico, Crica Gadotti, ERRO grupo, Polifônica, Demétrio Panarotto, Júlio Lemos, Dauro Veras, Sérgio Calderaro, Fábio Brüggemann, Tô Puto, Érico, Sallamantra, Lontra, Missiva, Stormental. Esses são alguns dos nomes, a lista cresce a cada dia que passa. Que tempos interessantes vivemos.

sábado, 31 de março de 2007

Piada sem graça




Amanhã, 1 de abril, seria a data correta para alguns espíritos de porco comemorarem os 43 anos do golpe militar. Essa coincidência sincrônica foi passada na história oficial para 31 de março por motivos óbvios de "força maior". Os filhos e netos dos vendidos e até uns "democratas" que participaram ativamente dessa patuscada abominável ainda estão aí, clamando pelo Estado menor e pela livre iniciativa, ao mesmo tempo em que mamam no BNDES, no Banco do Brasil e nas verbas publicitárias governamentais, chupinhando a Nação. Por gerações e gerações as cartas sempre estiveram marcadas. O jogo estava ganho na saída, sempre favorável para poucos. Sempre os mesmos. Agora bota a mão na consciência, dá uma caminhada pelas ruas, informe-se e diga que nada mudou.
Hoje lembro Edgar Alan Poe e digo junto com o corvo: Nunca mais!

Lula lá




Dizia Jimi Hendrix na sua groovada e deliciosa música Power of Soul com a Band of Gypsys: " With the power of soul, anything is possible!"*. E para embalar o sabadão de sol, trago esta história contada por Ricardo Amaral, interino de Franklin Martins no site que o atual Secretário de Comunicação do governo Lula tem no IG. Ricardo a ouviu do governador petista Marcelo Déda, membro da comitiva brasileira na Assembéia Geral da ONU em setembro de 2003, quando ainda era prefeito de Aracaju.


Fim de jornada, Lula chama o prefeito Déda à suíte do hotel, para curtir a repercussão do seu primeiro discurso na ONU. O presidente está à vontade, de calção preto e camisa do Corínthians, fumando sua cigarrilha holandesa.

- Ô, Dedinha, sabe o que eu estou imaginando agora? O pessoal no bar lá em São Bernardo, vendo pela televisão o Lulinha aqui falando na ONU. Sabe o que pessoal deve estar pensando lá em São Bernardo? Você imagina, Dedinha?

O prefeito de Aracaju faz um conveniente silêncio, antes de Lula concluir:

- Eles estão pensando: nada é impossível...

O chanceler Celso Amorim interrompe o devaneio para lembrar que Bush está oferecendo um jantar aos presidentes estrangeiros no Waldorf Astoria.

- Ô, Celso, quantos presidentes vai ter lá?

O chanceler calcula que, por baixo, uns cem chefes de Estado devem comparecer à recepção.

- Isso tudo? Então o Bush nem vai reparar na minha ausência, não é, Celso?

E de volta ao devaneio:

- Nada é impossível nesse mundo, Dedinha. Nada. É nisso que o pessoal deve estar pensando lá em São Bernardo.



Para alguns pobres de espírito é munição. Que meçam e julguem os outros como lhes agradar e com seu metro falho. Ó seres imaculados...hahaha. Um bom fim de semana pra todos.

* " Com a força da alma tudo é possível".

sexta-feira, 30 de março de 2007

Os Dinossauros também amam





Do MUJA - Museo del Jurásico de Asturias da Espanha. Via Sexoteric Blog.

Quarta Guerra Mundial



Essa li no blog Diário Gauche.


O Subcomandante Insurgente Marcos, reconhecido como porta-voz do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), em conferência organizada pelo Centro de Análise Políticos e Pesquisas Sociais (CAPISE) que reuniu lideranças latino-americanas da Via Campesina, afirmou que entramos na era da IV Guerra Mundial, na qual o "inimigo" é o planeta e não apenas os seus habitantes, mas também tudo que está nele: a natureza.

A conferência "A guerra de conquista sobre o campo mexicano" foi publicado na íntegra pelo diário mexicano La Jornada, do último dia 26/3. Abaixo, trechos da fala de Marcos.



Sobre a Guerra Neoliberal

A etapa atual do capitalismo é, no sentido estrito, uma nova guerra de conquista. A IV guerra mundial, uma guerra em todas as partes, o momento todo, de todas as formas. A mais mundial das guerras. O mercado converte em mercadorias bens que antes eram ignorados ou permaneciam fora do circuito mercantil.

Assim, a água, o ar, a terra, os bens que estão no subsolo, os códigos genéticos e todas essas "coisas", que antes eram desconhecidas ou careciam de valor de uso e troca, converteram-se durante os vertiginosos últimos anos em uma mercadoria.

A mercadoria que permanece, apesar das mudanças e dos avanços tecnológicos e informacional é a força de trabalho, as trabalhadoras e os trabalhadores do campo e da cidade. O sonho capitalista de um mundo sem trabalhadores, apenas com robôs e máquinas que não exijam os seus direitos, nem se sindicalizem e façam greves é isso: um sonho. Outro mundo apenas será possível sobre o cadáver do capitalismo, como sistema dominante.

A globalização do capital destruiu as fronteiras nacionais e reacomodou o mundo. A lógica do mercado é agora o que determina as relações internacionais e as relações dentro dos moribundos Estados Nacionais.

A lógica do mercado esconde, por detrás de sua aparente inocência, a lógica da exploração, da espoliação, da repressão e do desprezo, ou seja, a lógica do capitalismo. A riqueza capitalista tem como origem o roubo e a exploração.

A revolução tecnológica e informacional trouxe consigo a possibilidade da simultaneidade e a onipresença do capital, fundamentalmente do seu setor mais emblemático: o capital financeiro.

Na Globalização Econômica Capitalista, ou seja, na IV Guerra Mundial, o "inimigo" é o planeta, não apenas os seus habitantes majoritários, mas também tudo que está nele: a natureza.

O Imperialismo mudou as suas formas de guerrear, mas o amo segue sendo o capital e seu imperador vitalício, o capital financeiro.


Concordo mas acrescento que o "inimigo" e o "Imperialismo" também estão dentro de nós. Auto-conhecimento é a chave da vitória nessa guerra.

Triste notícia

Quem encontrei também ontem nos shows da escadaria do Rosário, foi o Chico. O cara é um grande tatuador e organizamos muitas festas quando fui gerente de um bar. O Chico tá morando em Londres e divide um apartamento com o Lucão, um amigo de grande coração, excelente editor de vídeo e neto do poeta Manoel de Barros. A notícia triste que o Chico me deu foi que o Lucão estava voltando pro Brasil naquele momento por que o pai dele acabara de falecer num acidente aéreo. Ficamos todos aqui muito chocados e tristes. Desejo muita paz pro Lucão e sua família neste momento de dor.

O primeiro degrau




Bem ao sabor dos tempos segue uma clássica HQ dos Fabulosos Freak Brothers. É só clicar na imagem para ampliar.

Alea Jacta Est




Tenho grandes mestres, e eles me ensinaram que a História é feita pelo indivíduo. Podemos interferir e mudar. Pra mim não é uma questão de fé, e sim de verificação atráves da tentativa e erro. Sou um empírico. Começo o post assim, inspirado por um e-mail de um colega músico que pergunta se eu realmente acredito na atual efervescência da música catarinense e se não acho que isso é só "um sonrisal num copo de Coca". Reafirmo: " A música catarinense vive um momento efervescente". E o movimento é sólido. Ontem tive mais uma prova disso. As bandas Andrey e a Baba do Dragão de Komodo, Samambaia Sound Club e Siri Goiá reuniram cerca de 300 pessoas, segundo o Data Esquerda Festiva, fora as que circularam numa apresentação na escadaria do Rosário, ponto tradicional no Centro da Capital Catarinense. O evento foi organizado e bancado pelos músicos mas shows gratuitos ao ar livre deveriam entrar no calendário cultural da cidade e ter apoio oficial e da iniciativa privada.

As pessoas estão ao pouco conhecendo o som que está sendo feito pelos músicos locais, algo semelhante ao que aconteceu nos anos 90, depois que surgiu a banda Dazaranha. Ontem na escadaria do Rosário estavam estudantes, pessoas que saíram do trabalho, crianças, idosos, familiares dos músicos, músicos, fãs, escritores, cineastas, e muito gambá caseiro* voltando a sair da toca. Revi meu velho camarada Zezão, ex-baterista da Motherfucker, que há anos não toca e me disse que amanhã está reunindo-se com o Alexandre Iron para fazer um som! A cena está nascendo e os bares, que como dizia o nome daquele disco do Frank Zappa só estão nessa only for the money, que abram os olhos.



* indivíduo que só faz festas no seu lar ou de outrem. Ou indivíduo que compra sua birita no atacado e bebe em casa, sozinho ou com outros gambás.

quarta-feira, 28 de março de 2007

No Brasil não existe racismo...


...já diria Ali Kamel. Esse quadrinho do Reinaldo, aquele que hoje participa do chatérrimo Casseta & Planeta, foi publicado no suplemento Jam, que fazia parte da fantástica Chiclete com Banana. Muitos anos antes daquela banda "emporcalhar" o nome como diria o Angeli, o cartunista lançou uma revista que reunia gente como ele, Laerte, Glauco, Fábio Zimbres e outros ótimos artistas. Chiclete com Banana foi um sucesso editorial embalado pelo Plano Cruzado do Sarney. Com um dinheirinho sobrando no bolso a classe média foi às bancas. As tiragens ultrapassavam os 100 mil exemplares. Imagine, isso com um conteúdo pra lá de anárquico. Foi lá que ouvi falar pela primeira vez nos beatniks. Eram quadrinhos da maior qualidade, sexo, drogas e rock'n'roll, política, humor ácido e tudo mais que a Esquerda Festiva gosta. Lembrando que clicando na imagem ela é ampliada



terça-feira, 27 de março de 2007

A Taça é nossa!




Não sou o primeiro a vir com as últimas mas não posso deixar de registrar que Samambaia Sound Club venceu o concurso Paredão Telecom de bandas de rock, no último fim de semana em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. É a força da música catarinense que vive um momento efervescente. Parabéns Samambaios!

Meritocracia

Saiu hoje na coluna da Juliana Wosgraus no DC:

Convite

Márcia Mell recebeu convite para fazer uma participação especial como atriz na peça E Agora o que eu faço com o pernil?, comédia que depois deste final de semana em Floripa, estará em cartaz em Joinville e Blumenau. Mas nestas cidades ainda sem data definida.

De qualquer maneira o convite, feito pelos atores Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça, devido à sua participação no musical Cleópatra, já está aceito.


Pra quem não sabe a fofucha é filha do governador Luiz Henrique da Silveira e tem tanto talento quanto um pé de alface. Na posse de papai errou a letra e desafinou dolorosamente ao cantar o Hino Nacional.

A Rosamaria Murtinho e o Mauro Mendonça devem estar querendo é ganhar uns 500 mil reais da Fundação Catarinense de Cultura(?) assim como a Vera Fischer ganhou no ano passado para uma turnê fracassada.

domingo, 25 de março de 2007

No meu, no seu, no nosso



Reportagem de Carta Capital desta semana mostra que o Banco Central faz reuniões secretas com executivos de grandes bancos. Como informa a revista ," as ligações estreitas entre o BC e o mercado, no Brasil, não têm paralelo no mundo. Nos Estados Unidos, reino do capitalismo financeiro, o presidente e os governadores do Federal Reserve (Fed) estão submetidos a duras regras. Além de um código de conduta rigoroso, explicitado nos sites de todas as regionais do Fed, duas vezes por ano, o presidente da autoridade monetária (Ben Bernanke) é obrigado por lei a dirigir-se ao Congresso para explicar os objetivos e os resultados da política monetária, com ênfase nos efeitos sobre o crescimento e o desemprego."


Leia mais aqui.

Confronto

Briga das boas rolando. Luiz Carlos Azenha, repórter da TV Globo e blogueiro no G1, versus Reinaldo Azevedo, boca-de-aluguel daquela revistinha que editorializa até resenha de música clássica. O Azenha é um jornalista de fina estirpe, um cara que vai pra rua, investiga, é atuante e além de ter um blog bom paca, criou o Sivuca, um portal que reúne outros bons blogs. Já o Reinaldo Azevedo é aquele que afundou a revista Primeira Leitura, que era digamos o Pravda do PSDB paulista. Um cara que vive no ar-condicionado, atrás de vidros fumê, dentro das cercas de condomínio.Ah e ele tem um blog no site daquele almanaque dos quatrocentões, de onde dispara seus ataques verbais.

Como se tratam de dois caras muito inteligentes, é certo que nenhum deles ganhará a discussão, mas os métodos, argumentos e principalmente motivos fazem toda a diferença né não?

Daza




A mais famosa banda de rock de Santa Catarina, a Dazaranha, vai realizar, nos dias 4 e 5 de abril, os shows de lançamento de seu álbum Paralisa no Teatro do CIC. Quem informou a Esquerda Festiva foi o vocalista e compositor Gazu, que encontrei na quinta à noite no estúdio Lemory. Para a produção do álbum da banda foi escolhido dessa vez Ricardo Vidal, que trabalha com o Rappa e tem um estúdio em Balneário Camboriú. A presença do produtor se nota em vários detalhes eletrônicos e na enxutez dos arranjos. Estou ouvindo e curtindo o disco que tem muitas músicas como já é de praxe na banda. Dessa vez são 16 faixas das quais destaco Jeffrey's Bay, música antiga que a banda toca desde os primórdios de sua história, O Samba e o funk Durma Bem, cantado pelo guitarrista Chico e que tem a participação da filhinha dele na introdução. Estaremos lá.

Dá-lhe banho de sal grosso



Floripa zicou o Gilberto Gil com a Imigração Norte-Americana. O músico e Ministro da Cultura foi detido pelas autoridades da imigração dos EUA. Licenciado do Ministério e viajando em turnê musical, Gil foi interrogado em sala particular, no último dia 13, chegando ao aeroporto Fort Worth, em Dallas. O problema da imigração dos Estados Unidos com Gilberto Gil o acompanha desde que ele foi preso com maconha em Florianópolis, há 31 anos atrás, informou a assessoria do ministro/artista. O episódio foi registrado no documentário cinematográfico Os Doces Bárbaros de Jon Tob Azulay. E os camaradas da Esquerda Festiva, os atuantes jornalistas Fábio "Mutley" Bianchini e Marcos Espíndola, do Diário Catarinense, escreveram uma bela e extensa matéria relembrando o caso. Foi publicada na revista BIZZ no ano passado.

Dizem que Gal e Bethânia nunca mais fizeram shows na Capital Catarinense em represália. Mas no mês que vem a birra parece que vai acabar. Está sendo anunciada a inauguração de uma casa de shows com uma apresentação de Gal.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Réquiem para um Soulman





No último dia 15 de março completaram-se 9 anos(!) da passagem de Sebastião Rodrigues Maia desta para melhor. Mais conhecido como Tim Maia, o emblemático soulman brasileiro está sendo biografado pelo jornalista Nélson Motta.

Pois visitando o blog do músico e escritor Henrique Bartsch, autor de Rita Lee Mora ao Lado, li um post em que ele publica um trecho da história do Tim, enviado pelo próprio Nélson. Saboreie. É um post grande mas vale a pena. No fim do arco-íris tem um pote de ouro.


Tim Maia Disco Club, 1978, 123 quilos

Em janeiro de 1978, Tim partiu para São Paulo para fazer uma apresentação no programa do Chacrinha, na TV Tupi. Para aproveitar as passagens e a hospedagem por uma noite no Hotel San Raphael, avisou à banda que ficariam mais dois dias em São Paulo, para gravar o disco no Estúdio Gazeta, “o melhor do Brasil “. Já estava tudo acertado, ele tinha telefonado do Rio marcando os horários, gravariam o disco todo de uma enfiada, em dois dias, todos juntos, como se fosse ao vivo, a banda estava preparada.

E assim foi, ou quase. Em dois dias, todos juntos no estúdio, com painéis separando os instrumentos para evitar vazamentos de som, gravaram as onze bases e algumas vozes de Tim, mas não deu para terminar tudo e mixar, como ele queria. O horário terminara, outros músicos esperavam ansiosos para entrar. E pior, Tim pagara o estúdio em dinheiro, antes de começar a gravar, estava zerado.

Réu confesso de ter faltado a diversos shows, muitas vezes Tim foi vítima de empresários e produtores trambiqueiros, que se aproveitavam de sua má fama para tentar explorá-lo. Para se proteger deles, criou uma senha de retirada, caso o contratante não aparecesse com 50% do levado em dinheiro vivo antes do show. Bastava gritar ou sussurar “estratégia“ que o pessoal nem tirava os instrumentos das caixas e começava a andar acelerado para o ônibus.

Assim que voltou ao hotel San Raphael, não deu outra:

Estratégia!

Aí, rapaziada, é o seguinte: embala tudo que a gente “vai fazer um show“, Tim deu a senha para a retirada.

Foi o que ele disse na recepção enquanto os músicos faziam uma confusão proposital na saída para esconder as sacolas de roupas misturadas com as caixas de instrumentos. Deixou a chave do carro alugado na recepção, pago com um cheque sem fundos, e partiu.

Como era tarde e precisavam dormir em São Paulo, Tim seguiu a sugestão de um motorista e foi com a banda em dois táxis para um muquifo numa zona distante e perigosa, mas a salvo dos cobradores do San Raphael. Sob protestos, os músicos passaram a noite amontoados em dois quartos do puteiro infecto.

De manhã, novo problema, alguns músicos ameaçaram se amotinar quando Tim disse que não voltaria para o Rio de avião e queria que pelo menos parte da banda o acompanhasse na viagem de volta no seu carro novo.

Que carro novo, Tim?

Na esquina do hotel, uma agência vagabunda de carros usados exibia um Ford Galaxy reluzente, em estado de novo, pouquíssimo rodado, de um único dono, a preço de promoção. Tim adorou o carro, era grande e confortável como ele gostava; o vendedor ficou encantado em conhecer o Tim Maia, ganhou uma capa de disco autografada e 50% do pagamento com a mesma assinatura em um cheque voador.

Na estrada desde as 10 da manhã, com Tim dirigindo a 60 km por hora, os músicos dormiam amassados no carrão, quando desabou um temporal e o Galaxy enguiçou numa serra nas proximidades de Resende. Entre conseguir uma carona, encontrar um mecânico e o carro voltar a rodar, passaram-se mais de cinco horas, só conseguiram chegar em casa às duas da manhã, com Tim praguejando contra a agência de automóveis que lhe “vendera“ uma bomba.

O rei do soul não considerava a discoteca música de branco, das cocotinhas da Zona Sul; para ele, ela não era oposta mas complementar ao soul negro da galera da Zona Norte, Tim se sentia muito à vontade ao lado de Kool and the Gang e do Chic:

Faço música de preto. E os pretos precisam se convencer que chegaram ao mundo dos brancos acidentalmente, em navios negreiros. Olha só isso que chamam de movimento Black Rio: os negros não passam de xerox dos americanos que, por sua vez, imitam aos brancos. Não sacam que o negócio é voltar para a África.

Gravado em 1978, o Tim Maia Disco Club seria um dos melhores discos de sua vida e marcaria sua entrada triunfal na onda da disco music e o início de sua colaboração com o tecladista e arranjador Lincoln Olivetti, um dos mais talentosos estilistas do Brasil, com quem faria muitas das melhores gravações de sua carreira.

A seleção carioca do soul entrou em campo com sua força máxima, com Paulinho Braga na bateria, Jamil Joanes no baixo, Robson Jorge no piano, Piau na guitarra, Chacal na percussão, Serginho Trombone, Paulinho Trumpete e (sax) no naipe de metais, sob a batuta, o Fender Rhodes e o Clavinet de Lincoln Olivetti.

No estúdio Level, em Botafogo, o guitarrista Renato Piau viveu momentos de grande emoção e suspense, durante a gravação da sua Pais e filhos, feita em parceria com Arnaud Rodrigues. Com a base gravada, Tim chamou o maestro argentino Miguel Cidras para escrever o arranjo de cordas, segundo as suas orientações. Quando o maestro abaixou a mão e os violinos tocaram, Tim não gostou do que ouviu, não era nada daquilo que esperava. Em certas partes as cordas faziam a mesma melodia que ele cantava, se confundiam com sua voz, quando deveriam ser em contra-canto.

Quando a gravação das cordas terminou, o produtor Guti Carvalho, pelo microfone da técnica, chamou o maestro para vir ouvir o resultado. Tim soltou os cachorros:

Pô, Guti, já te falei prá não chamar esse cara, mermão. Ele faz esses arranjos quatro-quatro-meia e assim não dá pra cantar.

Guti esquecera o microfone aberto e não só o maestro como toda a orquestra ouviram a esculhambação em alto volume. Miguel era um lourão corpulento, sanguíneo e cabeludo e, botando fogo pelas ventas, invadiu a técnica berrando em portunhol:

Hijo de uma puta! Yo te fuedo Tín Maia !

Não era para menos, quatro-quatro-meia, na língua de Tim, era o que nem chegava a cinco, era menos do que mais ou menos.

Miguel agarrou Tim numa gravata e derrubou como um touro de rodeio, enquanto Guti e Piau tentavam desapartar. O gringo estava furioso e Tim, de língua de fora, sufocava, esperneava e gritava tira esse cara daqui!

A muito custo o cara foi tirado dali e a gravação foi encerrada. Foram todos para uma salinha que André Midani havia cedido na casa da Warner, para ser o escritório de produção durante a gravação do disco. Um garrastazu oficial.

O clima estava pesado, mas foi logo aliviado com a visita do amigo Maurício do Valle, o querido Maurição, um grande ator baiano que se celebrizara como o Antonio das Mortes de Glauber Rocha e que também gostava de dar seus tirinhos fora da caatinga e das telas. Maurição foi recebido como um mensageiro da alegria, apresentou um gordo papelote de pó de primeira e a festa começou. Mais à vontade, Tim decidiu:

Ô Guti, esse Miguel é mesmo muito quatro-quatro-meia, mermão. Manda trazer o Lincoln Olivetti pra escrever essas cordas.

Com Lincoln vieram uma nova riqueza nos arranjos, um fraseado mais sofisticado de metais, o batidão disco se incorporava à levada do funk-samba-soul com naturalidade, a massa de cordas se desenvolvia em espirais vertiginosas, melhor e mais dançante do que aquilo, só o Earth, Wind and Fire. O disco abria com três clássicos, em seqüência, feitos para dançar. “A fim de voltar “ e “ Acenda o farol “, duas discos empolgantes, marcadas por cordas velozes e sinuosas, emendavam com o funkão pesado “ Sossego “, uma de suas obras-primas, com seu groove hipnótico e seus riffs de metais em brasa. A letra era uma síntese absoluta, um hai-kai carioca:

Ora bolas, não me amole,
com esse papo de emprego,
não tá vendo, não tô nessa,
o que eu quero é sossego !

Era só isso, e tudo isso. Não precisava mais nada, estava dado o recado. Não havia festinha, boate, bailão ou discoteca em que a pista não estourasse quando Tim pedia sossego ou dizia que estava a fim de voltar ou mandava, se o pneu furou, acender o farol.

Sossego foi uma das musicas mais tocadas do ano, um dos grandes sucessos da trilha sonora da novela "Pecado Rasgado" e do filme “Nos embalos de Ipanema“, de Antonio Calmon.

Tim estava estourado no Brasil inteiro, fazia um show atrás do outro sem faltar nenhum, mas os problemas não faltavam. No ginásio do Guarani, em Campinas, não foi nem o caso de estratégia. Foi muito pior.

Tim estava ansioso para fazer um show legal para o povão que lotaria o ginásio, cantar os seus sucessos e experimentar as novidades com a Vitória Régia. Eles eram a atração principal, entrariam por volta de meia-noite, depois de várias bandas locais. Onze horas o empresário os pegaria no hotel. Com o levado, naturalmente.

Uma da manhã e nada. Tim pronto, a banda inquieta, tensão no hotel. Às duas da madrugada finalmente o homem apareceu, transtornado. Alguma coisa dera muito errado, menos público que o esperado, roubo da bilheteria, calote de um patrocinador, o empresário tentou ser semi-correto e ofereceu pagar 50% do cachê a Tim - para não fazer o show. Tinha seus motivos, mas Tim insistiu, já que havia feito a viagem e estava esperando até aquela hora, louco para cantar, concordou em receber metade do levado - mas faria o show inteiro.

No ginásio, os ânimos estavam exaltados. Por volta de uma da manhã, como Tim Maia não aparecia, o público começou a vaiar e a gritar pelo dinheiro de volta, choveram garrafas, brigas estouraram, a polícia interveio várias vezes, mas os mais furiosos resistiam.

Quando Tim e a Vitória Régia chegaram, o chão estava coberto por cacos de vidro, o povo gritava furioso, o empresário implorou que ele não entrasse no palco. Tim mandou ligar o som e que a banda atacasse a introdução de “Não quero dinheiro“. Entrou sob uma gritaria infernal e, mal começou a cantar, uma garrafa jogada da arquibancada explodiu a seus pés. Outras se seguiram, sobre os músicos, os instrumentos e equipamentos, nem foi preciso gritar “estratégia“. Todos fugiram para o camarim aterrorizados, choviam garrafas sobre o palco, a turba gritava “quebra!“, “mata!“, “toca fogo!“

Enquanto os bombeiros tentavam esfriar a massa enfurecida com jatos de água, protegidos por um batalhão de choque da PM, Tim e os músicos embarcaram num camburão, o único meio seguro de levá-los vivos de volta ao hotel.

Foi a única vez que Tim ganhou para não fazer um show e ainda andou no banco da frente de um camburão.


Baixe Tim Maia Disco Club aqui.

O Príncipe



No fim dos anos 60 Ronnie Von gravou alguns discos psicodélicos que na época foram um fracasso comercial mas 30 anos depois despertaram o interesse daqueles que gostam de beber nas inesgotáveis águas da Música Brasileira. E eles estão espalhados pelo Brasil. Como mostra a jornalista e "ativista" cultural Flávia Durante que acaba de lançar um tributo à fase psicodélica de artista: 2 discos que estão disponíveis para download no site www.ronnievon.com. A homenagem reúne artistas do Pará ao Rio Grande do Sul.

Nos anos 60, o cantor tinha um programa de TV que rivalizava com o Jovem Guarda do "Rei" Roberto e ganhou da Hebe a alcunha de "Príncipe", o que obviamente nunca o agradou.
O hoje pacato "mãe de gravata" foi quem batizou um trio de adolescentes que tocavam no seu programa. Os moleques viraram Os Mutantes, aqueles mesmo, e chegaram a gravar algumas sessões dessa fase psicodélica do cantor.

No site Senhor F o músico Marcelo Birck da Graforréia Xilarmônica faz uma interessante análise faixa por faixa do quarto disco de Ronnie Von, de 1968, que pode ser baixado aqui.

Trash

Meus amigos e minhas amigas, dizia Décio Pignatari parafraseando o poeta Paul Valéry, que " sem um pouco de kitsch não poderíamos conviver". Concordo e pergunto se tu quer tomar uma boa dose desse licor? Pois se quiser delicie-se com a TV Orkut, que não tem nada a ver com o site de relacionamento do Google. A coisa nasceu da cabeça do baiano Petrucio Melo e está no ar há um ano. Lá você pode assistir programas como O Axé está no Ar, comandado por Pai Celso de Oxalá ou o Sem Preconceito, apresentado pela modelo Loren Lemos, que já atuou no programa Turma do Didi e na Praça é Nossa.

A gente já sabia





Está começando a cair a máscara da Ilha da Fantasia. O mito do paraíso idílico sofreu mais um duro golpe. Ontem à noite o Brasil todo pôde assistir, no Jornal da Globo, a matéria que a RBS exibiu no programa Estúdio Santa Catarina no último domingo. A repórter Kíria Meurer mostrou a escadaria de um prédio comercial no Centro, que durante a noite virou uma crackolândia. A cabeça da matéria foi:
Florianópolis sempre teve reputação, em todo Brasil, de cidade bonita, agradável, onde é bom de se viver. Até a chegada de uma droga que já trouxe muita violência a outras cidades: o crack.


Trabalhei e morei nessa região por um ano, de junho de 2001 a junho de 2002 e conheci algumas das pessoas que estão na matéria. Um flanelinha, que atuava na área, e uma mulher que vive nas ruas como pedinte. O enredo da história já é bem conhecido: o Centro da cidade é gradualmente abandonado por moradores e a degradação é inevitável. Florianópolis tem belas praias, cenários incríveis e muita gente boa mas é uma cidade brasileira como qualquer outra.

domingo, 18 de março de 2007

Alguma coisa acontece em Florianópolis




Ontem o Clube da Luta foi um sucesso. 15 dias sem chuva e subitamente as águas de março despencaram torrencialmente a noite inteira mas isso não impediu que a festa bombasse. Público de todas as tribos lotou o Café Fios & Formas. Gente bonita, figurinhas carimbadas, freaks, gente que é "people", gays, lésbicas e simpatizantes, músicos, atores, produtores, gente do lado de lá e do lado de cá da Ponte e muito mais. DJ Zé Pereira da Nação Balanço abriu o festerê conduzindo a vibe com maestria. A pista foi enchendo e o suíngue comendo solto. Quando começamos nosso show, a Coletivo Operante, o público já estava perfeitamente aquecido e dançou, se esbaldou, e nós também. Na sequência Andrey e a Baba do Dragão de Komodo carregaram no rock concretista, claramente influenciado pelo Arnaldo Antunes mas com muito mais senso de humor. Adorei a banda que ainda não tinha assistido. E a Samambaia Sound Club continuou a dança. Foi uma esbórnia dionisíaca pra ninguém botar defeito. Zé Pereira, sempre num timing impecável e dialogando com as bandas, encerrou a festa e tinha gente que queria mais.

Fotos e outras informações sobre a noite memorável no site Tô Puto.Hoje eu fico por aqui e deixo vocês com um rock psicodélico do Small Faces. Perfeito para essa lesêra dominical.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Livrai-nos do Mala-man




Direto do Diário Gauche.

Dois tempos



"Ai que saudade que eu tenho da minha Lagoa, que era só minha e da Conceição..." assim cantou Luiz Henrique Rosa em 1967, hoje talvez ele incluísse novas palavras. " Que era só minha e sem poluição". Esta foto fiz ontem à tarde da janela da casa do Valdir Agostinho. Ali embaixo, nas margens da Lagoa da Conceição, passa a rodovia asfaltada que segue para a Barra da Lagoa. Mais tarde fomos no canal ver um barco e então, de súbito, me deparo com um objeto vindo na corrente da maré vazante. Tou acostumado a ir nos restaurantes ali ao lado do canal e ver siris de montão, nadando e boiando. Haviam alguns. Mas aquilo não era um siri. Era uma ratazana morta, grotesca e inchada.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Phunky Buddha



Hoje na Contracapa do DC o antenado conterrâneo "papa-siri" Marcos Espíndola comenta a volta dos Udigrudis, banda que marcou os anos 90 em Florianópolis. Segundo ele, e eu concordo," é uma daquelas bandas que ficou marcada no consciente coletivo da sua geração, tal qual os Stonkas Y Congas e Phunky Buddha - que também podem pintar aí". E aviso que Phunky Buddha pode pintar aí sim. Já andaram requisitando a presença no Clube da Luta e estávamos pensando seriamente em fazer uma apresentação em 2007. Em julho de 2005 fizemos um inolvidável show no bar Drakkar comemorando meu aniversário. A foto ao lado foi feita nesta noite.

Em breve tou colocando umas músicas da banda pra download aqui no blog.

O jacaré é manso, mas é jacaré




Do blog Meandros de Curitiba.

A Prefeitura vai despejar o jacaré-de-papo-amarelo que mora há pelo menos 31 anos no Parque Barigüi.Isso por que o réptil matou um vira-lata sem dono que o atacou. " O mais famoso morador do mais famoso parque da cidade" virou até nome de canção, Jacaré do Barigüi, composta pelos meus camaradinhas Franco Milani e Gabriel Teixeira, da banda Black Maria. A música está no disco 13 20 produzido pelo mutante Sérgio Dias Baptista. Querendo ouvir baixe aqui.

A Associação dos Moradores e Amigos do parque Barigüi manifestou-se da seguinte forma:

CARTA AOS FREQÜENTADORES DO PARQUE BARIGÜI

"Foi legítima defesa !" - alegaria eu, se fosse advogado do jacaré. Ele estava em casa descansando, numa terça-feira de feriado de carnaval, quando aparece um bando de "animais", digo, pessoas, e começam a jogar pedras e paus nele.

"- E pra quê isso ?
- É pra vê-lo se mexer, responde um lá na frente.
- Ah, é ! Quer vê-lo se mexer ? Vá lá e puxe o rabo dele !"

É verdade, ele matou o cachorro. Matou mas não comeu, o que indica que ele não atacou, apenas se defendeu. O cachorro foi em direção ao jacaré e não o contrário. Nos últimos dias, pintaram o jacaré como um monstro. Não é nada disso gente ! Ele não come criancinha e nem corre atrás de turista. Está todo mundo com pena do cachorro, mas poucos são os que já viram os cachorros abandonados no parque quando estão caçando. Atacando capivaras, matando ratões do banhado, destruindo os ninhos e comendo os filhotes de patos e gansos. O jacaré é do bem. Do mau, são certos usuários do parque que ao invés de irem lá curtir a natureza, vão lá depredá-la. São pessoas que não catam as fezes dos seus cachorros, que fazem sexo no mato e jogam as camisinhas lá mesmo, quebram garrafas de vidro, destroem as churrasqueiras, queimam as lixeiras e poluem as nossas águas.

O "Velho Jack", o jacaré mais antigo, está no lago desde 1976, ou seja, 31 anos sem nunca ter dado alteração. Se ninguém incomodar o jacaré, o jacaré não incomodará ninguém ! Afinal quem será o verdadeiro animal.... o jacaré ou o bicho-Homem ? Quem será a verdadeira ameaça, o Homem ou a Natureza ?

Atenciosamente,

ARI BECKER
Presidente da AMAPARQUE BARIGüI
Associação dos Moradores e Amigos do Parque Barigüi

Can't Buy me Love

Paul McCartney não levou de novo. Acuado por dívidas crescentes devido ao seu estilo de vida esbanjador e pelas milionárias indenizações nos processos por abuso sexual, Michael Jackson arrecadou uma grana alta vendendo o catálogo das canções dos Beatles para a Sony. Nos anos 80 quando tornou-se um megastar do pop, Michael comprou o catálogo da Northern Song e tornou-se dono dos direitos autorais das canções de Lennon e McCartney. O fato azedou a amizade dele com Paul que sempre quis reaver esses direitos.

No início de carreira num ato ingênuo, e muito mal assessorados diga-se de passagem, Paul e John acabaram perdendo a posse de suas próprias músicas. "John e eu não sabíamos que a gente podia possuir canções. Achávamos que elas só existiam no ar. Não víamos como fosse possível possuí-las. Dava para entender que a gente possuísse uma casa, uma guitarra ou um carro, esses eram objetos físicos. Mas uma canção...Não conseguíamos entender como fosse possível ter direitos autorais sobre ela. Por isso o pessoal que recolhia direitos ficou muito feliz com a gente", disse Sir Paul em sua biografia Many Years from Now.

Deve ter sido um golpe duro para o músico não ter conseguido mais uma vez reaver esses direitos. Como consolo, recentemente um juiz desconsiderou as acusações de abuso físico que sua ex-mulher Heather Mills fez. Numa audiência em Londres no início desse mês para resolver as pendengas da separação, Heather saiu furiosa pela porta dos fundos enquanto Paul saiu pela frente, assoviando e estalando os dedos fazendo sinal da paz para os repórteres.

E para lembrar de Paul e Michael quando ainda eram amigos, o clipe super divertido de Say, Say, Say, parceria deles em 1983, produzida por George Martin e que saiu no álbum Pipes of Peace, de Paul. .


segunda-feira, 12 de março de 2007

A serviço do Senhor

Acabei de ler no Coluna Extra, do meu amigo Alexandre Gonçalves, que a compra das rádios e TV Guaíba pela Igreja Universal do Reino de Deus, dona da Record, incluiu também o jornal Correio do Povo. Pra quem não sabe, a rádio Guaíba foi quem abrigou Brizola e a Rede da Legalidade num dos momentos mais graves da República: a renúncia de Jânio e a guerra para fazer valer a lei e a posse do vice-presidente, João Goulart.

Tou curioso pra ver o desdobre desse avanço do Edir Macedo no quintal dos Sirotski. Será que ele não se anima a comprar o "mais antigo"* também? Um pouco de concorrência aqui nessas plagas ia bem né.

*Jornal O Estado, de Florianópolis.