sábado, 14 de novembro de 2009

Amor natural


A língua lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

Carlos Drummond de Andrade

3 comentários:

Alícia disse...

Adoro esse poema. E tem aquele da bunda também, muito massa.

Ulysses Dutra disse...

Oh yeah! ;) Valeu a visita e o comentário Alícia. beijo

Renata disse...

não sei da língua do drummond, seria até impossível mas, que prefiro a tua,prefiro!

amo-te