segunda-feira, 4 de junho de 2007

Um relato de alguém que esteve lá



Do blog Subversivos.

"Florianópolis, quinta-feira 31 de Maio de 2007.

No caminho para o centro a aparente tranqüilidade da cidade era quebrada pelas muitas viaturas que patrulhavam as ruas, passei por vários grupos da policia, em pontos estratégicos como o túnel, a forte organização da policia era visível.

Quando cheguei no centro por volta das 17:00 tinha um grupo de uns 150 estudantes, na sua maioria do ensino médio, entre 15 e 17 anos, pequenos grupos de amigos, de inicio fiquei desanimado, era muito pouca gente, a maioria da população ia e vinha na habitual correria de fim de expediente.

A policia militar estava presente e cercava o terminal, mas tudo parecia bem calmo.

Alguns poucos se juntavam a manifestação,o número de pessoas começou a crescer aos poucos, e só tomou proporção quando a galera que veio de UFSC e do Colégio de Aplicação chegou, trazendo cartazes, berimbau, capoeira, tambores e muita gente, todos gritando “Eu pulo, eu pulo a catraca sim!”, “Se a tarifa não baixar olê olê olá a cidade vai parar!!” e “Dário, seu mercenário, essa tarifa já tá alta pra caralho”.

Nesse momento a mídia “oficial” começou a aparecer, RBS(Globo), SBT, todas acompanhadas de muitas vaias, a policia também não parava de filmar e tirar fotos de todos presentes, uma das coisas mais legais foi a quantidade de manifestantes que tiravam fotos e filmavam os acontecimentos, odeia a mídia? seja a mídia!

O numero de pessoas so aumentou e chegou ao ponto máximo quando entramos na Mauro Ramos, ocupando as duas vias da avenida, passavam de 3 mil pessoas, a PM acompanhava de perto, em fila indiana, nas janelas as pessoas observavam curiosas, algumas empolgadas batiam palmas, panelas, a galera respondia com “Na janela não! a luta é no chão!”.

Entramos na Altamiro Guimarães, em direção a Avenida Beiramar, a rua é uma descida, então dava para ver a tropa de choque a uns 200m, derrepente escutei a explosão de duas bombas de “efeito moral”, eles queriam que a gente recuasse, e foi oque fizemos, mas quando voltamos havia mais tropa de choque, eles bloqueavam a Mauro Ramos, ou ficávamos ou recuávamos, ficamos.

A tensão era evidente, então começou a violência, pedras e rojões de um lado e balas de borracha, gás pimenta e bombas de “efeito moral” de outro, o pânico tomou conta, a tropa de choque avançava rapidamente, na correria alguns caras quebraram um ônibus e o vidro de um ponto, vinagre na camiseta para se proteger do gás, um cheiro forte tomou conta das ruas, recuamos e fomos para o centro, com a tropa de choque marchando na cola.

Uma das cenas mais legais foi quando um cara começou a chutar uma planta e uma estudante se revoltou e soltou o verbo nele, dizendo que eramos mal vistos por atos individuais de vandalismo como aqueles, espero que alguém tem filmado isto!

Então voltamos até o terminal e sentamos na rua em frente a ele, a quantidade de policiais cercando a manifestação era assustadora, pouco a frente estava a policia de choque, cachorros e a policia montada.

A PM cercava o terminal tentando evitar que pessoas saíssem ou entrassem no terminal, o que causou revolta na população que percebia oque estava acontecendo, a PM queria a rua “limpa” para poder descer o cacete.

Então a tropa de choque começou a avançar, a maioria permaneceu sentada na rua, alguns jogavam capoeira mais ao fundo, fazendo com que a cena fosse bem bizarra, sabendo que pegaria mal bater em um monte de gente sentada a policia parou, a cena ficou assim por mais de meia hora, e aos poucos os manifestantes foram indo embora, alguns cantando, “amanhã vai ser maior!”.

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